A cidade onde o Sol nunca brilhou

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Inês Lopes

Morland, uma pequena cidade perto da imponente América, na desconhecida, mas povoada ilha de Jorvik, também conhecida como a cidade onde o Sol nunca brilhou.
Bem, antes de começar eu só queria esclarecer que isto NÃO É UM DIÁRIO, não é normal um rapaz como eu ter um diário e eu não quero ser alvo de chacota lá na escola. Só para relembrar, ISTO NÃO É UM DIÁRIO.

Prosseguindo, eu sou o Tim e tenho treze anos. Vivo na cinzenta cidade de Morland, onde quem reina é a escuridão e a vasta solidão. Não é possível, ao passar pelas ruas observar alguém a esboçar um sorriso, a rir, a cantar ou a dançar, apenas a caminhar com a cabeça cabisbaixa como se tivessem cometido um grande crime para com a nossa sociedade. O meu grande sonho é sair desta cidade e ir para a América, ver o pôr do sol, correr nos campos repletos de flores de todas as cores e encontrar alguém que me possa apoiar sempre que necessário, um amigo.

Aqui em Morland, temos apenas 2 estações do ano, o ouverno e o intono. No ouverno, as cinzentas nuvens cor de carvão, repletas de transparentes gotas de água ocupam o enormíssimo céu. Os dias são escuros, repletos de nuvens e de tristeza nos olhos das crianças. Mas, no intono chove todos os dias e o algodão doce que sobrevoa a nossa cidade permanece, de tal forma que nós, cidadãos de Morland, nunca vimos o Sol, mais um dos meus grandes sonhos...
Nada se compara à nossa pequena cidade. Todo o mundo já viu a grande estrela que ilumina o nosso grandioso planeta, exceto nós... É doloroso todos os dias ter um céu colorido de cinzento e as pessoas com a tristeza chapada na cara.

Eu já fui assim, até ao dia mais feliz da minha vida. Tudo começou num dia cinzento... Espera aí! Os dias são todos iguais aqui, por isso tudo começou num simples dia banal. Um barco, de umas dimensões inimagináveis, aproximou-se de Morland. Com a curiosidade aguçada, eu fui a correr até ao porto. Do tal barco, saiu uma rapariga de cabelos ruivos, seus olhos se assemelhavam a pequenas esmeraldas, e aquelas sardas, foi tudo o que fez o meu rosto ficar como um rubi. Magicamente, a tal rapariga acenou-me e eu fui dar-lhe as boas vindas à nossa cidade. Pois, mas para tal feito foi preciso ter uma coragem... Zoey, era o seu nome, um nome que caracteriza uma rapariga com bom coração, criatividade e com bastante personalidade. Era a pessoa perfeita para ter como amigo!

Ela tinha arranjado uma casa no topo da colina, perto da aldeia de Silverglade. Mostrei-lhe tudo de espetacular que há para ver nas redondezas e mesmo na aldeia em que ela permanecia. Conversamos pelo caminho, mas reparei que ela tinha a ponta dos lábios levantada, só pensava em perguntar-lhe se aquilo era cPassaram-se dias desde aquele encontro com a Zoey, e eu só pensava naquele anjo vindo do céu ou do mar, neste caso. Por volta da hora do almoço, alguém bateu à porta da minha casa. Eu fui abrir a rija porta de madeira até uns olhos brilhantes como um diamante me enfrentarem. Era a Zoey, e as pontas dos lábios arrebitadas. Bem, ela queria convidar-me para ir dar um passeio á beira-mar e obviamente aceitei de imediato a sua fantástica ideia.

No dia em que a Zoey me convidou para irmos dar uma volta, eu levei uma rosa encarnada para lhe oferecer. Quando lhe entreguei a flor, ela agradeceu-me e puxou o meu braço levando-me para um piquenique, no Vale perto de Greendale. De repente, Zoey pareceu entristecer:
-O que se passa? Não gostaste do piquenique?- perguntou- me a Zoey
-Adorei, mas porquê? - parecia que tinha estragado todo aquele fantástico dia.
-Estás sempre triste, nunca estás a sorrir! E não sei se isso é bom sinal. Eu esmerei-me tanto para te ver a sorrir ao meu lado neste piquenique!- confessou. Senti-me um parvo, mas eu não sabia o que era sorrir.

-Eu peço desculpa, mas eu não sei o que é sorrir.
- meio envergonhado foi a única forma que consegui de lhe explicar a embaraçosa situação.
-Isso é mentira! Se não gostaste podias ao menos ter sido sincero. Acabou-se eu vou-me embora.
Naquele preciso momento, Zoey desapareceu a correr e eu já sabia que não íamos falar até eu lhe pedir mil valiosas desculpas. Mas era verdade, eu não sabia o que era sorrir, pois nas ruelas de Morland ninguém sorria, só andavam cabisbaixos e sós.

Logo após aquele incidente, andei mais cabisbaixo que os cidadãos de Morland e nem a minha família me reconhecia... Isto não podia continuar, e eu fui até á sua mansão no topo da colina. Como sabia que não me ia querer falar coloquei um bilhetinho a explicar que em Morland todos eram tristes e não sabíamos o significado de sorrir e, junto do bilhete um grande ramo de flores todas colhidas por mim.

Aquele plano era arriscado, pois Zoey podia achar tudo uma grande desculpa esfarrapada. Mas, nem tudo correu assim tão mal. A rapariga explicou-me que nunca tinha conhecido uma terra em que os seus habitantes não soubessem o que significava uma das mais preciosas palavras do mundo, sorrir. Após uma elaborada explicação e um pequeno treino de como sorrir, eu sentia-me diferente, sentia que por trás daquelas núvens infinitas se escondia o luminoso e brilhante Sol, que por trás de todos os pedaços de terra espalhados nos campos poderia haver flores das cores do magnífico arco-íris, sentia que tudo com que sempre vivi fosse melhor do que realmente é, sentia-me diferente.

Naquele dia, tudo mudou. Ensinei a toda a minha família e vizinhos como sorrir e o seu valioso significado, tudo graças à minha amiga, a minha primeira amiga.
Passados uns bons velhos anos, ainda sinto que a Zoey e os seus cabelos ruivos estão aqui para me apoiar e fazer-me estar feliz, mas infelizmente ela só esteve aqui, em Morland de féria durante um mês, e depois partiu. O importante é que mandamos cartas um ao outro e rimo-nos de episódios descritos ao pormenor por nós. Quem me dera que a Zoey voltasse...
A partir daquele encontro com a minha amiga, que eu tenho o pressentimento que se todos nós em Morland sorríssemos que afugentávamos as terríveis nuvens que sobrevoam a nossa cidade. E esse sim, é o mais desejado dos meus sonhos, pois “um sorriso vale mais que mil palavras”

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