Afinal temos futuro!

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Lia Oliveira

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Desde há muito que me habituei a ouvir as supostas sábias críticas à “juventude dos nossos dias”, já lá vão três décadas a ouvir o mesmo e agora que a minha fase da dita “juventude” passou e, sinceramente, não me parece diferente da de ontem, apenas a nossa paciência e predisposição mudaram e o que era tolerável e tinha piada passa a simplesmente estúpido, inconsciente e ridículo (mas a minha filha só sai depois dos 30, ok?!).

Tudo tem um tempo certo para ser vivido provavelmente porque estamos pré-programados para tal, e quando optamos por não o viver, mais tarde ou mais cedo lá nos irá cair à frente, e acabamos por ter de voltar atrás. Mas lições da tia Micas (a minha sábia avó) à parte, voltemos à juventude que carrega o nosso futuro às costas.

Desenganem-se as más-línguas que dizem que a juventude está perdida. É claro que há de “tudo” mas sempre houve, não é fruto dos tempos e muito menos das evoluções tecnológicas, é fruto apenas da liberdade que temos e da multiculturalidade em que nos habituamos a viver.
Recentemente tive a oportunidade de assistir a um desfile de mentes criativas e empreendedoras que, do nada, fizeram um caminho para a vida, tiveram sucesso mas podiam ter-se espalhado na primeira curva. Tiveram a coragem e a ousadia de arriscar, tal como todos nós arriscamos para aprendermos a caminhar, como Vasco da Gama arriscou sem saber se a India existia e Einstein arriscou ao descrever as suas teorias ao mundo mesmo sendo considerado por muitos um verdadeiro louco.

A NQ Digital Agency representada por Ricardo Correia com o mote “ 7 anos desse sonho” contagiou o auditório ao explicar como de uma ideia de amigos nasceu uma agência digital especializada na comunicação, design e desenvolvimento on-line, orientada para as pessoas e focada em estabelecer uma relação de mútua confiança e cooperação com os clientes. Podia ter acontecido muita coisa mas resultou e agora traduz-se num discurso contagiante da ideia à empresa como se nem o próprio acreditasse que o sonho é tão real.

Miguel Queimado em representação da Vinho Verde Young Projects mostrou como um grupo de quatro jovens se uniu e regressou às origens das suas famílias estabelecendo parcerias para, em grupo, conquistar cada vez mais mercados e, pelo que vimos, foi uma aposta de sucesso!
Bruno Cunha apresentou-nos a mais recente inovação no Alto-Minho que reside na produção de esponjas de banho vegetais-Luffa produzidas e comercializadas pela empresa Esveport e que são totalmente biodegradáveis.

Por lá passaram parceiros essenciais no desenvolvimento e apoio de ideias empreendedoras como a IdeiaLab, da Universidade do Minho, representada por Paulo Afonso, a BicMinho, representada por João Paulo Ferreira, a Powercoaching, representada por Sérgio Almeida, Marco Novo e a MetLife, representada por Ricardo Campelo de Magalhães. Este último falou-nos sobre os hábitos de uma pessoa de elevado desempenho, e a tendência de culpar os outros pelas nossas falhas - uma atitude inaceitável para um empreendedor.

Mas de entre todos os empreendedores que já tiveram a coragem de dar o passo para a implementação, a ideia, talvez pelo seu cariz social, que mais me prendeu foi a apresentada pela oradora Inês Rodrigues, da ONG Educafrica. Foi totalmente esmagadora para todos os que tiveram a oportunidade de ouvir a ideia deste grupo de voluntários, que dedica de forma totalmente gratuita as suas horas vagas a ajudar o povo da Guiné-Bissau. Não é educar em termos básicos, é na realidade formar com competências técnicas os habitantes da Guiné-Bissau onde ainda não chega a luz nem a água.

O objetivo é só e apenas fornecer-lhes aquilo que nós temos por garantido mas, para tal, muitas barreiras têm de ser ultrapassadas e muitos muros derrubados. Este grupo conseguiu desenvolver sistemas que permitam ter luz através de lâmpadas que dispensam luz, estranho? Eles conseguiram! Mas também concentraram esforços na implementação de sistemas fotovoltaicos em maternidades/centros de saúde onde não existia qualquer fonte de iluminação e que, como é óbvio, também funcionam à noite!

Para evitar a desflorestação desenvolveram em parceria com a Lipor, fornos solares para cozinhar através do “Tabanca Solar Project”, mas não param. Na próxima missão levam desidratadores que podem ser construídos facilmente no país e permitem fazer reservas de comida. E muitos mais projetos estão na calha… Vontade não falta, faltam parceiros industriais e tecnológicos, por isso venham eles!!!

A parte magnífica deste encontro foi verificar que estas ideias surgem em cabeças que nem aos 40 anos chegaram, e em paralelo a tudo isto os alunos concorreram com as suas próprias ideias de negócio o que, acreditem, é de deixar qualquer um boquiaberto!
Como é que temos tantas boas ideias num grupo tão pequeno de alunos?
Aqui entra o velho “o segredo é a alma do negócio” e em breve, tenho a certeza, que alguns destes negócios made in Escola Superior de Ciências Empresariais do Politécnico de Viana [ESCE-IPVC] impulsionados pelo EIJE2016 terão o seu lugar no mercado.

Lamento se não foi, porque realmente perdeu um grande evento, mas asseguro que temos mentes criativas e muito empreendedoras a tomar conta do nosso futuro. Afinal temos futuro garantido, a veia aventureira portuguesa perdura ao longo dos séculos!!!

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