Perdida em Praga

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Mariana Azevedo Gomes

Eram 7 horas nessa manhã de verão e Julieta e os seus pais estavam prestes a embarcar no avião. Tinha terminado o Ensino Secundário e, como recompensa, os seus pais decidiram realizar um dos sonhos da jovem: visitar Praga, uma das mais belas cidades do mundo! Idealizou esta viagem durante semanas e consigo levava um diário para poder relatar tudo o que via e experienciava. Desejava que fosse a viagem perfeita. Ou quase perfeita!

Mal saíram do aeroporto, em Praga, entraram no metro que os iria levar ao hotel. Durante essa pequena viagem, Julieta não deixou de contemplar a beleza que se encontrava à sua volta. Sentia-se teletransportada para outra era: uma era medieval, de magia, de lendas e de mitos. Chegaram ao hotel, arrumaram rapidamente as bagagens e prepararam-se para durante a tarde darem o primeiro passeio pela cidade.

No dia seguinte, no fim de desfrutarem de um bom pequeno almoço, dirigiram-se para o primeiro ponto turístico que iriam visitar: a Catedral de São Vito. “Era enorme” pensou Julieta, não deixando de reparar no estilo gótico que transbordava daquela igreja. Seguidamente, dirigiram- - se para a Ponte Carlos que fazia a travessia entre a Cidade Velha e a Cidade Pequena. A ponte estava cheia de turistas, podendo ouvir-se vários idiomas, ora espanhol, ora alemão, ora francês. Esgueirou-se para a borda da ponte, onde aproveitou para tirar umas fotografias e, sem mais nem menos, deixou de ver os pais. Olhou em redor e não viu os cabelos castanhos da mãe, nem os cabelos pretos do pai. Ficou assustada. “E agora?” interrogou-se. Não tinha consigo o seu telemóvel, porque tinha-o deixado no hotel.

Atravessou a ponte, de forma a afastar-se da confusão e começou a pensar em soluções. Chegou à conclusão de que devia voltar para o hotel quando, subitamente, um rapaz alto de olhos verdes se aproximou dela. “Está tudo bem?” perguntou em inglês. Julieta não sabia o que dizer, não conhecia Praga suficientemente bem para se pôr a deambular por lá, nem sequer sabia o longo caminho de volta para o hotel. “Estou perdida!” respondeu, em inglês, gaguejando. “Não sei o caminho de regresso ao hotel”. O rapaz respondeu de imediato “Não te preocupes, eu levo-te lá.

Chamo-me Milan e conheço esta cidade de uma ponta à outra.” Depois de Julieta lhe dar o nome do hotel, iniciaram o trajeto de regresso. Julieta disse que era portuguesa e contou o que a levou a escolher Praga como destino de férias. Voltaram a passar pela catedral de São Vito e Milan decidiu quebrar o silêncio “Já a visitaste?”. “Já. Foi o único monumento que já visitei”. “A sério? Praga tem tantos monumentos e sítios fantásticos para visitar. Posso levar-te ao castelo de Praga?”. Julieta acenou afirmativamente com a cabeça e começou a ouvir a explicação sobre a importância da construção daquele edifício para a cidade.

A dada altura, ao fim de visitarem a catedral, Julieta olhou de soslaio para o companheiro. Era incrivelmente alto, tinha uns olhos verdes muito grandes e um cabelo escuro. Julieta, no seu íntimo, não deixou de admitir que o rapaz era muito bonito e portanto, decidiu tentar conhecê-lo melhor.
“Que idade tens?” perguntou Julieta. “Tenho 19 anos” respondeu Milan, sorrindo. “E que fazes da vida? És estudante?” perguntou a rapariga, curiosa. “Sim, vou para o segundo ano de Negócios Internacionais.” Julieta, que ainda estava indecisa sobre que curso a escolher para entrada na universidade, decidiu saber mais pormenores sobre aquele curso, podendo dessa forma, conhecer melhor Milan.

Era já hora de almoço, e Milan levou Julieta a comer num dos melhores restaurantes de Praga situado em Nové Město. Aí Julieta provou a gastronomia de Praga e por momentos esqueceu-se da preocupação que, provavelmente, os seus pais teriam, por não terem notícias da sua filha.
A rapariga não querendo já ir para o hotel e perder a companhia de Milan, pediu que a levasse a ver Orloj, a Casa Dançante e o Muro de John Lennon, não deixando de passar pelo Hard Rock Café para comprar uma t-shirt. Sentindo-se cansada e preocupada com os seus pais, olhou para o relógio e viu que já eram sete da tarde. Pensou que talvez fosse melhor voltar para o hotel, pois nem imaginaria o estado em que os seus pais estavam.

Chegou ao hotel e antes de entrar agradeceu a companhia de Milan. Graças a ele pode absorver a cidade incrível de Praga e convidou-o a visitar Braga no próximo Verão, prometendo-lhe que o levaria a visitar o melhor que a cidade tem. Para surpresa sua, Milan fez questão de lhe dar o seu número de telemóvel. Julieta corada, despediu-se de Milan. “Gostei muito de te conhecer. Espero ouvir notícias tuas em breve”, afirmou Milan, com o seu olhar intenso.
Julieta tinha muito que contar desta aventura, no seu diário de viagem, embora tivesse que ouvir ainda um raspanete dos seus pais.

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