Geração sem fios

Ensino

autor

Américo Rodrigues

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Nas últimas décadas, os novos paradigmas associados às TIC geraram novas formas de acesso à informação e rasgaram janelas de comunicação de dimensões ainda impossíveis de antever. Por outro lado, há quem identifique a nossa Escola nos quadros e gravuras do século XIX; a sala de aula clássica, os alunos todos sentados a olhar para o professor, a novidade pode ser um computador e quadro interativo.
Como motivar os nossos jovens? Como ir ao encontro dos desejos e anseios destes menores e da sociedade? Que cidadão ético? Que profissões de futuro?

A discussão sobre a sala de aula desejável e os currículos escolares é volátil e eterna. A sua importância para o futuro do país é uma prioridade de muitos pedagogos e investigadores. Seria tarefa inglória e fastidiosa referir aqui documentos e autores, onde ninguém parece ser dono da razão, sobre o(s) caminho(s) a tomar.

Nesta súmula, trago à colação alguns apontamentos, poucos, sobre as oportunidades e riscos gerados por este novo mundo ligado às TIC e de alguma forma refletir um pouco sobre alguns passos que estão a ser perspetivados no nosso ensino.
Vivemos o século da propagação exponencial de ecrãs, a tecnologia avança a um ritmo alucinante. As crianças e os jovens são o público que mais consome as novidades.

Nesta web social, o acesso é ubíquo e aditivo. Nas camadas de menores, não estar na rede é não existir.
As mudanças que são introduzidas na tecnologia vão sempre acompanhadas de uma multiplicidade de outras mudanças nos processos sociais e formas de agir; e talvez sejam estes últimos, não as tecnologias, os que exercem o maior impacto na mudança social. [2001, Barbules e Callister]

É impensável viver sem tecnologia; vai continuar a transformar para sempre o modo como vivemos. A par dos benefícios incríveis os perigos também espreitam. É indispensável conhecer esta porta aberta para o mundo, as suas regras, capacidade e limitações, de forma a estarmos precavidos. Estamos perante uma nova geração, possivelmente precoce, móvel, mais autónoma, multifuncional, interativa, multitarefa e obviamente sujeita a correr mais e novos riscos.

Isto leva a aparição de novas questões, principalmente comunicativas e educativas; os jovens encaram o mundo global com uma ampla gama de dispositivos tecnológicos, onde podem controlar a informação a que acedem, os processos de comunicação em que participam e gerar os seus próprios conteúdos para uso pessoal e compartilhado. Consumir, comunicar, conhecer, relacionar-se e criar parecem ser alguns dos itens de interesse destes menores. Será possível canalizar tudo isto para a sala de aula em contexto de aprendizagem?

Ao mesmo tempo, estas autênticas autoestradas virtuais, onde os conteúdos, muitos interativos, parecem infinitos, podem ser perigosas. O excesso de utilização - a dependência da internet, o desinteresse por outras temáticas, o desligamento da realidade, a gestão da intimidade, o cyberbullying, o cibercrime e outras patologias já foram diagnosticadas. É obrigatório o envolvimento dos progenitores na vida digital dos seus filhos, tal como acontece na vida real. Existem projetos, como o SeguraNet (www.seguranet.pt), bem conseguidos e com resultados.
É indispensável ensinar informática - e as boas práticas.

O ensino da informática no nosso país é escasso. Com exceção dos cursos profissionais da área, já amputados de horas de formação técnica, as TIC fazem hoje parte do programa do 7º e 8º ano; é uma disciplina semestral de uma aula por semana, em turmas até 30 alunos, média de 30 lições x 45 minutos por ano; unicamente 45 horas de formação TIC em 12 anos de escolaridade. A maioria dos alunos finaliza o ensino secundário sendo praticamente analfabetos funcionais ao nível das TIC. É de todo inacreditável que não haja uma disciplina de TIC no secundário.

O novo líder para a Europa da Google anunciou, em Bruxelas, que a empresa quer formar até 2016 um milhão de europeus com competências digitais. O objetivo é dar resposta aos 900 mil empregos na área das TIC que deverão ficar por preencher no continente entre 2015 e 2020. Espanha é um dos países onde o programa de formação já está em funcionamento. Em Portugal serão necessários 110 mil nos próximos cinco anos.

Estimular os nossos jovens a passar de consumidores a criadores devia ser um objetivo plasmado nos currículos escolares - para atingir todas as classes sociais.
Numa semana em que faleceu José Mariano Gago, a pergunta é simples: o que se faz em Portugal para despertar os mais novos para a tecnologia? Existe pouca informação.

É conhecido que o ME está a trabalhar para criar uma rede de apoio aos 105 clubes de programação e robótica (811 agrupamentos escolares ativos no país). Em andamento parece estar também a iniciativa Apps For Good (cdi.org.pt/apps-good). No próximo ano, a DGE vai lançar um projeto piloto que promove a iniciação à programação junto de alunos do 3º e 4º anos de escolaridade. Até à data há 65 escolas inscritas. Caminhamos para a inclusão da programação no currículo do básico?

Num país que desinvestiu na educação, teremos vontade e capacidade para implementar programação nos currículos, desde o 1º ciclo, como o fizeram no Reino Unido e outros países europeus? Avançamos com o Scratch e com o Kodu? Estendemos a programação (obrigatória ou opcional) ao resto do ensino? Teremos alunos no 9º ano a programar em Phyton, PHP ou C, como acontece em outras latitudes? Um dos grandes entraves, neste momento, será sempre o nosso parque informático; não é renovado desde o plano tecnológico. Os velhos do restelo serão um outro.

Os cursos profissionais ligados às TIC são, neste momento, o garante da literacia informática. O curso técnico de Gestão e Programação de Sistemas Informáticos é aposta sólida da Escola Profissional de Braga; formação de nível IV no uso confiante e crítico das TIC. Qualidade no ensino-aprendizagem e ligação às empresas/instituições locais, com estágios no 11.º e 12.º anos. Manuseamento dos sistemas operativos Windows e Linux, assemblagem de computadores, montagem de redes, Certificação CISCO e Microsoft; algoritmia, programação: Phyton, C#, Java e mobile; HTML,CSS, JavaScript, e as bases de dados: MySQL e PHP.

A arquitetura da Internet continuará a mudar e será cada vez mais sem fios; nos próximos 20 anos a maioria da população mundial terá uma assinatura móvel. Teremos cada vez mais objetos em rede, a Internet das Coisas (IoT); interações entre as pessoas e o meio envolvente; grande impacto no futuro de Recursos Humanos na área das TIC.

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