A morte anunciada das palmeiras (?)

Ensino

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Raúl Rodrigues

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O gorgulho-das-palmeiras Rhynchophorus ferrugineus (Coleoptera: Curculionidae), também conhecido por escaravelho-das-palmeiras ou escaravelho-vermelho, é um inseto recente em Portugal, que ameaça destruir as palmeiras em todo o território. A sua presença foi observada inicialmente no Algarve em 2007, encontrando-se presentemente distribuído em quase todo o território continental, com especial destaque para os distritos da orla costeira (Setúbal, Lisboa, Coimbra, Aveiro e Porto) e os concelhos minhotos de Esposende, Viana e Caminha, onde a situação é mais preocupante ou mesmo dramática.

Recentemente, a sua presença foi confirmada nos concelhos de Braga (Palmeira, Real, Dume, Cabreiros, Gondizalves, S. Lázaro e Ferreiros), Vila Verde (Lage e Freiriz) e Ponte de Lima (Centro histórico, Correlhã e Arcozelo). Provavelmente, a área de dispersão do inseto será mais abrangente, pelo que urge tomar medidas no sentido de conter a sua dispersão. A grande maioria das árvores atacadas encontra-se num estado em que é impossível a sua recuperação, pelo que o seu abate é obrigatório por lei.

Entre as várias espécies de palmeiras atacadas, a palmeira-das-Canárias (Phoenix dactylifera L.), parece ser a mais apetecida pelo inseto.
Os sintomas do ataque do inseto, que podem ser visíveis nas primeiras fases de infestação, incluem a destruição de nova rebentação e o vergar das folhas mais antigas, o que dá à árvore um aspeto de “guarda-chuva” (Ver foto - palmeira da esquerda). Numa fase mais avançada das infestações, os gorgulhos adultos já deixaram a árvore, podendo estes deslocar-se em voos de grandes distâncias (3 a 5 km), colonizando novas plantas.

O reconhecimento por parte da União Europeia, da elevada nocividade que esta praga representa, levou a considerá-la como de luta obrigatória, tendo publicado a Decisão da Comissão 2007/365/CE, que estabelece as medidas a tomar para evitar a sua introdução e propagação no território. Esta decisão foi atualizada pela Decisão 2010/467/CE, que introduziu alterações relevantes, principalmente no que respeita à lista de plantas suscetíveis, tipo de medidas a aplicar e elaboração e execução dos planos de ação para controlo do inseto.

Compete aos proprietários a aplicação das medidas fitossanitárias de acordo com a legislação.
Em caso de deteção da presença da praga, os proprietários são obrigados a informar a respetiva Câmara Municipal ou a Direção Regional de Agricultura e Pescas, a fim de avaliarem a possibilidade de recuperação das palmeiras.

Se o inseto for detetado na fase inicial, as árvores podem ser tratadas com produtos químicos ou biológicos, com grande probabilidade de recuperação. Se as árvores estiverem irrecuperáveis, o proprietário é notificado para fazer o abate, cujo preço pode oscilar entre 300 euros e 1000 euros (dependendo do tamanho). O não cumprimento desta notificação implica o pagamento dos custos à entidade que execute o abate ficando o proprietário do terreno, sujeito a uma contraordenação que pode ir dos 100 euros aos 3740 euros, para particulares, ou dos 250 euros aos 44.890 euros, no caso de pessoas coletivas.

Dada a evolução verificada e a necessidade previsível de abate de um número considerável de exemplares nos concelhos minhotos, torna-se urgente que os municípios, em conjunto com as juntas de freguesia e Ministério da Agricultura, façam um diagnóstico o mais rápido possível acerca do estado sanitário das palmeiras, de forma a ser possível a eliminação das árvores irremediavelmente perdidas e o tratamento das que se encontram em fase inicial de colonização pelo inseto.

O combate do gorgulho-das-palmeiras tem que ser encarado como um processo coletivo, onde o envolvimento dos mais diversos organismos da administração central e local e dos cidadãos poderá dar os seus frutos, principalmente através de uma monitorização adequada da praga.
No entanto, a falta de conhecimento dos cidadãos sobre esta temática, pode fazer com que estes incorram em coimas pesadas. É aqui que os Municípios, as Juntas de Freguesia e o Ministério da Agricultura e as Instituições de Ensino Superior têm um papel fundamental ao nível do esclarecimento dos cidadãos, da realização de diagnósticos e monitorização da praga, do abate e queima das plantas atacadas, da realização dos tratamentos quando necessários, bem como na adoção de práticas culturais que dificultem a progressão do inseto, uma vez que não são conhecidos inimigos naturais desta praga.

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