A bem da nação

Ideias

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Borges de Pinho

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Ainda está presente na memória de muitos, até porque não passaram tantos anos, o modo como se concluía a correspondência oficial, com um explícito e incontornável “A bem da Nação”, a que depois se seguia a indicação do cargo do signatário que se fazia acompanhar por um sarrabisco onde muitas das vezes se alapava um nome ou uma anódina rubrica. Outros tempos, outra política, outros interesses e outras mentalidades, que nem sempre o próprio tempo e as realidades do momento actual conseguem acompanhar e fazer compreender, sendo certo que na actual comunicação oficial, oficiosa e pública dos nossos dias, dos políticos aos governantes e entidades conexas, dificilmente um “A bem da Nação” poderia ter aceitação ou acolhimento, já que o “bem” e “Nação” são palavras que por regra não vêm nos seus dicionários nem são devidamente equacionadas nem associadas.

Na verdade, atendendo ao avolumado número de “berlindes” que vêm intervindo no “jogo” do poder, disputando um “buraco”onde se possam acolher, seria de todo utópico, inadequado e incontornável contra-senso imaginar ou sequer admitir que um singelo “A bem da Nação” possa ser subscrito por qualquer um deles. Tais “berlindes”, sejam de madeira, material sintético,vidro ou coral, cromados ou não, ou apenas esferas de um qualquer já usado “rolamento”, de modo algum se apresentam como solução para os problemas do povo face às suas tentação e única intenção de vencer o jogo, dê lá por onde der.

Um jogo viciado em que cada um procura “enganar”e “levar” o parceiro e o povo, numa disputa ruidosa e parlapatona de obter vantagens para conseguir enfiar o berlinde no almejado “buraco”. Um “buraco” nas administração e governança, que aliás é tido como o fim de todos os males e a meta ambicionada para a felicidade, riqueza, realização e satisfação pessoal. Não do povo nem da Nação, diga-se e sublinhe-se, mas desses “berlindes” que hoje invadem e enchem as TVs com descaradas mentiras, tolas parvoíces, patéticas promessas, caricatas historietas, ridículas baboseiras e esconsas ideias e a quem só interessa subir na vida, projectar-se socialmente, arranjar um “tacho” e defender o partido onde se “formaram” e se encostaram e do qual esperam obter mais “benesses”, “importância”e “compadrios”.

Assistindo-se aos debates neste período eleitoral, “estudando-se”os entrevistadores e intervenientes e ouvindo-os, alguns já experientes e bem “treinados”, não há pachorra nem estômago para aguentar os “manjares” e “acepipes” que propagandeiam e anunciam, sendo de todo impossível, e mero contra-senso, que finalizassem as suas intervenções com um qualquer “A bem da Nação”. Na verdade nos jogos da mentira em que se enrolam, tal nunca se conciliaria com a pestilência da política que os invade e domina, e que tão só faz gerar e alimentar saudades, e muitas, dos tempos idos. Aliás, uma pestilência que vem dando as mãos ao ridículo e insólito “gozo” de haver “berlindes” a pensar numa moeda (o Dom Sancho) para a sua região, outros a “desenhar” um aeroporto para Coimbra, irmãos em troca de lugar e posição, muitos figurantes “salta-pocinhas”, etc., numa panóplia de “loucuras” e “basófias” em que nada de definido, real e convincente se perfila como sendo a bem do povo.

E num momento em que a dívida pública, assustadora, continua a crescer e em que nem tudo, embora melhor, esteja assim tão bem quanto se proclama, pois já voltaram as greves, as queixas, as manifestações e os assobios (e até um legítimo receio de uma reversão aos tempos socrático-socialistas de má memória), interrogamo-nos seriamente se vale a pena desperdiçar dinheiro e tempo com os “berlindes” e “vendedores da banha da cobra”que hoje pontificam, sendo lamentável que Abril tenha sobretudo servido para fazer crescer, e assustadoramente, o número dos figurantes que vivem e pretendem viver à custa do contribuinte, gerando uma classe onde vem vingando gente sem carácter, sem vergonha na cara e que só pensa em dinheiro, honraria, projecção e nos interesses pessoais e familiares, e nunca, por mínimo que seja, num qualquer acto útil “A bem da Nação”.

Aliás, temos aqui arengado e lutado contra o esbanjamento dos dinheiros públicos num país cuja estrutura económico-político-social não possui capacidade, não suporta e não se pode dar ao luxo de ter tão pesados encargos em termos de governação e administração pública, central e local, pois não é possível apertar mais o “garrote” fiscal. Muitas das utopias e fantasias políticas, ditas democráticas mas de todo lunáticas, têm de ser repensadas, sendo de repudiar, e aqui muito justamente “A bem da Nação”, tão elevado número de deputados, autoridades, entidades reguladoras, provedores, institutos, fundações, e muitos serviços e empresas públicas de manifestas inutilidade e claro desperdício, etc., e reduzir assim o mundo de figurões que “sugam” os dinheiros do Estado, quando muitos não passam de carcaças de “dinossauros” ultrapassados e sem valia.

Loucuras de uma democracia que virou uma partidocracia de interesses, nepótica e de compadrios, em que vêm vingando subsídios vitalícios a ex-governantes e políticos, onerosas e contínuas eleições, subvenções a partidos, etc., etc., tudo num clima de “é fartar vilanagem!”.
Entretanto, e sempre num “A bem da Nação” (?!) de gente formatada em Abril, foram crescendo processos, corrupções, offshores, inexplicáveis fortunas, posições extravagantes, impensáveis comportamentos e malfeitorias, com todo um alavancar de políticos “prenhes”de afectos, empedernidos trapaceiros, astuciosos peroreiros, jogadores habilidosos, mentirosos compulsivos e fautores de um amiguismo que se quer revertido em benesses, favores e dinheiro. Numa “sem ver- gonhice” descarada que alguns media alimentam e apadrinham, “cavalgando” ou não a “geringonça”: aquela “alimária” criada pelo Costa, Jerónimo e Catarina e que o Pedro Santos vem levando pela rédea com um espírito bloquista e o ar sisudo de marnoto a tresandar ao “moliço”da ria.

Gostamos muito de Aveiro e ovos moles, mas incomodam-nos a pestilência da política e o miasma que evola de figurões “com lata”, sem pudor e sem vergonha, pelo que temos sérias reservas em jogar ao berlinde nas próximas eleições, para mais quando os próprios “berlindes” nos suscitam dúvidas quanto a qualidade, valia, seriedade e honestidade bastantes para os enfiar no “buraco”. Aliás, perante a loucura dum poder local de conveniências, tão gravoso e dispendioso, gastador de dinheiros públicos e penoso para os contribuintes, é com profunda saudade que recordamos o Augusto Canicinho, Presidente da Junta, e o Matos, o Regedor, que nos nossos tempos de criança, à borla, mas com atenção e zelo, cuidavam dos interesses da freguesia, num poder local de mínguas e barato, diga-se, mas onde vingava um “A bem da Nação”, o do povo.
Resolvendo problemas e conflitos, às vezes com a ajuda dos Cabos, organizando e fixando as “covas” e “buracos” do jogo e logo pontapeando para longe os “berlindes” interesseiros, loucos e aluados que já então surgiam. E sem necessidade de fazer promessas de criar uma “moeda” ou de “fazer“ um aeroporto!...

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