A poesia está no ar

Voz às Bibliotecas

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Aida Alves

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A primavera está prestes a chegar. Para muitos, é a estação mais bonita do ano, em que a natureza se renova quase por completo. Tudo parece explodir, numa profusão sinestésica de cores, texturas e cheiros. A primavera apela a todos os nossos sentidos, desde a visão, o olfato, ao tato. Tudo nos convida a sentir, a apreciar, a parar e a poetizar. Em março existem várias efemérides. Celebram-se o Dia do Pai (19 de março), o Dia Mundial da Água (20 de março), e o Dia Mundial da Poesia (21 de março), datas que simbolizam afetos e sensibilidades. São datas de proximidade e de humanização. Para as bibliotecas, o Dia Mundial da Poesia não é uma efeméride, é um compromisso permanente. A promoção dos valores literário, estético, artístico da poesia, que convergem nas diferentes expressões de arte, é uma missão para as bibliotecas. Não está, por isso apenas ligada a uma estação. A poesia é atemporal e intemporal e nas bibliotecas renasce diariamente.

Refletindo sobre as palavras, a primavera e a poesia são quase sinónimas. Longe já dos rigores do frio de inverno e ainda afastados dos calores do verão, somos convidados a sonhar acordados quando nelas pensamos. Ao mesmo tempo que a natureza se renova e resfresca, renovamo-nos também nos nossos sonhos e visão do mundo. É inevitável.
As cidades renovam-se. Cada cidade é única na sua poesia. Braga, cidade bimilenar, tem uma longa história registada de mais de dois mil anos. À poesia e aos poetas interessam a história registada nos documentos públicos, os factos históricos que importam memorizar para a posteridade, mas interessa-lhes ainda mais as viagens interiores das suas gentes, das suas vivências, do seu existir e sentir.

Em Braga respira-se poesia. Presente nos edifícios, na riqueza arquitectónica, nas ruas, nos jardins, nas crianças, nas pessoas. Em Braga, sente-se poesia solta e descontraída nas ruas da cidade, nos cafés, esplanadas, farmácias, hospitais, centros de saúde, salas de espera, sorvida por cada indivíduo e por todos, ao seu ritmo e gosto. Braga é uma cidade em renovação e movimento. A poesia andará nas ruas nos próximos dias e será celebrada em diversas atividades com formatos distintos.

Neste âmbito, as bibliotecas, o livro e as diversas expressões da palavra escrita, falada e representada, estão na linha da frente deste encanto, desta renovação, deste crescimento e movimento. As bibliotecas fazem parte das cidades, e parte da memória das cidades está dentro das bibliotecas, no seu íntimo mais poético, mais visceral. São uma parte do fluído sanguíneo que corre nas veias e artérias da cidade. A biblioteca leva poesia à cidade. A primavera está nas ruas, a poesia também.

Saibamos renovarmo-nos e encontrar em cada momento o melhor de nós próprios, enquanto usufruímos da poesia e beleza que nos rodeia. Paremos, observemos e poetizemos.
Leve consigo um poema, uma receita médica poética, um livro de poesia de um poeta de Braga ou de outro local para conhecer melhor. Mas leia, leia poesia, sinta a poesia. Deixe-se envolver, contaminar pela beleza da palavra, pese e isole as palavras e os seus sentidos, reais ou figurados. Poesia, essa, feita em verso ou em prosa, em métrica, em ritmos diversificados. A poesia é terapia. A poesia pode ser um dos seus melhores remédios.

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