A arte junta as Pessoas

Escreve quem sabe

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José Maria Rego

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A Escola pode ser, e deve ser, um espaço de desenvolvimento de todas as competências Pessoais e Sociais. Hoje, na escola, é muito difícil o trabalho em grupo, colaborativo, solidário e voluntário.
Os nossos filhos estão cada vez mais sufocados com aparelhos tecnológicos, actividades letivas (a que chamamos TPCs), exigências curriculares (cumprimento de objectivos, avaliações, testes exames), explicações e apoios para alcançarem os tão famosos quadros de mérito e excelência. As escolas Públicas e Particulares competem entre si para alcançarem os melhores resultados nos rankings do Ministério da Educação, pervertendo-se assim todo o processo de ensino aprendizagem e todos os valores que estão na base da educação.
Aparecem cada vez mais alunos nos consultórios psiquiátricos e os psicólogos escolares têm listas imensas de alunos para acompanharem. A rìtalina é a droga legal dos nossos alunos a quem chamamos e rotulamos de hiperativos.
Os professores trabalham isoladamente, tentando responder a todas as exigências burocráticas do Ministério… acabaram-se os clubes escolares, acabaram-se as actividades de enriquecimento curricular, como o Teatro, o Artesanato, as aulas para a aprendizagem dos instrumentos musicais, as visitas de estudo são escassas e a sua preparação muito burocrática. As atividades extracurriculares são dadas por clubes, academias, centros de estudo, fora da escola e os pais fazem de taxistas para levarem os seus filhos a estas atividades. Era bom que os pais contassem as horas passadas no carro e as horas de espera para o filho terminar a atividade.
Os meninos nas escolas deixaram de correr… os intervalos são passados com as cabeças inclinadas sobre os smartfones em aplicações de jogos, facebook e outras redes sociais.
Este é o tempo das famílias pequenas, sem contacto com os tios, primos e avós. Este é o tempo da mobilidade, quase todas as famílias tem alguém que vive fora do país. Este é o tempo da precariedade, da instabilidade, da mudança constante de emprego, casa e cidade. Este é o tempo das famílias monoparentais, muitos divórcios e separações. Este é o tempo em que os nossos filhos passam a maior parte do seu tempo de vida útil dentro da escola com excesso de disciplinas teóricas, onde se valoriza sobretudo o Português e a Matemática.
Todos os nossos filhos gostam de andar na escola, gostam do espaço, dos amigos, dos professores, mas não gostam de estudar e do trabalho que lhes é exigido. Poucos são aqueles que se identificam com a sua escola como um espaço essencial para a preparação do futuro. .. e que futuro?
A maior parte das famílias não têm tempo para acompanhar os filhos e não têm formação suficiente para entender a cultura que se vive dentro da escola. A formação que possuem é muitas vezes inferior à dos seus filhos.
À escola de hoje é exigido tudo, ensino-aprendizagem, valores, posturas e atitudes, responsabilidade, cuidados de higiene, alimentação, educação-sexual, participação, desenvolvimento de competências, empreendedorismo, novas tecnologias, acompanhamento das famílias, acompanhamento dos filhos sem famílias, etc.
Os grandes pilares da sociedade estão fracos: a Igreja, o Estado, as Autoridades Judiciais, as Famílias e o Sistema Educativo. A sociedade vai perdendo as suas referências mais fundamentais.
O que nos resta ? A que nos podemos agarrar para continuarmos a ter esperança no futuro?
Na escola?
Sim, na escola… não neste modelo de escola, mas numa escola que promova a construção de um modelo de homem, feliz, livre, transcendente, responsável, solidário, imagem e semelhança de Deus.
Penso que não há outro caminho senão o caminho do trabalho em grupo, em colaboração, onde percebemos que somos iguais, precisamos uns dos outros, somos pessoas porque conseguimos viver com os outros.
A música a arte junta pessoas, a arte permite a transmissão de valores, a arte educa, a arte disciplina, a arte torna a vida leve e agradável, a arte é um escape das agruras do dia a dia, a arte é a manifestação do espírito, que é aquilo que nos torna verdadeiramente pessoas, a arte reforça a nossa identidade coletiva e pessoal.
A Sond’art surgiu no seio da Escola e foi criada a pensar em todos estes aspetos e nasceu com o propósito de propor às escolas outras alternativas de formação no sistema educativo. Nestes 15 anos de existência a Sond’art reforça a certeza deste caminho e teimosamente vai tentando convencer professores, Direções das Escolas, Associações de Pais, Autarquias, Associações Culturais e Recreativas, Associações de alunos. Em 2016 já celebramos mais de 25 protocolos com várias instituições, a maioria escolas públicas, contamos com mais de 10 projetos novos e fortalecemos a nossa relação com excelentes músicos de Braga.
O caminho da Sond’art é este e há cada vez mais certeza disto.

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