Biotecnologia Agroambiental: desafios e oportunidades

Ensino

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Ana Cristina Rodrigues

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Um dos pilares em que assenta a Estratégia para a Europa 2020 é o reforço da liderança industrial em inovação, estando previsto, neste quadro, um investimento em tecnologias-chave e um melhor acesso ao capital como forma de apoiar as PME. Neste contexto, a biotecnologia assume-se como uma tecnologia facilitadora essencial, promotora de processos e materiais inovadores e sustentáveis, em setores e atividades como a agricultura, alimentação, ambiente e saúde.

A biotecnologia poderá dar um contributo importante para o desenvolvimento do setor agroambiental, nas áreas da produção vegetal e animal, no processamento e melhoria dos produtos agroalimentares, na implementação de processos que visem a obtenção de valor acrescentado a partir de subprodutos e resíduos e na procura de novas formas de valorização de matérias-primas tradicionais.

Na agricultura, a biotecnologia poderá proporcionar um aumento da produtividade, reduzindo a utilização de recursos como a água e os produtos químicos. As técnicas de melhoramento genético de plantas, como o cruzamento e a hibridação, aplicadas historicamente pelos agricultores, visam melhorar o rendimento e a qualidade das culturas e produzir espécies mais resistentes a pragas de insetos, organismos patogénicos e condições ambientais adversas.

Atualmente, a biotecnologia permite selecionar genes que conferem características desejadas e transferi-los para as plantas, tornando o processo mais preciso e seletivo. Neste contexto, destaca-se a biotecnologia florestal, com contributos para o desenvolvimento de árvores mais resistentes a riscos biológicos e com taxas de crescimento superiores. Na área da produção animal, a biotecnologia tem permitido avanços significativos em três áreas principais: melhoria da saúde e bem-estar animal, desenvolvimento de produtos de origem animal e conservação e proteção da biodiversidade.

A biotecnologia assume um papel determinante na gestão da biodiversidade. O reconhecimento público e as possibilidades da diversidade biológica e genética enquanto matéria-prima para a biotecnologia, associados ao desenvolvimento de técnicas e métodos de conservação e à criação de redes e plataformas de informação (espacial), visam conhecer e gerir a biodiversidade, para promover a qualidade de vida e do ambiente.

No setor agroindustrial, as aplicações da biotecnologia alimentar irão continuar a promover o desenvolvimento económico, contribuindo para a inovação nos produtos, reduzindo custos e melhorando os processos microbianos, por exemplo, através da seleção e valorização de leveduras para processos de fermentação nas indústrias vinícola, cervejeira, de cidras e de panificação, em crescimento na Região Minho-Lima.

A valorização de resíduos agroindustriais constitui também um dos maiores e mais importantes desafios da investigação em biotecnologia. O Programa Estratégico H2020 considera 12 áreas-chave para potenciar o emprego e o crescimento, destacando a utilização de resíduos como recurso através da reciclagem, reutilização, recuperação e valorização de matérias-primas em processo de produção primários. Tendo em vista este desígnio, a biotecnologia permitirá o desenvolvimento de processos, técnicas, tecnologias e produtos inovadores e sustentáveis, baseados na transformação de resíduos em recursos para as indústrias do setor agroalimentar.

No quadro atual de uma população global crescente, que depende de recursos naturais, a biotecnologia ajudará, certamente, a enfrentar os desafios com que a sociedade se depara, em particular, a sustentabilidade da agricultura e a segurança alimentar, a economia de baixo carbono (alterações climáticas), a inovação no abastecimento e tratamento de águas, a valorização de resíduos em recursos, promovendo, em simultâneo, uma economia sustentável baseada no conhecimento.

Em Portugal, a oferta formativa na área da biotecnologia tem vindo a aumentar, dando resposta à necessidade crescente de acompanhar os avanços científicos e tecnológicos neste domínio e de formar técnicos de nível superior com competências para promover processos de produção sustentáveis, baseados em aplicações biotecnológicas que visem, direta ou indiretamente, a otimização dos processos, a utilização responsável dos recursos naturais, a valorização económica dos recursos endógenos e a valorização e tratamento de resíduos e efluentes, como forma de assegurar a qualificação ambiental e de contribuir para o desejável desenvolvimento inteligente das organizações e dos territórios.

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