O Inverno, o frio e a dor de garganta...

Voz à Saúde

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Cecília Oliveira

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A dor de garganta representa uma das principais causas de recorrência aos cuidados de saúde, principalmente nesta altura do ano. Habitualmente resulta de uma inflamação da região faríngea - faringite. São vários os possíveis agentes patogénicos que podem causar uma faringite, sendo os vírus de uma forma geral os principais responsáveis.

As bactérias, mais especificamente o streptococcus do grupo A, são responsáveis por uma minoria dos casos, de acordo com as culturas realizadas a partir de amostras de pessoas com sintomas compatíveis com faringite. Os principais indicadores de uma infeção bacteriana são: o aparecimento súbito de dor de garganta, exsudado purulento amigdalino, adenopatias (gânglios) cervicais aumentadas e dolorosas e febre. A tosse pode estar ausente deste quadro assim como a rinorreia (pingo no nariz) e congestão nasal. O tratamento adequado é a administração de um antibiótico, como a penicilina.

Apesar de ser uma doença muito comum, pode complicar, embora raramente, com sinusite ou com a formação de abcessos periamigdalinos ou retrofaríngeos, nestes casos torna-se necessária uma intervenção no contexto hospitalar, para drenagem dos abcessos e de administração de antibióticos endovenosos. A febre reumática e a glomerulonefrite pós estreptocócica são complicações pouco observadas hoje em dia, devido ao fácil acesso a cuidados médicos e ao tratamento atempado.

Distinguir entre uma infeção vírica e uma infeção bacteriana nem sempre é fácil. Nem todos os doentes se apresentam com as caraterísticas típicas já descritas. O médico tem assim o seu trabalho dificultado, uma vez que lida com a dúvida diagnóstica, e as espectactivas do paciente que se encontra sentado à sua frente e cuja única vontade é o alívio mais rápido possível dos seus sintomas.

Esta situação é responsável por uma grande fração de prescrição desadequada de antibióticos. O tratamento, no geral, deve ser direcionado apenas para alívio dos sintomas, recorrendo à toma de medicação analgésica como anti-inflamatórios sistémicos, com ligeira preferência para o ibuprofeno que se mostrou ser mais eficaz no alívio da dor. A aplicação de tópicos como sprays analgésicos, gargarejos e até a toma de chás e líquidos quentes, apesar de não existirem estudos conclusivos sobre os benefícios, são também aconselhados e oferecidos de acordo com a preferência do paciente. O quadro de dor e inflamação desaparece habitualmente dentro de poucos dias.

Acima de tudo o mais importante é prevenir, nem sempre é possível evitar o contacto com pessoas doentes, portanto o ideal é lavar frequentemente as mãos, evitar tocar na cara, nariz e lábios. E sempre que tossir ou espirrar, fazê-lo para um lenço descartável, ou caso não seja possível, para o cotovelo, evitando a dispersão dos agentes infeciosos.

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