As Bibliotecas e o serviço itinerante

Voz às Bibliotecas

autor

Rui A. Faria Viana

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Decorria o ano de 1958 quando o serviço itinerante de leitura pública foi criado pela Fundação Calouste Gulbenkian (FCG) sob a direcção do escritor António José Branquinho da Fonseca, depois de uma experiência, em 1953, levada a cabo pelo Museu-Biblioteca do Conde Castro Guimarães, em Cascais, quando aí desempenhou as funções de conservador-bibliotecário.

A criação do serviço de bibliotecas itinerantes no seio da FCG, veio possibilitar às populações o acesso ao livro através do empréstimo domiciliário de forma gratuita. Começando a funcionar com 15 bibliotecas itinerantes, rapidamente o serviço foi dispondo de mais unidades, atingindo 47 veículos em 1961 e 62 em 1972. Percorrendo circuitos pré-estabelecidos, abrangendo, muitas vezes, mais que um concelho, as bibliotecas itinerantes permitiram o contacto com o livro pela primeira vez a muitas populações. Neste período, durante o salazarismo, enquanto o livro é considerado um bem de luxo e a leitura fica ao alcance de muito poucos, a FCG desenvolve em todo o país um papel importante na promoção da leitura através da rede das bibliotecas itinerantes que estabelece.

Após a revolução de Abril de 1974 o serviço itinerante mantém-se até à implementação e desenvolvimento da rede de bibliotecas de leitura pública que acontece a partir de 1987, e vem permitir dotar cada concelho do país de uma biblioteca pública municipal com base numa partilha de custos entre a administração central e a local, levando ao decréscimo do investimento, que a Fundação vinha fazendo, para a manutenção desta rede de bibliotecas itinerantes, sobretudo a partir de 1993, até à sua extinção em 2002. Segundo as estatísticas, em quarenta e quatro anos de actividade, a FCG adquiriu cerca de 9 milhões de livros e atendeu 57 milhões de leitores desenvolvendo um importantíssimo papel na promoção e divulgação do livro.

É precisamente a partir de 1993, que a Biblioteca Municipal de Viana do Castelo, através de um protocolo estabelecido com a Fundação Gulbenkian, recebe por doação uma viatura e um fundo bibliográfico que vai permitir continuar a assegurar o serviço de empréstimo domiciliário que até aí vinha sendo realizado em todas as freguesias do concelho.

Assumindo-se como um serviço de extensão bibliotecária da biblioteca pública, a biblioteca itinerante continua nos dias de hoje a revelar-se de grande importância e utilidade, pois, deste modo, o serviço básico de leitura chega de forma gratuita até às populações mais desfavorecidas pela sua localização geográfica, sobretudo, as que vivem em áreas rurais e pequenas comunidades afastadas da sede do concelho e com dificuldades de acessibilidade à biblioteca central, assim como, a públicos específicos integrados em lares de idosos, residências de reformados, hospitais, estabelecimentos prisionais e escolas.

Segundo as Directrizes para Bibliotecas Itinerantes / Mobile Library Guidelines / IFLA (2010) “o objetivo final de um serviço de biblioteca itinerante é promover a equidade na prestação do serviço, melhorando a oportunidade de acesso aos serviços bibliotecários. Uma biblioteca itinerante proporciona o serviço bibliotecário mais flexível, sem se limitar a um determinado centro populacional e sendo capaz de responder às necessidades de populações flutuantes”.

O ressurgimento que se verificou deste serviço em vários municípios, sob a responsabilidade das bibliotecas públicas, insere-se na perspectiva de proporcionar aos cidadãos com dificuldades de deslocação à biblioteca fixa, as mesmas oportunidades independentemente da sua situação ou local de residência, de modo a cobrir o acesso à leitura em todo o território municipal.

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