Com Portas Abertas…há Vida

Ensino

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José Oliveira

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Maio entra-nos na alma com o fulgor ondulante da voz de Zeca Afonso com “Maio maduro Maio, quem te pintou?/Quem te quebrou o encanto, nunca te amou./Raiava a Sol já no Sul/E uma falua vinha lá de Istambul”. E a associação de Maio com uma cidadania, nacional, europeia ou cosmopolita, reclamada ou reivindicada, suada, (quantas vezes ensanguentada?) torna-se óbvia, nomeadamente com o mundo do trabalho, quando particularmente evoca o dia em que, em 1886, nas ruas de Chicago, milhares de trabalhadores se rebelarem em defesa da sua condição humana e da sua dignificação.

O trabalho é um pressuposto natural da existência humana, incorpora um dos direitos humanos fundamentais para a garantia da subsistência e para realização pessoal. A sua escassez aumenta o risco de pobreza e de exclusão social e gera o sentimento deprimente da inutilidade.
A tendência para responsabilizar desmesuradamente cada indivíduo pela sua condição laboral não é justa.

Embora sendo aceitável a tese de maior desenvolvimento da capacidade de iniciativa individual, maior estímulo à criatividade, maior responsabilidade em cada um explorar os seus talentos e colocá-los ao serviço da construção do seu destino individual, tal não pode nunca deixar de significar que o desenvolvimento social e económico tem na sua génese a assunção de visões e medidas políticas.

Usando uma metáfora alegórica: a cada um de nós pode ser exigido que construamos faluas, caravelas ou navios, façamos viagens, descubramos tudo quanto nos pode realizar, mas certo será que a cada um de nós não se pode exigir que façamos o mar por onde as nossas embarcações navegam.

Aprouve-nos ver alunos, na semana passada, na Escola Profissional de Braga, testarem as suas capacidades, procurando na apresentação de uma ideia de negócio e no confronto com os seus mentores, no caso específico o movimento cívico Dish Mob, exercer o pensamento crítico, verificar o valor da prudência e da ousadia, para compreenderem que para uma ideia ou projeto navegar com sucesso é preciso muito, mas muito trabalho e um mar propício. Neste sentido, concorda-se com o maior envolvimento da sociedade civil no desenvolvimento, sem desresponsabilizar o Estado.

Em “A Idade do Social”, publicada em 1952, Lúcio Craveiro reconhecia que é pelo trabalho que o homem toma parte ativa e digna na sociedade, ganha a sua vida, o sustento e o justo desenvolvimento da família, sem depender de outros, e coloca o direito ao trabalho como o mais importante depois do direito à vida e à integridade pessoal.

Ao considerarmos uma visão humanista do trabalho, temos em conta dois propósitos. O primeiro focado, enquanto EPB, escola de portas abertas à vida, numa lógica de equilíbrio de dimensões diversas como o desenvolvimento humano e cívico e a preparação para o exercício de uma atividade profissional. Para que os jovens estejam preparados para o exercício digno da sua condição humana.

O segundo focado na consciência da assunção de mandatos como os da socialização, construção de comportamentos social e eticamente aceites, inclusão, promoção da cidadania. Reconhecemos, porém, que este mandato, assente na construção de comportamentos favorecedores do amadurecimento humano, cívico, intelectual, profissional, não pode ficar acantonado na Escola, deve ser partilhado por outras organizações, nomeadamente as empresas.

Porque a EPB quer preservar no seu espírito a educação para a cidadania, os principais temas transversais, como a educação para os direitos humanos, a educação para o desenvolvimento, para a igualdade de género, para a saúde e a sexualidade, a educação para os media, a educação do consumidor, a educação inter/multicultural, a educação para a paz, a educação para o empreendedorismo, educação financeira, a dimensão europeia da educação constam frequentemente das suas atividades anuais.

Muitas destas temáticas encontram-se plasmadas na Semana Cultural da EPB, que decorre durante a presente semana, e que teve início, no domingo com uma Caminhada em nome de uma causa: a sensibilização para a prevenção do AVC, no âmbito da prova de aptidão da nossa aluna do curso Auxiliar de Saúde, Andreia Cunha, em parceria com a Câmara Municipal de Braga.
A organização de atividades tão diversas e multidimensionais como aquelas que compõem a Semana Cultural implicam muito trabalho e envolvimento com alunos e professores, mas somos premiados com o entusiasmo da sua realização e o desenvolvimento da nossa identidade institucional.

Sabemos que numa escola com portas abertas… há vida. E esta vida é feita de muito trabalho, cooperação e compromisso. Trabalho e dignidade são duas palavras pujantes… corajosas…não são? Não são elas que estão na origem do cumprimento dos sonhos? E desta vez na minha alma regressa o ondulante fulgor da última estrofe de Maio, Maduro Maio: “Numa rua comprida El-Rei pastor./Vende o soro da vida que mata a dor./Anda ver, Maio nasceu/Que a voz não te esmoreça a turba rompeu.

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