Quem sou? Quem somos?

Ensino

autor

José Oliveira

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O exercício de redação de uma crónica, apesar do estilo leve, manga curta, ar (aparentemente) descomprometido e profundidade temática pouco atormentadora, acaba por gerar sempre alguma inquietude, por ser, em prosa, um exercício de concisão similar (passe a hipérbole!) ao do soneto, na poesia. Numas, porque a crónica pode muito bem inspirar-se num tema único, simples; noutras, porque pode espraiar-se por várias e breves interpelações, de cujos retalhos agregados se urde um tecido harmonioso e (quem sabe?) agradável. Escrever exige inspiração, meter na viagem duas a três ideias para tranquilidade da mente, construir uma linha de rumo e atingir o final com parágrafo honroso.

Uma das fontes de inspiração para uma crónica pode resultar de um mero acaso, pode surgir da leitura de um jornal, da observação da realidade mundial que nos é transmitida quotidianamente pela televisão, dos cenários de guerra e miséria a mergulhar-se-nos nos olhos, pode resultar mesmo da euforia com que todos nos deixamos envolver aquando da vitória de Portugal, a 11 de julho do ano em curso, em França, num feito desportivo que nos tornou campeões europeus contra o país anfitrião.

Todos sentimos a força da identidade coletiva de um povo, com uma matriz que casou um retângulo de terra com a aventura do mar. Esta identidade sentimo-la sempre que o nome de alguns Portugueses surgem na cena internacional, no mundo da cultura, das artes, das ciências, da tecnologia, da política. Nessas situações, as diferenças que possamos ter, quanto a conceções, credos, opções políticas são superadas, porque nos atemos ao que nos une enquanto portadores de um passado e construtores de um futuro. Sentimos, pois, também como sucesso coletivo a indicação de António Guterres pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas para o cargo de secretário-geral da ONU.

De facto, a construção da identidade é, no plano educativo, um eixo fundamental da ação educativa. E se muito importante é fazer o exercício contido na maiêutica socrática do “conhece-te a ti mesmo” tanto ou mais importante se torna a transição para o conhecimento do Outro e da realidade envolvente.
Inspirado na Lei de Bases do Sistema Educativo, na redação dada pela Lei 46/86, de 14 de outubro, nenhum Projeto Educativo se concebe na aridez ou sem raízes. As suas raízes fundadoras são exatamente a Identidade, o Conhecimento, a Cooperação e o Compromisso.

Será com esta trilogia que na ação educativa se pretende promover a identidade da Pessoa, valorizar a relação com o Outro e com os mais diversificados contextos, promover o desenvolvimento do espírito democrático e pluralista, o respeito pelos outros e pelas suas ideias, a abertura ao diálogo e à livre troca de opiniões, contribuir para a formação de cidadãos capazes de julgarem com espírito crítico e criativo o meio social em que se integram e de se empenharem na sua transformação progressiva.

Esta identidade (una? múltipla?) percorre vários domínios. Uma identidade nacional, que promove a fidelidade ao património cultural português, no quadro da tradição universalista, europeia e atlântica, e da crescente interdependência e solidariedade entre todos os povos do Mundo. Uma identidade pessoal, social e comunitária, no quadro do desenvolvimento da personalidade, da formação do caráter e da promoção da cidadania, aberta à Europa, ao mundo, a uma cidadania global.

Uma Identidade profissional, no quadro do desenvolvimento da capacidade de trabalho que, com base numa formação integral confira ao indivíduo um justo lugar na vida ativa.
Nada mais oportuno que aproveitarmos esta referência ao trabalho para o consagrarmos como um valor essencial na cultura escolar, porque é o trabalho do aluno enquanto tal que faz com que o talento frutifique e a consciência o julgue pelo mérito desse esforço. Cada aluno tem potencialidades, talentos, capacidades e o seu mérito inicia-se a partir do trabalho em colocar as suas capacidades a frutificar.

Em recente celebração do vigésimo sétimo da Escola Profissional de Braga, em cerimónia pública, procedeu-se à entrega dos diplomas aos finalistas, atribuíram-se prémios de mérito ao melhor aluno de cada turma, ao melhor aluno finalista (este ano prendou-nos com três alunos ex aequo, o que é um feito agradavelmente surpreendente!) e várias menções honrosas a alunos cujos comportamentos e atitudes são dignas de reconhecimento coletivo e traduzem valores educativos muito gratos à nossa identidade social e comunitária: o zelo, a solidariedade, a responsabilidade, o sentido de justiça, a consciência cívica entre outros.

A educação é um tempo e um espaço contínuo de desenvolvimento pleno e harmonioso da personalidade dos indivíduos, da formação de cidadãos livres, responsáveis, autónomos e solidários e valorizando a dimensão humana do trabalho.
Para que atinjamos esta plenitude e harmonia no desenvolvimento da personalidade e da cidadania a Escola não pode ficar sozinha. Um modelo escolar mais centrado na aprendizagem implicará mais partilha e cooperação com outras instâncias da Sociedade.

O modelo educativo das escolas profissionais assenta na cooperação. O aprofundamento da cooperação entre a Escola Profissional de Braga e as empresas contribuirá para que os alunos descubram não só a importância de serem bons profissionais, mas sobretudo a relevância do seu desenvolvimento enquanto Pessoas e Cidadãos, para que mais facilmente respondam à pergunta: “Quem sou eu? Quem somos nós?”.

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