A partilha redunda no benefício comum

Voz às Bibliotecas

autor

Aida Alves

contactarnum. de artigos 23

No dia 22 de setembro, dia de equinócio, entramos na estação do outono. Neste dia, o sol cruza o equador celeste, que corresponde à linha imaginária projetada pelo equador terrestre na esfera celeste. Este dia corresponde, portanto, ao momento exato em que a duração do período diurno passará a ser cada vez menor que a duração do período noturno.

É uma altura de mudança, em que a nova estação se caracteriza por ser tendencialmente mais fria e chuvosa que a estação precedente, o verão. A natureza muda radicalmente em aspeto, quase entra em repouso. A cor verde, que caracteriza as folhagens ricas em clorofila, típicas das alturas em que as condições ambientais permitem uma produção celular elevada, dão lugar a belos e nostálgicos tons de amarelo, castanho e laranja. A natureza muda de cor e as árvores despem-se, lentamente, da sua folhagem

Nesta altura, também nós sentimos as mudanças, muitas vezes no humor, mas também na predisposição para atividades recatadas e mais condizentes com uma estação mais fria e chuvosa, com uma duração do dia mais curta.
Nesse aspeto, as bibliotecas podem ser espaços privilegiados de descoberta, em ambiente mais “abrigado” das inclemências meteorológicas da estação. As bibliotecas são, em qualquer altura do ano, importantes espaços, onde a informação e o conhecimento andam de mãos dadas, próximos dos cidadãos que neles encontram espaço para a introspeção no conhecimento, e/ou para reflexão conjunta.

A informação, a literacia, a educação e a cultura deverão ser a essência dos serviços de uma biblioteca, especialmente se for pública. A sua missão passa por facilitar o acesso às diferentes formas de expressão cultural, fomentar o diálogo intercultural e diversidade cultural entre indivíduos e parceiros institucionais, apoiar e criar programas e atividades que ajudem a aumentar os níveis de literacia e alfabetização dos diferentes grupos etários (conforme Manifesto da UNESCO sobre Bibliotecas Públicas).

Todavia, as bibliotecas não podem e não devem agir sós; devem antes ser o resultado de uma permanente auscultação às necessidades informativas, educativas, formativas e culturais locais e regionais, e, em sinergia com demais parceiros institucionais especializados, desenvolver programas que ajudem a formar desde tenra idade o cidadão e acompanhá-lo no seu crescimento ao longo da vida. A partilha redunda no benefício comum, onde “o poder” de cada um deve ser ouvido, acautelado, integrado, respeitando os pares, numa dinâmica quase que orgânica.

O exercício de interatividade com a sociedade é sempre complexo e exigente. As parcerias, para serem efetivas “ferramentas” de desenvolvimento, promotoras de sinergias, deverão ser construídas na base de uma missão clara e objetiva, envolvendo e dando responsabilidade a cada parceiro. Ao fim e ao cabo é de democracia, enquanto modelo de desenvolvimento que falamos e que devem estar sempre na base de qualquer parceria ou ação conjunta numa biblioteca.

Seremos sempre todos mais fortes culturalmente, se conseguirmos interagir e integrar-nos conjunta e concertadamente em prol da educação e cultura. As bibliotecas de leitura pública, responsavelmente dinâmicas na rede de parceiros locais, devem proporcionar diariamente este princípio.

vote este artigo

 

Comente este artigo

Faça login ou registe-se gratuitamente para poder comentar este artigo.

comentários

Não existem comentários para este artigo.

Últimos artigos desta categoria - Voz às Bibliotecas

Tempo

Classificados

Edição Impressa (CM)

Edição Impressa (MF)

Newsletter

subscrição de newsletter

mapa do site

2008 © todos os direitos reservados ARCADA NOVA - comunicação, marketing e publicidade, S.A. | concept by: Cápsula - soluções multimédia