Ensino artístico especializado da música: da procura e da oferta

Voz às Escolas

autor

António Pereira

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Já escrevemos neste espaço um texto dedicado a este tema, sublinhando na altura a importância da educação artística na formação integral dos alunos, importância reconhecida por várias organizações nacionais e internacionais e por insuspeitas personalidades das mais diversas áreas do saber. Citamos na altura o renomado cientista português António Damásio, que na Conferência Mundial sobre Educação Artística organizada pela UNESCO em Março de 2006, em Lisboa, referiu que “A Ciência e a Matemática são muito importantes, mas a Arte e as Humanidades são imprescindíveis à imaginação e ao pensamento intuitivo que estão por trás do que é novo”, sublinhando deste modo a importância da Educação Estética e Artística no desenvolvimento do espírito crítico e da criatividade dos nossos alunos.

Apesar do reconhecimento da sua importância, o desenvolvimento do ensino artístico, e em particular o ensino especializado da música, tem vivido enormes constrangimentos na sua expansão, generalização e consolidação. A oferta tem estado confinada aos conservatórios e a escolas privadas, algumas delas sem contrato com a administração educativa e por tal facto sem paralelismo pedagógico.

Genericamente localizadas no litoral e nos grandes centros urbanos, estas escolas servem preferencialmente, como é fácil de perceber, as populações desses meios, limitando ou mesmo impedindo o acesso aos alunos residentes no interior ou nas periferias. Mas para aqueles para quem a distância não constitui obstáculo, surge a dificuldade do limitado número de vagas disponíveis para ingressar nestas escolas especializadas.

O panorama em Braga não diverge do resto do país, estando o ensino especializado da música nos regimes integrado, articulado e supletivo, confinado as duas escolas: uma privada com paralelismo pedagógico e reconhecida pela administração e outra pública, o Conservatório de Música Calouste Gulbenkian.

De acordo com o censos de 2011, o concelho de Braga é o sétimo mais populoso do país, tendo registado o segundo maior crescimento em relação ao último recenseamento, com um aumento de 10,5% de população. Se estes dados forem cruzados com os disponibilizados pelo PORDATA relativos ao número de alunos, verifica-se que em 2013 o concelho de Braga tinha matriculados 8 427 alunos no 1.º ciclo, 4 945 no 2.º ciclo e 11 703 no 3.º ciclo.

Para a totalidade destes alunos, a oferta do ensino artístico especializado da música iniciada no 2º Ciclo cingia-se a três turmas (duas de ensino integrado e uma de articulado para um número aproximado de 75 alunos, não incluindo os alunos em regime supletivo) oferta manifestamente insuficiente para as muitas centenas de alunos que todos os anos se inscrevem para a realização de testes de ingresso. Neste contexto, para todos os outros, independentemente da vocação e apetência para a aprendizagem da música, resta o recurso ao ensino privado, integralmente pago pelas famílias, ou a renúncia às expetativas de desenvolvimento das suas aptidões.

Atendendo a estas circunstâncias, o Agrupamento de Escolas de Maximinos e o Conservatório de Música Calouste Gulbenkian de Braga iniciaram contactos tendo as duas escolas coincidido na necessidade de responder à enorme procura por parte de alunos e famílias, alargando a quase insignificante oferta do ensino artístico da música num concelho da dimensão de Braga e com um elevado número de alunos no sistema de ensino.

Desta iniciativa resultou a celebração de um protocolo que permitirá, em regime articulado, aumentar a oferta do ensino especializado da música numa turma por ano de escolaridade, do 5º ao 9º ano, contribuindo, embora modestamente, para a democratização no acesso a esta forma de expressão artística.
A todos os alunos, pais e professores, votos de bom final de ano letivo e de sucesso para a realização das provas e exames nacionais.

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