Combater o desconhecimento sobre a União Europeia

Ideias

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José Carlos Baptista

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Há dias, um amigo contava-me que tinha colegas que não sabiam o que era o Banco Central Europeu (BCE). Era, para ele, incompreensível que jovens recém-licenciados não tivessem um conhecimento básico do funcionamento das instituições europeias. Realmente, parece impensável que, perante a importância fulcral que a União Europeia cada vez mais assume na nossa vida, esta permaneça um mundo desconhecido para a maioria das pessoas.

No entanto, há razões para tal acontecer e compreendê-las é um bom começo para perceber o que é preciso fazer para alterar este cenário e que papel está reservado a cada um de nós para ajudar, seja como dirigentes associativos, atores políticos, jornalistas ou meros cidadãos informados e interessados.

Desde logo, é impossível falar destes temas e não mencionar a descredibilização dos partidos políticos. Os jovens de hoje não consideram que os partidos sejam capazes de responder às suas necessidades e anseios e essa descrença é um fator que os afasta da intervenção cívica ativa. É verdade que os partidos são os grandes culpados desta situação, ao continuamente fugirem à renovação dos seus quadros e ao não limparem das suas fileiras os que prestam um mau serviço aos cidadãos.

A promoção e defesa dos bons exemplos torna-se, então, um imperativo. Neste campo da juventude, não poderia deixar de referir dois eurodeputados, o Ricardo Serrão Santos (PS) e o José Manuel Fernandes (PSD), que na campanha das últimas europeias deram grande ênfase aos seus compromissos para com a juventude, dando um bom contributo para chamar os jovens à política europeia e responsabilizando-se perante estes a ter de apresentar resultados.

Isto leva-nos a outro ponto, que cobertura mediática tiveram estas ações? Muito reduzida, na verdade, a comunicação social portuguesa dá grande relevância às imposições menos positivas que a UE nos exige, ou até mesmo à indumentária do Ministro das Finanças grego, mas não informa sobre aquilo que a UE financia com efeitos benéficos para a vida dos cidadãos europeus, como o Programa de Desenvolvimento Rural 2014-2020 (PDR) ou a criação da European Research Area (ERA).

O desconhecimento ou, ainda mais grave, a desinformação têm como consequência um mau entendimento da realidade europeia e, com isso, um sentimento de afastamento e uma menor vontade de participar no sonho europeu. Pessoalmente, penso que uma solução só está ao alcance com a contribuição da classe jornalista, porque a resposta não é somente a criação de programas informativos sobre a União Europeia - a RTP2 tem alguns, mas a audiências falam por si -, passa também, e acima de tudo, por começar a dar tanto destaque às boas notícias como o que é dado às mais negativas.

Voltando ao exemplo inicial, reparamos que outro fator que deveria ter importância e assim não acontece é o ensino, que licenciados não conheçam a estrutura básica da União Europeia é a prova de que algo está a falhar. Pessoalmente, sou da opinião que este deveria ser o domínio da disciplina de Formação Cívica, onde os alunos seriam educados, entre outros assuntos, quanto ao funcionamento das instituições democráticas, desde o nível local ao nível europeu. De qualquer forma, seja esta ou outra a solução encontrada, parece-me óbvio que é essencial que a compreensão dos organismos que governam a nossa sociedade faça parta da educação básica de todos os cidadãos.

Há também uma parte da responsabilidade que recai sobre os dirigentes associativos, é sua função ajudar à formação dos que integram as suas coletividades, mas o grande incentivo que estes têm para dar é a ajuda que prestam ao aumento da participação cívica dos jovens. Cada vez mais, também pelo afastamento dos partidos já mencionado supra, os jovens buscam nas associações uma forma de intervir positivamente na sociedade, cabe aos dirigentes destas dar força a esta vontade de melhorar o mundo. Aqui, deve também a UE aproveitar para continuar no caminho do apoio ao associativismo, aproximando-se das associações e cativando assim os jovens para o projeto europeu.

Finalmente, é também importante a ação de cada um de nós como cidadão interessado e informado, esclarecendo aqueles que nos procura com dúvidas e ajudando a promover o que de bom se faz, porque o ‘palavra passa palavra’ é muito importante na formação da opinião das pessoas e um simples comentário acertado pode ajudar a melhorar a perceção que os nossos amigos e conhecidos têm da UE.

Mais uma vez, dou um exemplo, na minha freguesia, um dos candidatos à Junta aproveitou as últimas eleições europeias para fazer campanha e falar com as pessoas, apelando ao voto e lembrando que a UE também tem influência nas freguesias. Não foi nada de mais, mas, na minha opinião, ajudou a transmitir algum positivismo sobre a UE que muitas vezes não chega às pessoas.

Ao longo deste texto fui dando vários exemplos de situações em que podemos alcançar melhorias para que os nossos jovens se possam sentir mais incluídos e atraídos para o projeto europeu. Dou grande importância a este tema porque sou europeísta convicto. Não que concorde com todas as decisões vindas de Bruxelas ou Estrasburgo, pelo contrário, há muitas que são bastante criticáveis.

Mas, é incrível que eu e um jovem do outro lado do continente, a milhares de quilómetros de distância, não falando a mesma língua, tendo culturas bastante distintas, partilhemos uma identidade, a de cidadãos europeus. Somos privilegiados em experienciar este projeto único no mundo e que tantos benefícios nos traz, seria uma pena que este se desmoronasse porque não soubemos dar-lhe a atenção que merecia.

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