“Design Thinking”

Ensino

O termo Design Thinking, cuja tradução livre poderia ser entendido não tanto como “o pensamento do desenho” mas antes como “a forma como os Designers pensam”, é normalmente atribuído a Peter Rowe, Professor de Arquitetura em Harvard e ao seu livro de 1987, não obstante encontrarmos outros estudos sobre esta matéria, pelo menos desde os anos 60.
Nos últimos anos, têm-se multiplicado novos estudos, conferências, workshops e um sem número de experiências empresariais, aplicando estas técnicas ao mundo da gestão e da administração com algum sucesso.

Chegado aqui o leitor preguntará: O que tem o modo como pensa um Designer de inovador para o mundo dos negócios ou mesmo, que misterioso mundo é esse que povoa o pensamento de um Designer?
Alguns dos princípios que hoje estruturam o conceito de Design Thinking partem de experiências realizadas entre Designers e outros cientistas face a um problema comum, observando as estratégias que cada grupo segue para encontrar as respetivas soluções.

O Designer, habituado que está a lidar com problemas de enorme complexidade e difíceis, ou mesmo impossíveis, de serem objeto de análise exaustiva, tende a antecipar e testar soluções face a outros cientistas. Contudo, essa antecipação não decorre do recurso fácil à utilização de uma ferramenta experimentada ou da adoção de uma qualquer solução padronizada. Pelo contrário, o Designer retarda esse pensamento, faz uma análise integrada do problema e centrada no ser humano que o vive. É com recurso a estratégias usadas pela antropologia que o Designer se incorpora no próprio problema. O Designer precisa, antes de entender, sentir o problema.

Dessa forma é possível ter um olhar de dentro, muitas vezes encontrando aí novos problemas relacionados ou novos aspetos do mesmo que lhe permitam esse olhar capaz de perspetivar soluções inovadoras. A dificuldade está, muitas vezes, em distanciar-se das soluções comuns e manter o olhar descontaminado sobre essa realidade.

Por outro lado, o trabalho do Designer é, na sua essência, um trabalho colaborativo. É, tantas vezes, no confronto de ideias que inesperadamente se complementam que surgem as melhores soluções. Essas são, umas vezes ideias próprias para problemas antigos ou abandonados que encontram uma nova vida face a um a novo problema ou, simplesmente, parte de uma ideia de um qualquer outro ator que, de repente, acontece fazer sentido na solução em que estamos a trabalhar mesmo quando ela não decorre da mesma problemática.

A análise de sistemas complexos implica, por parte dos métodos científicos tradicionais uma grande capacidade de segmentar a realidade de modo que ela seja observável a partir de ferramentas já experimentadas. É um processo moroso e aditivo ainda que obtenha, por norma, soluções eficazes, lineares e pouco inovadoras. Já aplicando o modelo de Design Thinking é possível olhar para o conjunto, analisar as variáveis que nos parecem relevantes a partir da sua experimentação (muitas vezes nem sequer são as variáveis mais comuns) e partir rapidamente para soluções mesmo que provisórias.

É aqui que entra uma ferramenta muito utilizada por Arquitetos e Designers: O modelo ou protótipo.
Há, por parte dos Designers, uma necessidade objetiva de materializar soluções obtidas por métodos simples mas experimentáveis. Modelos e protótipos são uma realidade incontornável nos seus gabinetes. É a partir desses modelos que é possível verificar a eficácia da solução encontrada face ao problema que se pretende resolver. Não são trabalhos acabados, são apenas uma fase na abordagem à solução do problema. Carecem ser testados, verificados e, tantas vezes, reequacionados. É um processo sem um final claro. O fim, na esmagadora maioria das vezes, é imposto mais pelo cumprimento de prazos que pela obtenção de uma solução inequívoca. Produz, ainda assim, soluções obtidas em tempo útil e muito centradas na satisfação de uma determinada necessidade!

Aqui chegados poderíamos afirmar, ainda que com ligeireza, que o Design Thinking é um método cíclico que permite manter um olhar holístico e criativo sobre os problemas a partir de quem os sente, propondo soluções inovadoras que nos chegam de forma “rápida” e pouco dispendiosa, mesmo que, por vezes, falhem durante o processo. É nesse trabalho cíclico sobre as várias soluções obtidas que encontramos o caminho para o sucesso e para a inovação. Neste sentido é um método que, ao contrário de outros, tem o seu foco principal no debate das sínteses provisórias que vai encontrando e não tanto na exaustão da análise ao problema que pretende resolver.

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