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Ideias Políticas

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Carlos Almeida

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Aproximamo-nos aceleradamente do final deste mandato autárquico. Em 2013, os eleitores decidiram colocar um ponto final da governação do PS em Braga. No seu lugar, colocaram uma coligação eleitoral composta pelo PSD, CDS e PPM, liderada por Ricardo Rio, candidato que havia sido derrotado já por duas vezes em eleições anteriores. A expectativa gerada nesse mais recente processo eleitoral era a de que, com o afastamento do PS do poder municipal, seria possível impor a mudança há muito reclamada por vários sectores da sociedade.

Terá sido esse, muito provavelmente, o factor mais relevante no momento da escolha por parte dos eleitores, o que viria a determinar um resultado muito acima do expectável à candidatura da coligação PS/CDS/PPM. Se algumas dúvidas restavam sobre a possibilidade de a direita chegar ao poder em Braga, a verdade é que ninguém esperava que o conseguisse com uma maioria absoluta. É um facto que a queda abrupta da votação do PS contribuiu, e de que maneira, para o êxito da direita, mas, em rigor, não seria obrigatória esta transferência de votos directa entre as duas candidaturas. O esperado, mais lógico, parece-me, seria que, face ao desgaste do PS, perante a vontade de mudança visível na cidade, os eleitores não alterassem o seu posicionamento no mapa político e se mantivessem colocados à esquerda, apoiando a candidatura alternativa proposta pela CDU.

No entanto, isso não aconteceu e o grande beneficiado foi mesmo Ricardo Rio. Tal facto, parecendo estranho, pode ter explicação na acentuada bipolarização que marca as campanhas eleitorais, fruto, na maioria dos casos, da ideia feita, mas errada, de que apenas dois candidatos disputam o poder. A estratégia passa por convencer os eleitores de que se A não serve, só B tem a possibilidade de tomar o seu lugar, criando a ilusão de que a mudança só é possível com o voto em B para afastar A do poder. E assim se constrói uma campanha assente em duas candidaturas supostamente “mais fortes”, com “maiores probabilidades de vencer”, colocando de lado os supostamente “mais pequenos”, sem “quaisquer hipóteses”, arredando-os premeditadamente da luta pelo poder.

O que dirão hoje os cidadãos, muitos deles identificados com a esquerda, que confiaram o seu voto a Ricardo Rio? O que sentirão hoje sobre a utilidade do seu voto para a construção da mudança pretendida? Valeu a pena entregar uma maioria absoluta à coligação de direita? Pelo que se ouve e sente na cidade, fica claro que muitos eleitores estão hoje arrependidos porque não constatam a ruptura política prometida por Ricardo Rio.

Passados quatro anos, todos, enquanto cidadãos, temos a obrigação de fazer uma avaliação sobre o desempenho dos que exerceram, durante este período, cargos políticos nos órgãos municipais, sendo certo que a maioria que governa tem os seus vereadores em permanência, com as respectivas equipas de apoio e assessoria, ao contrário dos restantes.

É, pois, altura de balanços, de pedir contas a quem governou, mas também a quem esteve na oposição. Em ambos os casos, o trabalho tem que ser feito durante os quatro anos do mandato autárquico. Não pode aparecer apenas agora a poucos meses de nova eleição. Fica o desafio: compare-se o lançamento ou a execução de projectos da governação municipal deste ano com as dos anos anteriores; compare-se também as intervenções, denúncias e propostas feitas pelos diferentes intervenientes. Depois, ajuíze-se.

Caberá aos eleitores fazer esse trabalho de avaliação e julgar se o trabalho e a dedicação devem ser reconhecidos e valorizados, ou se, pelo contrário, vão deixar que, uma vez mais, as máquinas de propaganda dos ditos grandes partidos comprem os seus votos.

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