Vale Indústria 4.0 - ágil, simples mas com pouco dinheiro

Escreve quem sabe

autor

Rui Marques

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Até ao próximo dia 29 de setembro está aberto um concurso para apresentação de candidaturas à medida ‘Vale Indústria 4.0’. Trata-se de um sistema de incentivos ágil que pretende apoiar projetos simplificados de empresas na área da Qualificação e Internacionalização das PME, promovendo uma estratégia tecnológica própria, com vista à melhoria da competitividade da empresa, alinhada com os princípios da designada “Indústria 4.0”.

O “Vale Indústria 4.0” pretende, assim, disponibilizar às empresas portuguesas a elaboração de um diagnóstico que produza um conjunto de recomendações que lhes permitam a definição de um plano de ação conducente à digitalização dos processos, da interconetividade dos produtos e do ajustamento do modelo organizacional, de forma a anularem a barreira geográfica, utilizando as novas tecnologias.

Enquadram-se, neste sistema de incentivos, 3 tipologias fundamentais de intervenção:

1 - Implementação de processos associados ao comércio eletrónico, nomeadamente: desenho, implementação e otimização de plataformas de e-commerce, CRM - Customer Relationship Management, Campaign Management e WCM - Web Content Management; inscrição e otimização da presença em marketplaces eletrónicos; Search Engine Optimization (SEO) e Search Engine Advertising (SEA); Social Media Marketing; Content Marketing; Display Advertising; Mobile Marketing; Web Analytics.

2 - Implementação de outros processos associados à Indústria 4.0, tais como: sistemas de interconexão; realidade aumentada; fabricação aditiva; inteligência artificial; robótica; cibersegurança; sensorização e sistemas mecatrónicos para monitorizar e controlar processos e toda a cadeia de valor.

3 - Serviços de terceiros, incluindo assistência técnica, científica e consultoria em áreas de conhecimento relacionadas com as ações identificadas nos pontos anteriores e que se mostrem imprescindíveis à concretização da transformação digital do negócio da empresa.
Desengane-se quem pensar que se trata de uma medida desenhada para apoiar, apenas, empresas de base industrial. O filtro é colocado na tipologia dos produtos / serviços comercializados pelas empresas candidatas. São elegíveis os projetos de empresas que operem com bens transacionáveis - produtos ou serviços que sejam suscetíveis de transação nos mercados internacionais - independentemente do setor de atividade económica a que se dedicam.
O apoio a conceder às empresas é limitado a um incentivo máximo de 7.500 euros por projeto, correspondendo a um incentivo não reembolsável com uma taxa de 75% sobre as despesas elegíveis.

Ora, considerando o orçamento disponível para esta fase de candidaturas - 4,2 milhões de euros para todas as regiões de Portugal Continental -, estima-se que possam ser apoiadas cerca de 600 empresas neste concurso. Significará isto que, à semelhança de outras edições dos “Vales”, existirá uma grande seletividade nos projetos aprovados. O mesmo será dizer que, a maioria das candidaturas apresentadas, independentemente do mérito do seu projeto, não terão dotação orçamental disponível para apoiar a sua concretização.

Para condicionar um pouco mais o acesso ao sistema de incentivos e evitar que sejam sempre as mesmas empresas a beneficiar dos apoios do “Portugal 2020”, este concurso impede que os candidatos disponham de outras candidaturas aprovadas ou em fase de decisão nas tipologias de investimento “Qualificação PME”.

Limita, também, o acesso, apenas a empresas que disponham de pelo menos 3 postos de trabalho à data da candidatura, para evitar, presume-se, o surgimento de candidaturas de muitas das startups que se encontram num estado ainda muito precoce do seu desenvolvimento e que apresentam, por isso, um risco de mortalidade relativamente elevado.

Para além das condições acima mencionadas, neste concurso, cada candidato apenas pode apresentar uma candidatura e deve consultar pelo menos duas entidades acreditadas para este domínio de intervenção (“prestação de serviços na Indústria 4.0'), devendo a seleção da entidade encontrar-se concluída até à data da assinatura do Termo de Aceitação. A lista de entidades acreditadas encontra-se disponível no sítio do COMPETE 2020.

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