Os números não merecem ser torturados!

Ensino

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Helena Sofia Rodrigues

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No dia 20 de Outubro comemorou-se o Dia Mundial da Estatística. A data foi instituída pela Assembleia Geral da ONU em 2010, com o intuito de reconhecer a importância e o contributo que a estatística tem vindo a proporcionar no conhecimento e desenvolvimento da sociedade.
Presentemente todos sentimos que estamos a viver uma revolução dos dados.

Cada vez dispomos de mais informação e, como indivíduos informados, tentamos tomar decisões mais conscientes e complexas. As empresas, apoiadas em diversos softwares de sistemas de gestão de informação, suportam as suas decisões em estudos de mercado e modelos probabilísticos. Os governos, conhecedores que as suas decisões são escrutinadas pelos eleitores, recorrem aos dados estatísticos para fundamentar a sua tomada de posição.

Mas, dispor de informação e ferramentas computacionais que suportem esse dados é suficiente? Acredito que não. Cada vez mais é necessário criar uma literacia estatística para compreender o que nos é fornecido diariamente. Ainda há muito por fazer até que nos sintamos uma sociedade conhecedora e esclarecida. Precisamos ser muito menos tolerantes com aqueles que usam os números para nos enganar, deliberada ou inadvertidamente. Devemos responsabilizar aqueles que, em posições de autoridade, agem sem qualquer fundamento das suas decisões.

Os dados continuam a ser gerados a um ritmo cada vez maior. Instituições públicas e privadas nunca produziram tantas estatísticas. A procura por boa informação diretamente voltada para as questões da qualidade de vida dos cidadãos, questões económicas e sociais, é cada vez mais preeminente. Mas precisamos ter confiança naqueles que mantêm os nossos dados, analisam-nos e devolvem-nos sob a forma de estatística.

As empresas já têm consciência de que a estruturação de uma boa base de dados dos seus públicos é um procedimento essencial para a correta implementação de estratégias e consolidação efetiva do crescimento. Como consumidores, cabe-nos perguntar sobre o que está a acontecer dentro dos algoritmos que ajudam a tomada de decisão, qual a proveniência dos dados e a quem a eles está a ter acesso. Como consumidores, devemos exigir transparência. As organizações sabem que, ou fazem estudos credíveis, ou a sua confiança e reputação poderão ser afetadas, com as consequentes tipologias de custos que tal implica.

Tendo em conta a quantidade astronómica de números que surgem no dia-a-dia, a busca de fontes fidedignas é cada vez mais importante. A confiabilidade exige que os dados sejam tratados com respeito e ética, elevando o desafio das estatísticas para um novo patamar da qualidade e da excelência.

Está ao nosso alcance escolher os dados que nos dão confiança para nos ajudar a fazer boas escolhas. Desta forma, ao escolhermos estatísticas confiáveis estamos a contribuir para uma melhor qualidade de vida e a garantir que não estamos a contribuir para que os números sejam torturados até dizerem o que alguém quer ouvir.

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