O Miguel gosta de Braga

Ideias

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Paulo Monteiro

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“A primeira vez que fui a Braga já estava à espera de encontrar uma cidade grande e diferente de todas as outras. Mas fiquei siderado. Acho que Braga se dá a conhecer a quem lá entra, sem receios, ou desejos de impressionar”

A frase pertence a Miguel Esteves Cardoso e foi publicada no domingo na revista ‘J’, na edição do mesmo dia do jornal desportivo ‘O Jogo’.
Sempre fui um incondicional leitor de Miguel Esteves Cardoso, desde o tempo em que era director do ‘Independente’, até aos livros que escreveu, entre os quais o último intitulado ‘Em Portugal Não Se Come Mal’ ou ao romance, ‘O Amor é Fodido’.

A sua leitura marca a diferença. Uma diferença que me levou um dia a convidar Daniel Luís para escrever neste mesmo jornal. Num dia em que li um artigo do ex-futuro docente da Universidade do Minho fiquei admirado. Comparei-o a Miguel Esteves Cardoso, onde ambos aplicam a sátira de uma forma soberba.

Por esta razão não perco o ‘Passe de Letra’ de Miguel Esteves Cardoso ao domingo. E, então, esta última crónica deliciou-me. Finalmente vi, alguém de fora, e da capital, a dar valor à cidade de Braga que a descreve como moderna: “A primeira impressão foi a modernidade de Braga - pareceu-me Portugal, mas no futuro. E num futuro feliz. O Porto e Lisboa são mais provincianos do que Braga”.

Aliás abre mesmo a sua crónica com “Braga é fantástico. Às vezes, fica-se com a impressão que é Braga que deveria mandar neste país. Veio do Sporting de Braga o treinador que está a salvar o Benfica. Mas, mesmo sem esse treinador, o Sporting de Braga está em primeiro lugar”.

Este escritor, que se licenciou com a nota máxima em Filosofia Política na Universidade de Manchester, acabou por dar uma bofetada de luva branca a muitos que têm por hábito estar sempre a dizer mal da cidade onde vivem e que nunca estão satisfeitos. Miguel Esteves Cardoso acaba de abrir um livro e acaba por dizer bem de uma cidade “grande e diferente de todas as outras” e onde ficou mesmo “siderado”.

Compara Braga com o Porto e Lisboa. Fala dos provincianos e da comida, que nos outros lados têm defeitos, para dar mais valor a Braga. E diz mesmo que o Sporting de Braga é que está à frente no campeonato e tudo porque “é por ser de Braga. É uma coisa que, infelizmente, nem todos nós podemos ser”.

Política à parte, Miguel Este-ves Cardoso acabou por dar, como poucos, uma promoção à cidade de Braga. Ontem mesmo o seu texto circulava por todos os e-mails, o que confirma que esta criação acabou por marcar uma discriminação positiva da ‘Bracara Augusta’, como ele próprio a definiu.

É sempre bom ouvir alguém dizer bem da terra onde vivemos, quando nos últimos dias, e internamente, muitos se guerreiam apontando só os defeitos, sem olhar para as virtudes.
Todos, ou quase todos.... há algumas excepções. Há políticos que confessam as virtudes.
Mas lá diz Miguel Esteves Cardoso: “fique então apenas a gentileza de ficar aqui dito de ter pena de não ser”... bracarense.

Clubismos à parte, bairrismos de lado, esquecendo a tradicional gastronomia e petiscos da região, resta-me dizer algo muito simples: “boa Miguel!”

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comentários

O Libertino

02 de Dezembro de 2009 às 15:31h por Francisco Conceição

Também Luíz Pacheco andou pela 'idolátrica' a passear a sua libertinagem. Braga tem sido, por diversas vezes, favorecida com a presença de vultos das nossas letras e quase sempre a distinguem favorávelmente.

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