Turismo e Felicidade

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Abílio Vilaça

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Na atualidade o turismo é reconhecidamente uma atividade que melhor interpreta o sentimento de felicidade. Efetivamente ninguém adquire um pacote turístico, um city break, um acesso a um festival ou frequenta uma atividade de enoturismo, para se incomodar. Os turistas procuram beneficiar do prazer de estarem num local diferente, num evento que desejam, beneficiando de tudo o que está disponível sem ter preocupações nem incómodos.
Fazer turismo não pode constituir um fardo de problemas, por isso se diz com frequência que quem faz turismo procura felicidade.
É oportuno então ir ao encontro do conceito de Felicidade e compreender como tem sido tratado e compreendido ao longo dos tempos.
Provavelmente vamos encontrar um vasto conjunto de definições diferentes. É um tema que tem sido estudado por muitos filósofos e estudiosos ao longo de muito tempo. Conhecem-se muitas definições interessantes como acontece com Zoroastro, profeta da Pérsia (Irão) no sec XVII a.c.. Quando Zoroastro perguntou, à divindade do bem, Ahura-Mazda, sobre o que seria felicidade na terra, a resposta teria sido: 'Um lugar ao abrigo do fogo e dos animais ferozes, mulher, filhos e rebanhos de gado'.
Lao Tsé e Confúcio, dois filósofos Chineses, no sec VI a.c. também se concentraram no tema e se Lao Tsé na sua concetualização defendeu que a harmonia na vida podia ser alcançada através da união com as forças da natureza, já Confúcio enfatizou o dever, a cortesia, a sabedoria e a generosidade como elementos que permitiriam uma existência feliz.
Epicuro e Aristóteles, filósofos gregos do sec IV a.c. estudaram a ideia da felicidade e se Epicuro, defendia que a melhor maneira de alcançar a felicidade é através da satisfação dos desejos de uma forma equilibrada, que não perturbe a tranquilidade do indivíduo, Aristóteles, referiu que a felicidade é uma atividade de acordo com o que há de melhor no homem. O homem, diferente de todos os outros seres vivos, é dotado de linguagem. A atividade que há de melhor no homem deve ser realizada de acordo com a virtude, o que significa que, aquele que organizar os seus desejos de acordo com um princípio racional terá uma ação virtuosa e a vida de acordo com a virtude será considerada uma vida feliz.
Jesus Cristo representou e defendeu uma outra dimensão extraordinária, o amor ao próximo como fundamento para que se possa atingir a harmonia completa e se possa atingir a felicidade individual. O cristianismo advoga exatamente essa perspetiva de felicidade através do amor ao próximo.
Maomé, no sec VII enfatizou a caridade e a esperança na vida depois da morte como fundamento para uma felicidade duradoura e eterna.
O filósofo Jean Jacques Rousseau refletindo sobre o tema, considerou que o ser humano, era originalmente feliz, mas com o advento da civilização essa dimensão foi sendo destruída. Karl Marx, defendeu que só pelo estabelecimento de uma sociedade sem classes se pode atingir a felicidade humana, enquanto Sigmund Freud tendo por área de estudo a psicanálise defendia que o ser humano é movido pela procura e conquista da felicidade.
Neste caminho de interpretação do conceito de felicidade que nos é dado pelos pensadores, filósofos e líderes espirituais, existe uma convergência muito curiosa, o homem está no fundamento de todas as definições, tal como o faz o turismo dos tempos modernos. O homem e as suas motivações estão no centro das estratégias de funcionamento do turismo.

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