Sr. Doutor, passo o dia a espirrar e a pingar do nariz!

Voz à Saúde

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Cristina Dias

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Parece que todos os anos surge esta sensação com a vinda da primavera. Começa o pingo no nariz sempre a querer sair, os espirros constantes, pacotes de lenços gastos uns atrás dos outros, as noites mal dormidas sem conseguir respirar correctamente.
Na maioria dos casos, isto deve-se a uma condição denominada rinite alérgica. Esta é uma doença inflamatória da mucosa nasal, decorrente da exposição da pessoa a substâncias estranhas, denominados antigénios.

Posteriormente, quando a pessoa sensibilizada é exposta a essa matéria antigénica tem uma reacção alérgica. Alguns dos antigénios mais comuns estão presentes nos ácaros, nas gramíneas e nos pólens. Esta doença é cada vez mais frequente no mundo civilizado, afetando pessoas de ambos os sexos e de qualquer idade e pode resultar em sintomas crónicos e recorrentes. Estes variam de intensidade, desde leves, moderados a graves. Os principais sintomas incluem rinorreia aquosa (“pingo no nariz”), obstrução e/ou prurido nasais, espirros frequentes e sintomas oculares, como prurido e hiperemia conjuntival, os quais se resolvem espontaneamente ou através de tratamento.

A rinite alérgica, apesar de não estar entre as doenças respiratórias crónicas de maior gravidade, pode ser considerada a doença mais comum, e é um problema global de saúde pública também porque afeta a qualidade de vida e a produtividade das pessoas, temporária ou permanentemente, se não houver tratamento adequado. Isto porque causa fadiga, dores de cabeça, dificuldade na concentração e até na aprendizagem.

A maioria das pessoas não procura aconselhamento médico, exactamente porque os sintomas tendem a resolver por si, porém deveriam efectuar tratamento para evitar o agravamento da inflamação nasal. Quando o grau da rinite é leve, e o quadro clínico é típico, com boa resposta ao tratamento médico, não há praticamente necessidade de efectuar exames complementares. Porém, quando a pessoa tem rinite alérgica moderada a grave, o médico pode pedir alguns testes cutâneos a fim de investigar alguma alergia ou doença que necessite de outro tratamento.

As análises ao sangue, como por exemplo, a dosagem de IgE ou a eosinofilia são indicadores indiretos de atopia, mas pouco sensíveis e pouco específicos. Por outro lado, 35 a 50% das pessoas com rinite alérgica têm níveis normais de IgE total, enquanto 20% dos indivíduos sem rinite alérgica apresentam níveis elevados, portanto não devem ser pedidos. O tratamento passa pela remoção ou evicção do contato com os alérgenos e pelo tratamento farmacológico.

As pessoas podem e devem tomar algumas gerais, nomeadamente, evitar ambientes poluídos ou inalar o fumo do tabaco, pois causam efeitos nocivos no epitélio respiratório, sendo fatores de risco para o aparecimento de rinite alérgica e de outras doenças respiratórias, como a asma. Na maioria das situações, é necessário acrescentar terapêutica farmacológica para o alívio dos sintomas.

O uso de soluções salinas nasais (água do mar) não mostrou claro benefício, portanto, costuma ser usado juntamente com um anti-histamínico associado a uma baixa dose de corticóide intranasal, o qual reduz a inflamação da mucosa nasal e, consequentemente, os sintomas que tanto incomodam o dia-a-dia.

Os sprays nasais prescritos pelo médico constituem o tratamento de primeira escolha para as formas persistentes de rinite alérgica, sem efeitos sistémicos quando usados na dose recomendada e são de fácil utilização. Já sabe, não precisa de passar a primavera com o lenço no nariz, cuide de si e inspire os aromas florais sem queixas.

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