Para que não se repita

Ideias

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Carlos Almeida

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A tragédia bateu à porta de Pedrogão Grande no último fim-de-semana. Dezenas de mortos e tantos outros feridos, famílias devastadas pelo mais mortal incêndio florestal ocorrido em Portugal, um país em choque.
Ninguém pode ficar indiferente perante tamanha dor e sofrimento. Por isso, neste momento, a mensagem só pode ser de forte solidariedade com a família das vítimas, com a população dos concelhos atingidos pelas chamas, mas também com todos que no terreno permanecem no combate ao fogo em condições de extrema dificuldade.

Perante o desastre e as suas consequências, é natural que nos questionemos como podemos continuar sujeitos a este tipo de perigos em pleno século XXI, depois de tanta experiência e conhecimento acumulado.
As causas são há muito conhecidas e resultam, principalmente, de opções políticas. O fim do corpo da guarda florestal, a ausência de equipas de sapadores florestais, a destruição da agricultura familiar, o desastrado ordenamento da floresta ou os incentivos à plantação predominante de eucaliptos são parte integrante dessas opções políticas promotoras de interesses económicos em detrimento do interesse nacional.

No entanto, como é hábito depois das tragédias, não faltam agora os especialistas de televisão para desviar as atenções e as responsabilidades. Sobram, agora, as explicações dos peritos para o que não devia ter acontecido.
Da zona centro do país continuam a chegar relatos impressionantes, imagens cruéis, notícias avassaladoras. Vítima da desertificação e do desinvestimento, a população do interior sente-se abandonada e reclama apoios.

A onda de solidariedade entretanto desencadeada, reveladora da generosidade de um povo, não apaga no entanto as desigualdades bem patentes neste trágico acontecimento, nem tão-pouco pode substituir aquelas que são as obrigações do Estado de apoiar as suas populações, bem como de disponibilizar os meios de combate e toda a logística necessária.

Aos bombeiros portugueses a minha palavra de agradecimento pelo empenho, pela dedicação e coragem de colocarem em risco a sua própria vida em defesa de bens e outras vidas. Tantas vezes, nos limites das suas forças, sem os meios necessários, desmotivados pela desvalorização do serviço que prestam ao país, lá continuam na linha da frente, no combate aos fogos.

Aconteceu em Pedrogão Grande, podia ter acontecido em qualquer parte do interior de um país em que, ano após ano, se repetem os assustadores números de hectares de mata ardida.
No rescaldo de cada ano, fala-se de prevenção, de meios de combate, de vítimas e culpados. Sempre a mesma história. Sempre o mesmo resultado no ano seguinte.
E assim será enquanto não se colocar o dedo na ferida: a necessidade urgente de uma nova política florestal e agrícola.

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