A escola em constante mudança

Voz às Escolas

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Pedro Cerqueira

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Geração após geração, somos confrontados com opiniões de pensadores das questões do ensino e da aprendizagem de que a escola precisa de mudar e adaptar-se aos novos tempos. A reboque da vertiginosa evolução tecnológica, em especial no mundo ocidental, vivemos tempos de alterações profundas e rápidas nas nossas sociedades.

A escola estará a acompanhar os novos tempos como se espera? Muitos autores e pensadores entendem que não. Há mesmo quem diga que a escola pouco mudou desde o século XVIII, altura em o modelo escolar que deu origem à ‘escola’ atual teve o seu maior desenvolvimento. Em entrevista ao jornal Diário de Notícias de 25-1-2016, o professor Joaquim Azevedo defende esta ideia, nomeadamente na forma como são construídos e trabalhados os currículos.

Na sua opinião há uma ‘inadaptação da escola ao novo’. Na realidade, as práticas de mudança são objeto de muitas resistências em qualquer organização, sendo a adaptação constante às novas realidades o fator de sucesso dessas instituições quer sejam públicas ou privadas, escolas ou empresas. Os desafios para uma escola de massas que garanta o sucesso a todos são, em todo o lado, extremamente complexos, exigindo muito dos seus professores, chefias, responsáveis políticos, pais, encarregados de educação e sociedade em geral.

As escolas são instituições com uma caraterística muito particular: os seus professores, nunca tiveram contacto com outro tipo de organização, passando a sua vida no mesmo meio, primeiro como estudantes e depois nas funções docentes. Esta particularidade coloca dificuldades acrescidas a qualquer eventual mudança, havendo uma tendência natural para a replicação das experiências vividas.

As questões básicas de funcionamento das escolas poderão não ter mudado radicalmente nos últimos 200 anos, como seja a definição dos currículos, a organização dos mesmos, a disposição dos alunos na sala, a constituição dos grupos de alunos, etc, no entanto tem havido muito trabalho das escolas e dos seus professores na adaptação aos novos tempos no que diz respeito à relação com os alunos, suas famílias e ao trabalho pedagógico dentro e fora da sala de aula.

Neste âmbito, as práticas de trabalho colaborativo assumem especial relevância e fator de mudança e de desenvolvimento das instituições. Apesar de muitos bons exemplos nesta matéria, estas práticas ainda estão muito longe do desejável, imperando o individualismo e a ideia do professor como o ‘mestre’ senhor do saber e do seu espaço sagrado (sala de aula) que ninguém pode interferir. Então se falarmos na observação de prática letiva, a situação é bem mais complicada e as resistências muito maiores.

Aqui as recomendações de instituições internacionais já não funcionam como catalisador da introdução de novas práticas ao contrário do que acontece com os modelos de avaliação externa das aprendizagens.

Mas voltando às práticas pedagógicas e à emergência de novas abordagens, julgo que é possível fazer-se algo diferente no atual enquadramento legal e com as condições de recursos humanos existentes, no entanto a forma como os decisores políticos estabelecem as regras de organização das turmas e do ano letivo coloca, muitas vezes, entraves insuperáveis a novas abordagens. Quando um docente tem a seu cargo meia dúzia de turmas com quase trinta alunos cada, não se pode esperar que as suas aulas fujam muito das práticas tradicionais. Isto supondo que não tem de ocupar parte do seu tempo no controlo disciplinar.

Por outro lado, se esperamos do docente a implementação de estratégias diferenciadoras, estimulantes e inovadoras, é necessário dar-lhe tempo para investigação e preparação cuidada das aulas, o que, em muitos casos, só é possível com um enorme espírito de missão e apoio familiares.

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