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Analisa Candeias

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Há quem diga que a minha geração pertence à geração dos mimados, dos Millennials, daqueles que querem tudo rápido e feito na hora, daqueles que querem experiências. Talvez. Todas as gerações têm problemas e são rotuladas. Umas de conformadas, outras de rebeldes, umas de rasca, outras de desenrascadas… A minha, pelos vistos, mimalha, parece que é uma geração insatisfeita. Sempre a pedir mais, na busca pela felicidade e pelo bem-estar, dedicada à reciclagem e ao equilíbrio interior.
No fundo, somos uma seca.

Incomodamos porque questionamos quais as verdadeiras razões. De tudo. Paramos o desenvolvimento na idade dos porquês e lá nos vamos mantendo… Com instabilidade profissional, com uma mania horrorosa de querer viajar e conhecer o mundo (manias estas, estranhas…), a saltarmos de emprego em emprego, de bolsa em bolsa, a arrecadar formação num baú de lembranças. Porque, nos vamos lembrando que nos mandaram emigrar. E agora vão-nos mandando ficar. E, afinal, o que desejam de nós?

Nada de rótulos, por favor. Não descrevem a totalidade e a plenitude das gerações. Há de tudo. Há de mais, há de menos. Simplesmente, há. Queremos existir e trabalhar, gostávamos, todos, de ter uma situação laboral mais estável, sermos mais produtivos e respeitados. Gostávamos de conhecer os heróis dos nossos dias, mas, em falta de melhores, vamos olhando para os nossos pares. E reconhecendo o potencial das pessoas que nos rodeiam. Quem são os nossos líderes? Onde se encontram os nossos exemplos? Onde podemos encontrar os valores, de que ainda necessitamos, para nos guiarmos?
Os líderes…Perderam-se pelo caminho?

Carecemos deles. Não fujam, venham ao nosso encontro. Não tenham medo. Temos uma situação profissional demasiado precária para vos tirar o lugar. Em vez de nos recearem, ensinem-nos. Em vez de nos afastarem, integrem-nos. Em vez de nos deixarem parados, acompanhem-nos. As experiências intergeracionais são essenciais para o crescimento da sociedade e, os líderes, esses que podiam ser os heróis da atualidade, precisam-se. Com urgência. Pessoas de valor e com valores. Pessoas que, pelo exemplo, nos guiam. Pessoas que sabem dar oportunidade aos detentores das competências e reconhecem capital humano. Pessoas que lideram, que guiam o caminho. Que nos ajudarão a formar a gerações que aí vêm. Que já aí estão.

Somos a geração do meio. Um meio que ainda está pouco nítido, desfocado por uma insegurança que não nos deixa avançar. É assim em todas as profissões. Na Enfermagem, na Economia, na Biologia, no Direito. Em todo o lado existe a geração do meio, presa por querer liberdade. Preocupada por não ter um PPR, e com vontade de apenas ter um ou dois filhos. Talvez só um - com o pai a trabalhar em Faro e a mãe em Viana do Castelo, não sobra muito tempo para pensar no segundo. Esta geração do meio, que ainda pede heróis e exemplos, que ainda é chamada de “cachopa” e “miúda”, está a começar a ficar velhota. Envelhecida a par com a falta de oportunidade e visão de futuro, habituada igualmente a ver os pais desempregados. Com manias de ser feliz. Estas manias que incomodam e mexem com aqueles que não o são.
E, quem não quer ser feliz?

A culpa que a nossa geração vai levando, de apresentar manias de viagens, de felicidade, de meditação, de cultura, de yoga e de preocupação com o lixo do planeta, é fruto das experiências que vamos tendo. Vivemos a preocupação dos nossos pais com o crédito, com o trabalho excessivo, com a necessidade de nos manterem, a nós, os filhos, saudáveis e adaptados a este novo mundo. Observamos os comportamentos de risco à nossa volta, a falta de honestidade nas progressões e as “panelinhas” - será que seria saudável querermos isto para nós? A liberdade vai tendo preços, que a nossa geração já vai pagando há muitos anos. Talvez a fatura seja ainda maior, mas cá nos vamos aguentando… Tal como nos aguentamos até ao momento.

Ainda bem que tivemos mimo durante o nosso crescimento. Significa que fomos deveras desejados e amados e que é possível passarmos essas experiências aos nossos filhos. Somos a geração do milénio (já quase quarentões), que atingiu a maioridade na transição dos séculos e que encara o século XXI como uma oportunidade. De sermos melhores e nos dedicarmos mais aos outros. De vivermos em partilha e em comunidade. Uma geração que é uma seca e com manias, mas que, no fundo, sabe bem o que quer.

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