Taxar os sacos de plástico e a preservação do Ambiente

Ensino

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Mário Russo

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Os plásticos são baratos e incrivelmente versáteis e com propriedades que os tornam ideais para muitas aplicações. Os filmes de plástico, como são os sacos de plástico, muito usados como embalagens, foram recentemente objeto de uma taxação por parte do Governo através da obrigatoriedade dos estabelecimentos comerciais os venderem aos seus clientes a cerca de 10 cêntimos do euro. A medida é tida pelo Ministro do Ambiente como necessária para reduzir a excessiva quantidade que anualmente é despejada no Ambiente a partir das superfícies comerciais.

O Governo justifica a medida porque pretende reduzir a utilização dos sacos de plástico leve (espessura igual ou inferior a 50 microns) dos atuais 466 para máximo de 50 e 35 sacos per capita/ano, em 2015 e 2016 respetivamente. Com esta medida, o Governo espera arrecadar 40 milhões de euros em 2015.
Seria uma boa notícia para o ambiente se o governo não conseguisse arrecadar os tais 40 milhões. Com efeito, os perigos estão associados a exposições através de ingestão, inalação e contacto dérmico, considerados importantes rotas de exposição para a população em geral.

No ambiente, os plásticos de um modo geral e não apenas os filmes plásticos, acabam invariavelmente num meio hídrico e daí no mar, formando ilhas nas calotes polares, causando a morte de milhões de espécies marinhas. Mas no campo também são reportados milhares de mortes por sufoco de gado e de animais selvagens, pois os plásticos facilmente são levados pelo vento para centenas de km da sua origem.

Os plásticos que flutuam em milhares de rios, lagos e oceanos podem ser indicadores da poluição mais profunda, pois se eles têm capacidade de flutuar, os resíduos que os acompanhavam não flutuam e depositam-se no fundo dos meios hídricos. Estes plásticos em exposição solar longa sofrem fotodegradação e pedaços cada vez menores, até partículas de alguns microns, entram na cadeia alimentar através dos peixes, que são utilizados na nossa alimentação. A população ao ingerir alimentos contaminados, está a ingerir componentes orgânicos poluentes, PCBs, pesticidas organoclorados, DDT, cujas consequências são pouco conhecidas e estudadas.

O Prof. Sobrinho Simões tem dito que um em três portugueses vai ter um cancro e no futuro a relação será de 1 em 2, em que a ciência tranquiliza porque a doença vai ser crónica, ou seja, os seus portadores vão conviver com ela o resto das suas vidas. Certamente a qualidade dos alimentos terá o seu peso na consequência destas doenças. Se os plásticos são um perigo para a saúde pública porque não os banimos?

Os plásticos são suscetíveis de desempenhar um papel cada vez maior em aplicações médicas, incluindo transplantes de tecidos e órgãos; na fabricação de compo- nentes leves, tais como os utilizados nos novos super aviões da Boeing e da AIRBUS, reduzindo a massa e com isso o uso de combustíveis fósseis nos transportes; componentes para a geração de energia renovável; isolamentos que ajudarão a reduzir as emissões de carbono, bem como a sua aplicação em embalagens de plástico inteligente capazes de monitorar e indicar a qualidade dos produtos perecíveis, são aplicações que estão no terreno.

No entanto, pese embora os benefícios consideráveis para o futuro que os plásticos podem proporcionar, é evidente que as abordagens atuais para a sua produção, a utilização e a eliminação ainda são pouco sustentáveis. Apesar de termos um conhecimento considerável sobre muitos dos riscos ambientais e suficientes informações sobre os seus efeitos na saúde pública, permanecem muitas incertezas que deveriam ser motivo de reflexão e ação. O objetivo de redução dos plásticos mais perigosos, os leves, é um passo, mas muito tímido quando se taxa, mesmo que possa dissuadir o seu uso.

Países como a China, Bangladesh, Índia (Nova Deli), Itália e EUA (Califórnia) já baniram os sacos de plástico. Portugal resolveu taxar, como a Irlanda. Se está provado que é uma má solução, deveria ser pura e simplesmente banido. É mais fácil gerir um saco de maior espessura que durará 3 ou 4 anos que o correspondente a mais de 1800 sacos leves.

Por isso ficarei muito agradado se verificar que o Governo não arrecada os 40 milhões previstos, como sinal de consciência ambiental demonstrada pelos portugueses. É só começar, porque é uma questão de hábito e ninguém vai ficar traumatizado por levar os sacos retornáveis ao supermercado para trazer as suas compras.

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