Sabedoria proverbial no percurso da vida

Ensino

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Alexandra Corunha

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“Junta-te aos bons e serás como eles; junta-te aos maus e serás pior do que eles”. Desde miúda que fui ouvindo e aprendendo, principalmente com os meus familiares e os mais velhos, sábios provérbios que, até hoje, me acompanham e que não dispenso de os proferir quando o momento ou a situação se adequam. Aqui fica a minha singela homenagem a um tão vasto património linguístico-popular, recheado de provérbios (frases e expressões que transmitem conhecimentos comuns sobre a vida), que continuará vivo se o transmitirmos aos mais jovens, com humor e graça porque “a brincar também se aprende”, ou num registo mais sério, passando de geração em geração, porque “Viver não custa, o que custa é saber viver”.

Na infância, ficava intrigada com as expressões “Deus escreve direito, por linhas tortas”, e “Filho és, pai serás, como fizeres assim acharás”, mas entendia perfeitamente, quando estava doente, que “Cuidados e caldos de galinha, nunca fizeram mal a ninguém”.
Na fase complexa, de rebeldia e afirmação que é a adolescência, onde “não há luar como o de Janeiro nem amor como o primeiro”, ensinaram-nos que “Quem não tem dinheiro não tem vícios”, e que é preciso ter cautela pois “Quem brinca com o fogo queima-se”, não esquecendo que “Quem boa cama fizer, nela se há-de deitar”.

Oh, na juventude, o mundo é nosso! “Querer é poder” e “O que tem de ser, tem muita força”, mas “Roma e Pavia não se fizeram num dia”. “Escuta o conselho dos outros e segue o teu”. Duramente aprendemos que “Há males que vêm por bem” e “Nunca digas desta água não beberei”. Assimilamos igualmente que “Contra factos, não há argumentos” e “Quem cala, consente”. Quanto ao amor, “Quem o feio ama, bonito lhe parece”. Amor, paz e justiça andam de mãos dadas. Infelizmente, cedo percebemos que vivemos num mundo em conflito, onde gritam vozes inocentes, mas que dá algum consolo saber que “Quem vai à guerra, dá e leva” e que “Vem a guerra, vai a guerra, fica a terra”.

Na escola aprendemos que, na língua portuguesa, “Não há regra sem exceção” e “Quem não sabe, é como quem não vê”. Também erramos, mas “Um dia, não são dias”. Os professores são o motor de arranque no processo de ensino-aprendizagem, a alavanca do conhecimento e a flecha do desenvolvimento integral. “Para ensinar é preciso aprender” e é neste pressuposto de crescimento mútuo que alunos e docentes da EPB - Escola Profissional de Braga emergem na fonte do conhecimento e da valorização pessoal, cultural, técnica e profissional. “Quem sai da EPB, vai bem preparado”, se me permitem que acrescente ao vasto e rico património de 25 anos a inovar o ensino profissional.

“Quem aos vinte não é, aos trinta não tem, aos quarenta não é ninguém”. Com a idade a avançar, fomos compreendendo que “Mais vale tarde do que nunca”. Por isso, “Mais viver, mais aprender” e “Escuta cem vezes, e fala uma só”. Na fase longa da idade adulta, “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”. Chegada à casa dos quarenta, vem-me à memória “Quem deixa o certo pelo incerto, ou é tolo ou pouco esperto”, “Quem te avisa, teu amigo é”, mas também à consciência que “Quem tem unhas é que toca viola”, alguma sabedoria “Semeia e cria, e viverás com alegria” e cautela à mistura “Mais vale um pássaro na mão, que dois a voar”. Quando a vida nos corre mal ou se sucedem vários episódios de infortúnio, lá nos vem à memória “Um mal nunca vem só”.

Na maternidade ocorre-nos sempre “Vale mais prevenir que remediar”, o mesmo será dizer que “Quem vai ao mar avia-se em terra”; é “De pequenino se torce o pepino” e “Filhos criados, trabalhos dobrados”.
“Não deixes para amanhã o que podes fazer hoje” adequa-se bem à nossa frenética vida profissional e pessoal. Às vezes, temos de perceber que “Depressa e bem, não há quem”, mas “Não se fazem omeletes sem partir ovos”. “Por falar se ganha, por falar se perde” e noutras ocasiões é-se julgado injustamente “Preso por ter cão e preso por não ter”. Para nos adaptarmos a um contexto diversificado e complexo, onde “Tantas cabeças, quantas sentenças” ou “Quem conta um conto, acrescenta um ponto”, o melhor será adotarmos o lema “Em Roma sê romano”.

Claro está que “Cada macaco no seu galho, cada maluco com a sua mania”, mas “O prometido é devido” e “Amor com amor se paga”. É preciso olhar em frente porque “Águas passadas não movem moinhos”.
Todos sabemos que o “Dinheiro não traz felicidade”, por si só, obviamente, e “Amigo verdadeiro vale mais do que dinheiro”. “Quem tem amigos, não morre na cadeia”, sendo eles tão importantes nas nossas vidas, a alegria, convívio e festa também o são. Se é certo que em “Cada terra com seu uso cada roca com seu fuso”, “No dia de S. Martinho, mata o teu porco e prova o teu vinho”, vale a pena celebrar mas com juízo, pois “Quem parte e reparte e fica com a pior parte, ou é tolo ou não tem arte”.

Se “De médico e de louco, todos temos um pouco”, na vida também é preciso uma pitada de sorte. Lá dizia a minha querida e saudosa avó Carminda, “Há paus que nasceram para serem pintados e outros para serem queimados”, uma expressão que, até hoje, não ouvi de mais ninguém.
Não sei como será a 3.ª idade, mas quero “O Vinho e o Amigo, do mais antigo”, se faz favor e quero continuar a acreditar que “Se o velho pudesse e o novo quisesse, nada havia que não se fizesse”. E se “É tarde para a economia, quando a bolsa está vazia”, caros leitores, “No poupar é que está o ganho”, para quem o conseguir, caso contrário, optem por “Uma maçã por dia, dá uma vida sadia”.

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