Geração Y, Z e Alpha - descendentes da X

Ensino

autor

Américo Rodrigues

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No momento em que se discute na Europa legislação para uso de redes sociais - como o Facebook - a menores de 16 anos, trago à colação algumas notas tecnológicas, simples, para reflexão, principalmente para aqueles menos versados nestas matérias.
Até aos dias de hoje, as crianças até aos 13 anos estavam proibidas de abrir uma conta pessoal no Facebook, agora, a Comissão Europeia (CE) prepara um pacote de medidas de proteção de dados pessoais que vai alargar essa proibição até aos 16 anos.

A medida pode entrar em vigor ainda este ano. É quase certo que os adolescentes vão precisar da autorização dos encarregados de educação para abrir um perfil numa rede social. Como ninguém é dono da razão - e há interesses -, os gigantes tecnológicos como o Google, Facebook e outros, acusam a CE de legislar sem consultar organizações de proteção dos direitos da criança. A organização ICT para Crianças Online, da qual fazem parte também algumas das referidas empresas, é da opinião que não há nenhuma razão para a proibição. Qual a idade aconselhável para um jovem ter um telemóvel? Uma conta de e-mail? Um perfil numa rede social? Para evitar ou minimizar perigos, a solução mais assertiva possivelmente passará sempre pelo diálogo, esclarecimento e acompanhamento. A procissão ainda vai no adro.

Fazendo um introito ao título escolhido. No último século foram vários os intelectuais que criaram escalões na linha do tempo para tipificar gerações que nasceram. O consenso é difícil principalmente nos anos limítrofes de cada geração. Seguindo uma média: Geração perdida (1882-1889), grandiosa (1900-1924), silenciosa (1925-1942), Baby Boom (1943-1964), geração X (1965-1978), Y (1979-1992), geração Z e Alpha (nascidos depois de 2010).
Por exemplo, classificada como perdida é a geração que lutou durante a adolescência na primeira guerra mundial e viveram a vida adulta durante os Roaring Twenties (loucos ou felizes anos vinte) até à grande depressão. Alguns expoentes desses tempos, Ernest Hemingway, F. Scott Fitzgerald, John Dos Passos, T. S. Eliot, etc.

Passado um século, os tempos são de outra dimensão, tudo é mais rápido e o que foi visto ontem não é novidade. Em todos os sítios deparamos com jovens que pouco falam entre eles, no corredor da escola, na cantina, nos transportes públicos, no cinema, no café ou com a família. Podem estar todos com o olhar no smartphone. Os polegares vão clicando, a interação pode ser entre eles. O grupo tem um leque infinito de possibilidades, conversar com várias pessoas em locais diversos ao mesmo tempo, postar opiniões - interessantes ou frívolas -, imagens ou vídeos sobre o mais importante ou supérfluo, receber todo o tipo de conteúdos ou pesquisar até ao mais ínfimo assunto.

No espaço escolar apetece desligar a web e colocar um cartaz: “Não temos internet, conversem”. Não vou aqui calcar nada sobre os riscos que corremos provenientes da má utilização das novas tecnologias, onde poderíamos abordar estudos e opiniões existentes, desde a deformação física (a contar do polegar ao cérebro) até a alienação social e ao insucesso escolar. Infelizmente alguns já são utentes dos Centros de Desenvolvimento e Comportamento da Criança em alguns hospitais nacionais - por exemplo, vítimas na internet. O desafio das próximas décadas é o uso das tecnologias de forma correta e responsável - principalmente - na escola e no seio familiar. Os jovens devem aprender a gerir os benefícios e a autonomia destas plataformas tecnológicas. A escola e os pais devem ser aliados.

Todos sabemos que os saltos tecnológicos têm consequências sociais que levam a metamorfoses civilizacionais. Que geração é esta? Cada 10 anos, alguns apontam uma nova geração. Se a geração Y é multitarefa, a Z é multidimensional. Alguns destes jovens já acabaram a universidade e chegaram às empresas; há muitos anos que fazem uso massivo da tecnologia. A elite desta geração é possivelmente a melhor preparada para triunfar no mercado de trabalho/empresas. Obviamente um número excessivo desta geração usa as novas tecnologias unicamente para ócio e pouco mais. Este último grupo tende a diminuir gradualmente. Necessitam de mais ajuda.

Brevemente todos serão nativos digitais, estaremos na Era do Homo Sapiens digital. Por outro lado, todos os desafios para as próximas gerações serão à escala global e cada vez mais competitivos. A literacia digital avançada será vantagem diferenciadora. Como se deve adaptar a escola e a sociedade a estas mudanças? Como resolver os conflitos - que sempre existiram - entre gerações, na sociedade, empresas e na escola? A maioria dos políticos, chefias e professores ainda é da X.

Centremo-nos na educação. Como já escrevi em artigo anterior, nesta ciência, as políticas nacionais regrediram e estão cristalizadas. Continuaremos com a barbárie de constituir turmas até 30 alunos, numa medida unicamente economicista? Vamos continuar a desconsiderar o ensino das novas tecnologias lecionando somente uma disciplina semestral no 7.º e 8.º anos? Fica a aprendizagem das novas tecnologias salvaguardada só nos cursos de informática, profissionais e superiores? Por quanto tempo resistirá o parque informático escolar já implementado pelo penúltimo governo? É indispensável refletir e avançar investindo em estruturas e recursos humanos. O professor clássico tem de ser cada vez mais inovador.

Quando hoje acedi ao meu e-mail tomei conhecimento que a Direção Geral de Educação estava neste dia a dinamizar em algumas Escolas, sessões no âmbito do Projeto Piloto ‘Iniciação à Programação no 1.º ciclo’. Uma verdadeira gota no oceano. Necessitamos de mais projetos pioneiros à escala nacional.
A geração Alpha acabou de chegar. Desafio o leitor a pesquisar na web o que influencia, ou vai influenciar, as principais características e os desafios que esta nova geração conectada desde o berço vai trazer aos adultos.
Bom ano 2016!

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