De Carlos Mangas, de Amares, recebemos o seguinte texto, que transcrevemos na íntegra:
“Sinto cada vez mais “orgulho” em ser português. Nenhum outro País tem a sorte de ter tantos e tão genuínos fenómenos do entroncamento como nós. Nas diferentes áreas, desde a politica ao desporto, passando pela educação há situações que por muito que tentem explicar, são sempre de difícil compreensão.
Por ordem crescente de importância dos temas e dos personagens, começo por baixo, pelos políticos. Pura coincidência que só agora sensivelmente a três meses das eleições autárquicas, apareçam notícias que nos dão conta de possíveis condenações de personagens políticos que num País em que a justiça funcionasse, há muito estariam presos (ou ilibados).
Isaltino Morais, Fátima Felgueiras, Valentim Loureiro ou Avelino Ferreira Torres têm os partidos que outrora os elevaram a figuras públicas na primeira linha dos que desejam vê-los condenados e longe do poder autárquico.
O nosso Presidente da República por seu turno, não elucida os portugueses sobre o motivo porque todos teremos de pagar (um mínimo) de mil milhões para o BPN sobreviver e assume preocupações com os “apenas” quase 100 milhões que o Real Madrid pagou por Cristiano Ronaldo.
Interesses pessoais no primeiro caso toldar-lhe-ão a memória ou o discernimento?
O nosso primeiro ministro “descobriu agora” que o modelo de avaliação dos professores se calhar (?) era muito exigente e burocrático. Engraçado como antes das eleições europeias não se lembrou de quest
ionar ou ouvir alguns dos milhares de professores que foram a Lisboa dizer-lhe isso em slogans e cartazes mais do que uma vez.
Passando ao desporto, foi sui generis ouvir da boca dos responsáveis do SL Benfica, que iriam iniciar conversações com Jorge Jesus (JJ) depois de terem chegado a acordo com o Sporting de Braga. Estranho sobretudo que as “negociações” com o Sporting de Braga tenham demorado sensivelmente duas semanas, e com JJ num dia apenas, tenham acordado tudo. Se calhar antes, e uma vez que ainda não tinham iniciado conversações, entendiam-se por sinais de fumo, como é típico neste desporto.
Por último no ensino, vi recentemente na TV uma reportagem em que colocaram alunos do 3.º ano de escolaridade a realizar com evidente sucesso, provas de aferição elaboradas para alunos do 4.º ano e colocaram alunos do 5.º ano a realizar (e também) com sucesso provas de aferição do 6.º ano.
Num País com tantos e tão graves problemas na educação é deveras intrigante que os alunos consigam resolver problemas que em teoria só estariam habilitados a resolver no ano seguinte. Concluo com os recentes exames do 12.º ano assumidos pelos alunos como fáceis e simples de realizar, mais até que algumas provas realizadas ao longo do ano. Terá isto algo a ver com o famigerado sucesso estatístico que os nossos governantes tanto procuram?
Acreditamos “sinceramente” que não, deve ser apenas e só mais um dos inúmeros fenómenos do entroncamento em que o nosso País é fértil, e que na política, desporto e educação tantos (maus) exemplos nos fornece.
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