O que é que o Carnaval de Famalicão tem?

Ideias

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José Agostinho Pereira

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Tem tudo como nenhum outro! Espontaneidade, alegria, diversão e participação. Estes são alguns dos ingredientes do Carnaval de Famalicão que dura só uma noite, mas é uma noite que vale todas as penas, inclusivamente aquela que é ditada normalmente pela meteorologia nesta altura do ano. Assim pensam também as pessoas que, cada vez em maior número, passam o carnaval em terras de camilo, do surrealismo e da economia. Não há propriamente um guião, nem um roteiro, é sair para a rua e viver a liberdade.

A tradição começou naturalmente há volta de duas décadas na Alameda Luís de Camões onde se concentravam alguns cafés frequentados pela juventude famalicense. O atrevimento próprio da idade foi libertando preconceitos, soltando inibições e alastrando a outras gerações. De repente, sem que se percebesse bem como e porquê a essência do Carnaval estava ali, naquela rua, e a sua energia deu origem a uma onda de entusiasmo que gerou um fenómeno sem precedentes na região.

Os cafés e bares viraram os seus balcões para a rua e libertaram das quatro paredes os sons das colunas. À juventude juntaram-se todas as outras gerações e a cidade passou a viver uma espécie de orgia coletiva sem sombra de pecado.
Por uma noite, cada um pode ser o que lhe dá na real gana e o mundo como que se vira ao contrário! Por umas horas, os collants são peça masculina e os bigodes atributo feminino.

Os super-heróis descem à terra e misturam-se com profissionais descontextualizados do seu campo de trabalho, o que lhes dá um certo ar alienígena. Até os objetos mais libidinosos saem da penumbra dos dias e exibem-se sem pudores. E dança-se, e grita-se, e participa-se! Há uma embriaguez coletiva incapaz de ser gerada em bastidores. Tudo é espontâneo, tudo é celebração e tudo participa.

Se Dionísio, o deus grego dos vinhos, das festas, do teatro e do êxtase viesse a Portugal passar o carnaval escolheria certamente Famalicão para o fazer. Inclusivamente Apolo, que fazia os homens conscientes de seus pecados e era agente de sua purificação, teria razões de sobra para ser famalicense naquela noite. Aqui e ali, até poderia ficar com as faces coradas, mas como Deus da verdade e da harmonia que era, saberia que aquele faz-de-conta de umas horas é essencial ao equilíbrio dos dias.
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