A Biblioteca do Convento de Vilar de Frades

Ideias

autor

Victor Pinho

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Agora que a igreja e o claustro do convento de Vilar de Frades, antigo convento beneditino e, a partir do século XV, dos “Benignos ou Bons Homens de Vilar” da Congregação dos Cónegos Seculares de S. João Evangelista-Lóios, situado na freguesia de Areias de Vilar, a poucos quilómetros da cidade de Barcelos, foram objecto de recuperação e apresentam ainda os sinais da grandeza do passado, importa olhar para os seus livros e dar-lhes a dignidade e a utilidade que merecem.

Seria conveniente, agora, restaurar e conservar esses livros, na ordem dos 450 títulos, a maior parte dos quais em muito mau estado de conservação, para que pudessem ser consultados pelos estudiosos e saíssem do marasmo em que jazem.
Por que não, como já foi aventado uma parceria entre a Câmara Municipal de Barcelos e a Direcção Regional da Cultura do Norte no sentido da sua recuperação? Poderiam até esses livros, depois de restaurados, regressar à sua biblioteca original, embora continuassem a pertencer à entidade que lhe serve, presentemente, de hospedeira.

O espólio de Vilar de Frades é constituído, na sua grande maioria, por obras dos séculos XVII e XVIII, havendo, porém, algumas (poucas) dos finais do século XVI. A maioria delas está escrita em latim e espanhol e as temáticas tratadas versam os motivos de carácter religioso, teológico, litúrgico e de catecismo, mas também há obras científicas e do direito. Alguns livros constituem autênticas raridades bibliográficas e apresentam gravuras de muito belo efeito.

Os livros encontram-se, na sua grande maioria, em estado de degradação. Em todos eles são visíveis as marcas de parasitas, havendo em alguns livros, páginas completamente roídas, apresentando um rendilhado deplorável. Também, em muitos deles, se observam sinais de bolores, fungos e outros micro-organismos, fruto das oscilações da humidade.
Infelizmente, pouco se sabe do funcionamento da livraria do antigo convento. Segundo Pinho Leal, “a livraria era uma bella casa, que também servia d’aula, e tão espaçosa que n’ella se celebraram capítulos gerais”.

Na sequência da extinção dos conventos em 1834, os livros vieram, de Lisboa, para a Câmara Municipal de Barcelos, sendo feitas várias referências nas actas da vereação.
Num pequeno, mas elucidativo artigo publicado, em 3 de Junho de 1922, no semanário “O Barcelense”, faz-se alusão a estes livros, adiantando-se mesmo que muitos deles apodreceram, outros foram corrompidos pela traça, constando até que as melhores obras foram roubadas.
Durante o estado Novo (1926-1974), os livros de Vilar de Frades acompanharam os êxitos e as vicissitudes da Biblioteca Pública Municipal de Barcelos.

Com a reabertura ao público da Biblioteca Municipal de Barcelos, a partir de 1980, os referidos livros foram acomodados numa cela da antiga cadeia comarcã, tendo-se registado, mais tarde, a primeira intervenção para a sua recuperação que se traduziu numa desinfestação orientada pelo Dr. Egídio Guimarães.

Mais tarde, na Casa dos Machados da Maia, na nova Biblioteca Pública Municipal, a partir de 1996, acomodaram-se nas melhores e mais adequadas condições. De qualquer modo, e embora diminuídos em muito da sua quantidade original, os livros que restam, aguardam que o frade do passarinho de Vilar de Frades, regresse e volte, como refere a lenda, daquele passeio maravilhoso atrás da avezinha que o encantou e lhe fez parecer mil anos o dia de ontem que já passou.

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