O Puzzle Escola

Ensino

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Alexandra Corunha

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“That puzzles me/isto me confunde”. Qualquer semelhança com as políticas educacionais é pura ficção.

A escola sofre, muitas vezes, de fortes enxaquecas, fruto de um desgaste psicológico-emocional ao procurar pistas, qual Detetive Sherlock Holmes, de Arthur Conan Doyle, para desvendar os diversos 'mistérios' que surgem ao longo do ano letivo e os desafios constantes para ensinar mas também, e cada vez mais, para modificar comportamentos desajustados, corrigir atitudes, gerir conflitos, construir bases sólidas para o crescimento sociocultural e humano, fortalecer laços de entreajuda e espírito de equipa, promover a capacidade de autonomia e iniciativa própria...

Missão difícil sobretudo quando um professor tem, numa sala de aula, cerca de trinta alunos, alguns deles (ou muitos?) com pouca vontade de aprender porque estudar implica esforço, com graus diferentes de aprendizagem e interesse, associada a uma cultura de 'facilitismo' instalada no ensino porque importa obter números assaz satisfatórios para engordar as estatísticas nacionais. Valha-nos a criatividade e a resiliência, a nossa migrétil!

Muitos de nós crescemos com puzzles, jogos de paciência (em sentido figurado, quebra-cabeças, enigmas), com poucas peças, no início, avançando para um maior número e, consequentemente, aumentando o grau de dificuldade, de acordo com a idade. Acertar, à primeira vez, no encaixe de uma peça gera imediatamente uma autoconfiança - SIM, sou capaz! A ansiedade aumenta à medida que vemo-lo a tomar forma, cor...por vezes, torna-se árdua a tarefa de encontrar a peça adequada para aquela posição; erramos e voltamos a tentar até acertar; quando colocamos a última peça, a sensação é de vitória e recompensa pelo esforço e tempo dedicados.

'Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades'. Tal como o tradicional puzzle se foi adaptando à era digital (recentemente adquiri a Torre de Belém 3D), também nós, enquanto profissionais, temos, muitas vezes, de nos adaptar a novos cenários, novos paradigmas, mas mantendo-nos fiéis aos princípios e valores fundamentais de um património histórico-institucional sobre o qual foram edificadas as primeiras peças basilares.

Cada peça, independentemente do tamanho e formato, é importante para o todo resultar num quadro coeso. Se 'O todo é maior do que a simples soma de suas partes', princípio geral do holismo resumido por Aristóteles, logo, a ousadia e criatividade (A+B) são duas peças essenciais para enfrentar os desafios quotidianos do ensino, sendo que as pessoas (C) são o elemento diferenciador que pincelam com diversos e coloridos tons as inúmeras equações e balanços financeiros. Se trabalharmos, em conjunto, para um objetivo comum, obteremos um todo maior que a soma das suas partes.

Em junho de 2011, a capa da epb revista foi um puzzle digital denominado “uma escola com rosto”, criado por um aluno, que integrava as fotos tipo passe de todos os elementos da comunidade educativa. Neste ano letivo, o puzzle EPB tem uma edição especial: 25 anos que retrata as competências e valores do seu ADN: 1ª peça - capital humano qualificado e dedicado; 2ª qualidade de ensino; 3ª cultura de proximidade (ambiente familiar); 4ª exigência; 5ª rigor; 6ª inovação; 7ª excelência das instalações e equipamentos; 8ª credibilidade e boa imagem junto das empresas e instituições; 9ª reconhecimento do papel da escola na região e na sociedade; 10ª diversidade da oferta formativa; 11ª ensino que associa a formação técnica e científica à humana e social (saber-fazer/ser/estar); 12ª escola inclusiva e multicultural; 13ª escola solidária; 14ª personalização do ensino; 15ª diversidade das iniciativas e projetos que promove dentro e fora de portas, na sua maioria, concretizados pelos alunos; 16ª dimensão europeia da sua formação (estágios transnacionais); 17ª apoio aos alunos pós-formação; 18ª estreita relação escola/mercado; 19ª elevada taxa de empregabilidade; 20ª certificação da qualidade (pelo Sistema de Gestão da Qualidade); 21ª existência de parceiros de certificação como a CISCO e a MICROSOFT; 22ª atribuição de prémios de mérito escolar e menções honrosas; 23ª portas abertas à comunidade local/regional e a entidades estrangeiras; 24ª forte dinamismo; 25ª escola atenta e preparada para enfrentar os desafios do amanhã.

Encarar a escola como um puzzle significa que toda a comunidade educativa deve estar envolvida e comprometida com a construção e a implementação eficaz e eficiente do seu projeto educativo, sendo que os professores e os alunos são e devem continuar a ser as peças-chave; os colaboradores não docentes peças de suporte e apoio; a missão, valores e visão, as peças basilares; os pais e encarregados de educação, peças de ajuda no processo de ensino-aprendizagem; as instituições e empresas, peças de cooperação cruciais no fortalecimento da relação escola-mercado.

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