A quadratura do círculo

Ideias

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Artur Coimbra

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Ano e meio depois de ter chegado ao poder, com toda a legitimidade constitucional e democrática, porquanto nas legislativas é o Parlamento que se vota e não o primeiro-ministro, António Costa está a conseguir afirmar-se como um estadista de elevada categoria e, em simultâneo, está a tirar o país do estado comatoso e depressivo em que a direita e a tróica o tinham enterrado nos últimos anos.

Não conseguimos esquecer um país cujo povo vivia triste, ensimesmado, cabisbaixo, sujeito a todo o tipo de cortes, reduções, e aviltamentos, nos salários, nas pensões, nas prestações sociais. Um povo pesaroso e desgostoso como há muito não se via, nem nos tétricos dias salazarentos… Porque tinha que ser… Porque os “credores” exigiam… Porque os sacrossantos “mercados” era isso que queriam… E vai daí o anterior primeiro-ministro, que Deus tenha enquanto tal, até à eternidade, apaixonou-se vigorosamente pela austeridade e gabava-se constantemente de ter ido além da tróica, como se, em vez de um labéu vergonhoso, tal constituísse um troféu de que se pudesse vangloriar… E tão intrínseca foi a sua devoção a essa missão última que, passado este tempo todo, ainda dela não se livrou, como um Quixote sem destino nem futuro, que se julga predestinado…

António Costa quebrou, desde a primeira hora, essa condenação ao sacrifício, ao “inevitável”, ao “não pode ser de outra maneira”… Fez de outro modo, contrariando práticas e tradições, revertendo medidas gravosas, e os resultados estão a ver-se, em diferentes áreas.
O país está hoje mais positivo, menos crispado; o povo está mais alegre, mais confiante. A esperança no presente e no futuro regressou. E só não vê quem não quer ver. Ou quem faz de cego…

Por ciência certa ou por coincidência inevitável, proporcionada pelo ambiente que se respira, neste período de descompressão económica e social, têm acontecido feitos espantosos, fantásticos e únicos. Portugal sagrou-se campeão europeu de futebol, em França. António Guterres foi eleito para o prestigiante cargo de Secretário-geral das Nações Unidas. Salvador Sobral venceu o Festival Eurovisão da Canção. Portugal saiu, oficialmente, esta sexta-feira, oito anos depois, do Procedimento por Défice Excessivo. A credibilidade do país está em crescendo. O prestígio de Portugal atinge níveis que há muito não conhecia.

E o certo é que o governo improvável, numa solução de esquerda nunca antes ensaiada, goste-se ou não do que geralmente se apelida de “geringonça”, tem conseguido cumprir as expectativas que desde o início criou. E ainda bem, para a sua sobrevivência política mas sobretudo para Portugal e para os portugueses, razão de ser deste ou de qualquer executivo.

A comprová-lo estão diversos indicadores, que a comunicação social vem divulgando. A taxa de desemprego continua a descer, situando-se abaixo dos 10%, a mais baixa dos últimos oito anos. O défice orçamental de 2016 fixou-se nos 2,1% do Produto Interno Bruto, no que poucos acreditavam, em especial os adoradores e açuladores do “Diabo”… O indicador de confiança dos consumidores, bem como o do clima económico, continuam a aumentar, atingindo o valor mais elevado dos últimos 20 anos. Os graves problemas bancários estão a ser resolvidos. O turismo “explodiu” em todo o país, de Norte a Sul e às regiões autónomas, em virtude de factores como o clima, a segurança, a estabilidade, que ajudam naturalmente à necessária retoma económica. O mesmo sinal positivo continua a vir das remessas dos emigrantes, que confiam no país e nas suas instituições.

De todos esses factores nasceu um clima de esperança e de confiança, interna e externa.
Tanto que até o insuspeito e execrável ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schäuble, se permitiu catalogar o seu congénere português, Mário Centeno, como o “Ronaldo das Finanças” e nestes dias veio afirmar, algo provocatoriamente, que Portugal é um caso de sucesso dos programas de resgate e que a prova disso é que o país está em condições de pagar antecipadamente 10 mil milhões de euros ao Fundo Monetário Internacional.

Também a agência de notação Fitch se apresta para anunciar um melhoramento da posição de Portugal, que passa de “estável” a “positivo”, alimentando assim expectativas de que possa retirar o país do rating “lixo” aquando da próxima revisão, em 15 de Dezembro.

Tudo corre de feição para o chefe do governo, António Costa. Na verdade, a confirmar-se como um estadista de eleição, um político altamente hábil, negociador nato e precisamente capaz de concretizar na governação a complicadíssima quadratura do círculo. Ou, por outras palavras, capaz de satisfazer as exigentes e às vezes desmedidas instituições europeias, sempre prontas a castigar uma solução governativa de esquerda, que foge à regra da cerviz curvada à cruzada da austeridade e, simultaneamente, conseguir contentar ou apaziguar as aspirações de rua dos comunistas e bloquistas, com um pé dentro da solução governativa, porque é sempre melhor que a anterior e outro pé fora, para não deixarem perder o capital social e reivindicativo que lhes é estruturante.

Neste difícil equilíbrio, António Costa tem sido um ás, demonstrando uma capacidade de estadista que poucos anteviam.
Rodeou-se, obviamente, de uma equipa governativa de enorme qualidade técnica e política, sem comparação com as anteriores, para enfrentar os difíceis desafios que estes anos ainda impõem e tem o iniludível e decisivo apoio de um Presidente da República que faz questão de remar para o mesmo lado, o do país, o do interesse nacional, o do lugar de Portugal no mundo, o do reforço da auto-estima de todos e de cada um, estejam em Portugal ou espalhados pelo mundo da emigração.

Marcelo Rebelo de Sousa tem sido o Presidente certo para a hora certa, o ombro necessário para quem se empenha em levar Portugal para o patamar do desenvolvimento e da modernidade!
Parabéns ao Primeiro-ministro e ao Presidente da República: os portugueses estão-vos imensamente gratos por termos conseguido respirar outra vez como gente!

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