A morte de Mariano Gago: Um testemunho

Ensino

autor

Rui Teixeira

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Conheci o Professor Mariano Gago de perto e lidei com ele, de modo continuado, durante anos, enquanto dirigente do ensino superior. Só a história, enquanto ciência, livre, portanto, das paixões e das conjunturas, saberá colocar este homem na sua real dimensão. Esperemos, sem pressas, esse juízo. Tal não nos impede que, mesmo ruídos pela dor e por um sentimento de perda sem fim, testemunhemos.

Estou convicto de que a história colocará Mariano Gago entre aqueles que mais longe nos levou, enquanto povo. Tinha a mesma têmpera e visão dos nossos grandes conquistadores e descobridores - que foram grandes entre os escultores da nossa identidade, mas descobriu e conquistou em causas dos nossos tempos: na cultura, na ciência, na educação e na formação superiores.

Fê-lo impregnado da convicção de que a causa pública, o bem comum e a democracia - as suas primeiras e maiores causas - se jogam nestes terrenos e que são estes os meios que nos restam para a mudança, para a mobilidade social e para uma economia que não mate, como nos pede o papa Francisco, mas, antes, que dignifique e promova a condição humana. Fê-lo com a visão e atitude do sábio renascentista: uma visão holística, moderna, inclusiva, aberta e que incorpora o futuro.

Fê-lo com a abrangência do grande cientista que era, com o permanente interrogar do filósofo, com a irreverência do artista que nunca se confina ao pensamento e aos tiques em uso e com o rigor do engenheiro. Fê-lo com a serenidade do mestre que, pela sua magnitude, cria, naturalmente, escola. Fê-lo a partir dum ser humano fascinante, moldado pela simplicidade extrema e por uma inteligência e cultura ímpares. Mariano Gago foi o maior dos líderes da ciência e do ensino superior em Portugal. A perda de Mariano Gago não tem, por isso, tamanho. Não poderemos perdê-lo. Não iremos perdê-lo.

O subsistema do Ensino Superior Politécnico perdeu um dos homens que melhor percebeu a sua importância, um dos seus grandes fundadores, pela conceptualização e pelos diversos regimes jurídicos, e um dos seus grandes promotores.

Mariano Gago viveu muito do seu tempo, desde a juventude, no Alto Minho - terra que amava. Até por isso, também, conheceu com profundidade a nossa região e avaliou bem da importância do IPVC para o nosso desenvolvimento. Ouvi-o muitas vezes na sua sabedoria e simplicidade sobre este tema. Sempre discreto, Gago esteve sempre presente, tendo ou não responsabilidades governamentais, na vida do IPVC. O IPVC e o Alto Minho perdeu, também, um AMIGO decisivo em muitas fases do nosso percurso institucional.

Eu perdi, igualmente, um grande AMIGO. Fazíamos anos no mesmo dia e sempre o relembrávamos. Perdi a voz do ser humano mais inteligente que me foi dado conhecer. Isso dói. Mas só perdi a voz. Recuso-me a perder a sua inteligência, ou seja, o seu legado.
Um grande abraço de profunda solidariedade humana e partilha da dor aos seus familiares e as mais sinceras condolências e um ATÉ SEMPRE de gratidão e louvor do IPVC.

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