Instituições do Ensino Superior e Educação para o Empreendedorismo

Ensino

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Teresa Dieguez

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Acriação de novas empresas constitui uma das principais fontes de desenvolvimento sustentável em todo o mundo. Existe uma correlação positiva entre o espírito empreendedor e os resultados económicos em termos de crescimento, sobrevivência, inovação, criação de emprego, evolução tecnológica, aumento de produtividade e exportações.

No seu todo, as iniciativas empreendedoras - novos negócios ou reorientação de um negócio já existente - são o motor da economia de mercado na geração de riqueza. No campo social, o empreendedorismo constitui também um meio ao serviço de outros objetivos sociais tais como a geração de emprego, a inserção laboral de grupos desfavorecidos, a diversidade de opções para os consumidores e, em última instância, o aumento de qualidade de vida da comunidade onde está inserido.

As Instituições do Ensino Superior (IES) representam as organizações com maior capacidade para gerar e difundir conhecimentos e para transformar o conhecimento em utilidade social e económica. Tradicionalmente, assumiu-se que o nível de educação adquirido durante os estudos nas IES deve qualificar os estudantes para desempenhar a sua atividade profissional e satisfazer a procura de qualificados que o mercado procura. Os programas académicos surgem mais centrados na formação de profissionais e trabalhadores por conta de outrem, do que na oferta à sociedade de empreendedores responsáveis e qualificados.

Mas as alterações profundas a que temos vindo a assistir nos últimos anos e a instabilidade do mercado lança um desafio enorme às IES, em particular quando se confrontam com a adequação das suas ofertas educacionais às novas necessidades sociais, assentes num pressuposto de maximização da eficiência do capital humano gerado. E é aqui que o empreendedorismo atua, podendo ser visto como um primeiro passo para alcançar esse objetivo.

O empreendedorismo está frequentemente relacionado com uma visão redutora, aplicado quase exclusivamente em relação à criação de empresas e ao autoemprego. Contudo, o empreendedorismo pressupõe um conceito mais amplo de competências básicas de vida, incluindo a criatividade, a inovação e o assumir de riscos, bem como a capacidade de planear e gerir projetos com vista a atingir os objetivos.

Todas estas competências são transferíveis e multifuncionais e, consequentemente, importantes para atender às necessidades individuais de desenvolvimento pessoal, inclusão social e emprego. Nesta perspetiva estamos perante uma abordagem às qualidades pessoais, permitindo uma melhor autogestão e utilização das diversas fontes de oportunidades que possam surgir aos indivíduos no caminho para a sua realização pessoal.

A partir desta perspetiva, o empreendedorismo é, acima de tudo, uma questão de atitude, que é refletida na motivação e capacidade de uma pessoa quando identifica e aproveita uma oportunidade para acrescentar valor ao mercado e à sociedade. O empreendedorismo constitui uma competência básica que deve ser promovida nos sistemas educativos, não só como um assunto concreto, mas também como uma metodologia de ensino e com uma perspetiva de carácter transversal, entendendo assim o empreendedorismo como uma competência transversal ou especializada.

A educação para o empreendedorismo deverá ter como objetivos “trazer” aos estudantes a realidade empresarial, a fim de saberem, estarem dispostos e serem capazes de canalizar o capital humano para a criação do valor económico e social, tanto por meio do auto-emprego, como pela mobilização do seu dinamismo empresarial no emprego remunerado.
Os conteúdos da educação para o empreendedorismo deverão ser, basicamente, de três tipos: 1) conceptuais (relativos à aquisição de conhecimentos), 2) procedimentais (relativos ao desenvolvimento de habilidades e competências) e 3) de atitude (referentes à interiorização de atitudes).

Dentro dos conteúdos concetuais estão o reconhecimento das oportunidades existentes para as atividades pessoais, profissionais e comerciais, assim como outros aspetos de maior amplitude que proporcionam o contexto no qual as pessoas vivem e trabalham, tais como a compreensão em linhas gerais do funcionamento da economia e das oportunidades e desafios que enfrenta todo o empreendedor e a organização. As pessoas devem estar conscientes da postura ética das empresas e de como estas podem ser um impulso positivo e amigo do ambiente.

Relativamente às habilidades e competências, os conteúdos devem estar relacionados com uma gestão proactiva dos projetos (incluindo capacidades como planeamento, organização, gestão, liderança e comunicação, entre outras), trabalho tanto individual como colaborativo dentro de uma equipa e uma representação e negociação efetivas. É essencial, também, determinar os pontos fortes e os pontos fracos de si próprio e avaliar e assumir riscos, quando justificados.

Quanto à atitude, os conteúdos devem ajudar a desenvolver e promover a iniciativa, a proatividade, a independência e a inovação, tanto na vida privada e social como na vida profissional. A questão da motivação e da determinação na hora de cumprir objetivos pessoais ou metas afixadas em comum com outros, incluindo os perseguidos no âmbito laboral, é também imprescindível.

As Instituições do Ensino Superior estão numa fase crítica em que é necessário mudar o modelo de educação, assente no individualismo, na competitividade e nos benefícios a curto prazo, por um modelo que coloque a tónica na coletividade e na construção de um futuro sustentável a longo prazo, com aumento de vínculos com a sociedade. Esta revolução será tão mais rápida quanto mais interligados estiverem todos os agentes envolvidos na mudança.

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