Internacionalização da Engenharia Portuguesa: imperativo económico

Ensino

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Mário Russo

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A Internacionalização da engenharia portuguesa insere-se num contexto mais amplo da própria internacionalização da economia portuguesa como um todo. De facto, num mundo global, o comércio externo deixou de ter exclusividade na forma como os países interagem economicamente. Os investidores de um país muitas vezes investem fundos noutra nação; cada vez mais empresas são multinacionais, com subsidiárias que operam em vários países; e um número crescente de pessoas trabalha num país diferente daquele em que nasceu. O desenvolvimento de todas estas formas de vínculos económicos entre países é para Paul Krugman, prémio Nobel da Economia, a Globalização.

Portugal no passado criou império Global, tendo dado ao mundo novos mundos. No entanto, o país esteve isolado durante décadas porque não precisou da internacionalização da economia porque ainda tinha parte desse império que propiciava trocas comerciais e manter a economia em crescimento.
O 25 de Abril abriu portas para outros mundos, para a democracia, mas também para um mundo confinado à Europa. Destruiu as ligações existentes sem se ter acautelado e mergulhou em crise, com a intervenção do FMI para evitar a bancarrota. Entretanto, vem a adesão à então CEE e com ela o aporte de fluxos financeiros elevadíssimos para o país se modernizar.

A Engenharia e Construção portuguesas tiveram o filão de ouro e mais de uma década de obras de modernização levaram as empresas portuguesas a apetrecharem-se de meios técnicos, recursos humanos e financeiros para fazer face à crescente demanda. Mas veio o fim dessas obras e pior que isso, a crise económica, igualmente global, que deixou as empresas de construção em crise porque estavam dimensionadas para o nível de atividade propiciado pelas obras com fundos de coesão da CEE. Sobreveio o famigerado ‘downsizing’ que é um eufemismo para despedimento em massa.

Hoje o setor encontra-se em letargia e a perceção que a engenharia, e a civil em particular, estão em crise, tem reflexos nas entradas de estudantes para os cursos de engenharia civil, que pelo 5º ano sucessivo diminui de forma assustadora.

No entanto, não é só o setor da engenharia e da construção, que deve fazer o que Portugal do século XV fez, rompendo mares há procura de produtos de valor acrescentado na Europa, destronando o tradicional trajeto feito por Veneza. São as empresas portuguesas que, diante de um mercado interno reconhecidamente insuficiente para a sustentabilidade das empresas, a terem de se voltarem para a exportação e internacionalização como um dos caminhos mais relevantes a ser trilhado.

No Mundo moderno, as empresas que sobreviverão não são as que apenas têm a preocupação de se adaptar à mudança, mas as que conseguirem antecipar a mudança.
Charles Darwin dizia que “não é a mais forte das espécies que sobreviverá, nem a mais inteligente, é a que melhor se adaptar à mudança”.

Os engenheiros, e os estudantes de engenharia civil em particular, não podem mais pensar no emprego à porta de casa, nem na sua cidade. Hoje os engenheiros civis são profissionais globais, que exercem a sua atividade onde é necessário o seu contributo, beneficiando o seu país e a sociedade que o acolhe.

Constata-se de há alguns anos a esta parte que a economia mundial está a deslocar-se para o hemisfério Sul, para África, Ásia e América Latina. Os países são todos diferentes, com culturas próprias, legislação diferente, metodologias de trabalho muitas vezes diferentes das nossas. Burocracias diferentes. Sistema fiscal e jurídico diferente do nosso, etc. E é preciso conhecer e adaptar-se a essas idiossincrasias.

As oportunidades de emprego são inúmeras e só a competência pode fazer a diferença num mundo competitivo. A notícia boa é que a Engenharia Portuguesa é reconhecida além fronteiras pelas características qualitativas e adaptativas para se impor em mercados externos.

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