Sr. Doutor, o que são divertículos? É grave?

Voz à Saúde

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Cristina Dias

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Por vezes, ao efetuar uma colonoscopia, é relatado que a pessoa tem divertículos. Estes são pequenas bolsas que se formam na parede do cólon (intestino grosso na maior parte dos casos) e, apesar das causas não estarem totalmente esclarecidas, pensa-se que a sua formação é devido a alterações da motilidade no intestino. Isto é, devido à necessidade do intestino efetuar contrações fortes, como por exemplo, em situações de obstipação ('prisão de ventre'), criam-se pressões elevadas em alguns segmentos, levando à formação de bolsas nos pontos fracos da parede, originando estas saculações. Quando são vários diz-se que a pessoa tem diverticulose.

Alguns factores podem aumentar o risco de aparecimento de divertículos no intestino, nomeadamente, à medida que a pessoa envelhece a probabilidade de desenvolvimento de divertículos aumenta. Outro fator muito importante, e que a maioria das pessoas não dá grande importância, passa pela alimentação pobre em fibras e água. O hábito de ingerir fibras e água em bastante quantidade torna as fezes mais moles e volumosas, facilitando a progressão no intestino e evitando a necessidade do intestino contrair excessivamente.

Os divertículos, habitualmente, não condicionam sintomas ou estes são inespecíficos. Por vezes, algumas pessoas podem ir à consulta com queixas de dor abdominal ocasional, alterações do trânsito intestinal com dificuldade em defecar ou fezes muito duras. Os divertículos que não se acompanham de sintomas não necessitam de qualquer vigilância ou tratamento. Contudo, em 15-25% dos casos podem causar diverticulite (inflamação de um ou mais divertículos). Tem-se observado maior risco desta ocorrência em pessoas sedentárias, fumadoras ou obesas.

Os sintomas mais comuns são dor abdominal intensa, febre, náuseas (enjoos) e mudanças no padrão do trânsito intestinal. E esta situação é grave? À partida não, mas em 25% destes ocorrem complicações como a formação de abcessos, hemorragias, fístulas, obstruções, peritonite ou sepsis. Estas necessitam de tratamento médico urgente, podendo ser necessário internamento e/ou intervenção cirúrgica. Antigamente era aconselhado evitar o consumo de frutos secos, sementes, milho ou pipocas, pelo risco de, ao ficarem presos nos divertículos, levar à inflamação dos mesmos. Porém, múltiplos estudos vieram demonstrar que o consumo destes alimentos não aumenta o risco de diverticulite. Entre 22 a 30% dos doentes com um primeiro episódio de diverticulite este recidiva, portanto a prevenção é fundamental.

Tanto o risco de desenvolvimento de divertículos pode ser reduzido como o de episódios de diverticulite, com uma mudança nos hábitos de vida. Opte por uma dieta rica em fibras, especialmente derivadas de celulose (frutas e vegetais). Beba mais líquidos (idealmente água e não sumos). Diminua o consumo de carne vermelha e de sal. Aumente a sua actividade física diária. São pequenos gestos quotidianos, mas que fazem toda a diferença na balança da sua Saúde.

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