Braga Capital do Comércio

Ensino

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Carlos Morais

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Hoje consumir é terapia, entretenimento e visto como recompensa. A loja é a solução, a realização, a inspiração e a tentação. Esta visão é consequência de grandes alterações nos últimos anos. Historicamente, o sector terciário foi definido como “residual” ou “improdutivo”, apenas como complemento a outros setores. Basicamente entendido como aquele que recebe as matérias dos outros setores e as distribui ao cliente, sem se preocupar muito com o consumidor.

No entanto, em meados do século XX, esta visão redutora começa a mudar e temos uma expansão do setor, mas que, em Portugal, foi mais tardia. As mudanças políticas e sociais, a entrada na CEE, a explosão nas décadas de 80 e 90 da sociedade de consumo originaram a dinamização do setor. Aumentou o número de atividades, o número de trabalhadores e o número de consumidores, tornando-se o setor económico que mais cresceu, apesar dos problemas pelo que o país tem passado nos últimos anos. Em 2011, Portugal pede ajuda internacional, o que levou a que tivéssemos uma contração do produto interno bruto, redução da procura interna, aumento das falências e do desemprego e, como consequência, o consumo interno baixou.

O aumento do desemprego e dos impostos teve como consequência a diminuição do rendimento disponível, contribuindo para a diminuição da liquidez das famílias. Uma vez que a atividade comercial depende da disponibilidade financeira do Estado e dos indivíduos, um e outro tiveram que refrear os seus gastos. No entanto, o setor é o que mais contribui para o produto interno bruto, três em cada quatro empresas portuguesas são do setor terciário, e é também o maior empregador e aquele que mais propostas de emprego oferece.

Aliadas a estas circunstâncias temos ainda outros fatores como a globalização, a diminuição do número de consumidores, a concorrência feroz, a grande competitividade, as inúmeras marcas, muitos produtos e estabelecimentos, que fazem o setor enfrentar grandes desafios. Considero, no entanto, que o setor apresenta um conjunto de problemas intrínsecos, que são na verdade desafios: falta de orientação, falta de preparação, falta de qualificação e falta de formação. Responder a estes desafios com formação, qualificação, capacitação e motivação, fará a diferença.

Os clientes não aumentam, gastam menos tempo nos estabelecimentos apesar de irem mais vezes, a concorrência é grande, a variedade de produtos e serviços também, como se distinguir e manter competitivo? A qualificação profissional e a capacitação dos recursos humanos, além de ser uma exigência do mercado é um imperativo para o setor. No mundo atual globalizado, o mercado de trabalho está cada vez mais exigente, a qualificação profissional é um fator determinante para conseguir um lugar no mercado. Torna os indivíduos mais capacitados, aumenta a produtividade e mantém a empregabilidade e permite manter o indivíduo atrativo para o mercado.

Um outro dado importante tem a ver com o salário, um profissional qualificado ganha mais do que um não qualificado. O consumidor, o elemento chave, aquele que fará avaliação está mais esclarecido, exigente e seletivo. O setor tem particularidades que mais nenhum outro tem: o cliente vê, opina, reclama, sente e agradece, envolve tantos atores que podemos perder a noção de qualidade.

Um profissional do setor é o rosto, a imagem da empresa daí a necessidade de estar focado no cliente, perceber as suas necessidades, ouvir, escutar ativamente o cliente, criar empatia e uma relação de confiança com o objetivo de fidelizar e distinguir da demais concorrência. Muitas empresas ainda não tomaram consciência da importância da satisfação do cliente como a variável chave de comportamentos posteriores (fidelização).

A Escola Profissional de Braga tem, nas suas opções de formação, o Curso Profissional Técnico de Comércio que visa formar profissionais para o mercado, tentando dar resposta às novas exigências que o consumidor aspira e o mercado espera. Esta opção formativa justifica-se não só pelas razões referidas, mas também porque estamos na “Capital do Comércio”, onde cerca de 65% das empresas são do sector terciário, emprega cerca de 60% dos trabalhadores, sendo este o sector económico mais forte de Braga.

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