Dor neuropática afeta gravemente qualidade de vida dos doentes

Voz à Saúde

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Duarte Correia

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A dor neuropática ocorre como consequência direta de uma lesão ou de doenças que afetam o sistema somatossensitivo. São situações de dor neuropática periférica a radiculopatia lombar (“ciática”), a neuralgia pós-herpética (dor persistente após um episódio de herpes), a neuropatia diabética, a neuropatia causada por VIH e a dor crônica pós-cirúrgica. A dor neuropática central pode surgir, citando como exemplos, após AVC (acidente vascular cerebral), na lesão da medula espinhal ou ainda na esclerose múltipla.

Esta algia é caracterizada por sintomas desagradáveis, descritos pelo doente como um choque elétrico, fisgada ou tiro, ardor ou queimadura, dormência ou formigueiro, como o “pisar vidros”, ou de sensações difíceis de serem descritas, por estas estarem alteradas, porque a sensibilidade pode estar reduzida ou aumentada e a dor surgir como resposta a um leve toque ou pressão na zona lesada.

Utilizando a definição de dor crónica da International Association for the Study of Pain - IASP (dor com mais de 3 meses de duração), esta atinge 25% dos europeus e 30% da população portuguesa. A Prevalência e Incidência da dor neuropática é elevada, estimando-se que em cerca 7-8% dos adultos com dor crônica esta apresenta características neuropáticas. A sua incidência (novos casos) na Holanda foi de cerca de 8 casos por 1.000 pessoas/ano e na Alemanha cerca de 37% dos doentes com lombalgia crónica têm um componente neuropático predominante.

20% Dos pacientes com doença oncológica têm dor neuropática, resultante da doença ou de seu tratamento.
No Reino Unido, 26% dos diabéticos referem dor neuropática periférica o que significa aproximadamente 47 milhões de indivíduos em todo o mundo. Este número irá crescer com o aumento da prevalência da diabetes (de 2,8% em 2000 para 4,4% estimados em 2030).

Das 33 milhões de pessoas mundialmente infectadas por VIH, cerca de 35% têm dor neuropática que não cede aos tratamentos convencionais. Um estudo norueguês documentou 40% de dor pós-operatória persistente, dos quais um quarto tem características neuropáticas.
A qualidade de vida dos doentes é classificada como “muito baixa”, sendo esta mais dependente da gravidade da dor neuropática do que de sua causa subjacente. Um estudo do Reino Unido refere que 17 por cento das pessoas com esta algia classifica a sua dor como “pior do que a morte”.

Investigar e compreender os mecanismos neurofisiológicos, celulares e moleculares que contribuem para a dor neuropática é importante para o desenvolvimento de novas estratégias terapêuticas, para o controlo da algia e consequente melhor qualidade de vida.
Os fatores de risco específicos incluem todos os que aumentam as condições patológicas subjacentes já referidas. Os gerais são múltiplos, estando descritos os genéticos, o género feminino, a idade avançada, a perda de familiares, a inatividade física, entre outros.

É consensual que os analgésicos “comuns” são ineficazes para o controlo da dor neuropática. As normas baseadas na denominada “Medicina de Evidência” para o seu tratamento, recomendam os fármacos antiepilépticos (por ex. gabapentina ou pregabalina), antidepressivos (por ex., amitriptilina ou duloxetina) e/ou preparações tópicas (ex. lidocaína ou capsaicina), além de outras drogas e abordagens não farmacológicas.

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