Não estou certo!

Ideias

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José Manuel Fernandes

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Aglobalização, a interdependência das economias e a sua desmaterialização ainda não foram compreendidas. Convém que aqueles que defendem a liberdade, a democracia, o Estado de direito, a tolerância e a defesa intransigente da dignidade humana se juntem e atuem de forma coordenada. Só unidos, em conjunto e de forma solidária, poderemos controlar a globalização. Só dessa forma puxamos pelos direitos sociais e venceremos os desafios comuns.

Todas as eleições são importantes e têm repercussões fora dos limites geográficos a que estão adstritos os eleitores. É evidente que, numa potência militar e económica como os Estados Unidos, a eleição do seu Presidente tem uma influência ainda mais global. Os americanos quiseram a 'América Primeiro', o 'orgulhosamente americano'. Votaram no radicalismo e no proteccionismo, acompanhados do nacionalismo, do egoísmo e, em certa medida, do ódio, numa ideia de supremacia.

Na semana passada, Donald Trump anunciou que os EUA se retiravam do acordo de Paris.
O acordo de Paris foi um compromisso histórico, assinado em 2015 por 195 países, ao fim de vários anos de negociações. É um acordo juridicamente vinculativo! Mas Trump acaba de colocar em crise o respeito da legalidade por parte dos EUA!

Este acordo promove uma ação abrangente e coletiva a nível mundial, com o objetivo de conter o aquecimento global do planeta, ao reduzir as emissões de gases com efeito de estufa. Com este acordo, os países comprometem-se a manter o aumento da temperatura média global abaixo dos 2ºC, mantendo os esforços para que este aumento se restrinja aos 1,5ºC. Devemos evoluir para uma economia que não tenha impacto no clima e que seja resiliente às alterações climáticas.
O compromisso que tinha sido assumido pelo executivo de Barack Obama comprometia os Estados Unidos a reduzirem a emissão de gases de efeito de estufa entre 26% a 28% até 2025, relativamente aos valores de 2005.

Os EUA e a China são dos maiores poluidores mundiais, pelo que deixar de ter um destes países a bordo deste acordo compromete o esforço que vai ser feito pelos restantes países.
Trump voltou atrás com o compromisso que os EUA tinham subscrito e negociado para se combater e mitigar as alterações climáticas. Provou que não é fiável. Demonstrou que governa para o imediato e que não se preocupa com as gerações futuras.

O “quero, posso e mando” é uma atitude típica de ditadores e que ele abraça. Faz tábua rasa das evidências e conclusões científicas, ao afirmar que não acredita no aquecimento global. A pouca credibilidade que tinha esfumou-se. Qual é o líder mundial que confiará agora em Donald Trump?
A UE tem de perceber que não pode contar com os EUA e terá de se organizar para reforçar a sua defesa e liderar a resolução dos desafios globais. Trump, ao rasgar o acordo de Paris, reforça a posição da China que ele tanto queria contrariar.

A China, com o ar irrespirável em várias cidades e a pensar na indústria das renováveis, tem interesse na diminuição das emissões de carbono.
Trump uniu o mundo na defesa do acordo de Paris. Por outro lado, dividiu ainda mais os norte-americanos, onde já vários Estados, como Nova Iorque, Washington ou Califórnia, várias cidades e empresas afirmaram que vão respeitar e concretizar as metas definidas no acordo de Paris.

Enganam-se aqueles que pensam que a UE vai andar de braço dado com a China. A UE não pode permitir o dumping social e tem de exigir reciprocidade e uma concorrência justa e leal.
Trump, Putin e o Brexit obrigam os 27 Estados-Membros da UE a unirem-se e a tomarem o destino nas suas mãos. A Chanceler Angela Merkel foi a primeira a compreender e a afirmar esta urgência. Espero que Macron e todos os restantes líderes estejam à altura.
Mas, infelizmente, não estou certo que tal aconteça!

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