Campanha para as autárquicas, ou nem por isso!...

Ideias

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Artur Coimbra

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1. Estamos em plena campanha eleitoral para as autárquicas do dia 1 de Outubro.
As rotundas, os cruzamentos, os arredores das igrejas e os espaços mais visíveis das localidades estão emoldurados por cartazes propagandísticos, alguns de bom gosto, seguramente, outros de gosto duvidoso, com todo o tipo de mensagens políticas, que têm em comum a invariável e banalizada promessa de fazer mais e melhor, de manter quem está no poder, ou de apelar à mudança, em caso contrário, de olhar mais e melhor para as “pessoas”, esse conceito sacrossanto e abstracto que tudo e nada diz, porque pessoas somos todos, todos diferentes, nada iguais, com interesses, formações, pontos de vista, ambições absolutamente díspares.
As feiras e os mercados, como as ruas, estão a ser cenários de beijos a esmo e abraços a rodos. Os candidatos, seja qual for o seu quadrante, conhecem neste período toda a gente que lhes passa pela frente, e que no resto do ano poucos conhecem, distribuindo simpatias, brindes, bandeirinhas e propaganda eleitoral. Um forrobodó de alegria e de animação, sem dúvida, que se esvairá no dia imediato ao acto eleitoral, conhecidos os resultados, as vitórias de uns e o desaire dos restantes.
As candidaturas afadigam-se em convencer os eleitores para as suas ideias, não raro de forma demagógica e intempestiva.
Todavia, e como sempre acontece por estas alturas, ao lado de uma propaganda mais local, a que mais interessa e empenha as populações, mais parece que estamos em plena campanha para as próximas eleições legislativas.
Os líderes dos principais partidos políticos descem às localidades, fazem um périplo pelo país, é verdade. Vão a feiras e mercados, acompanham os candidatos locais em arruadas, em jantares e comícios mas, claramente, estão-se nas tintas para o que as populações dos concelhos ou das freguesias necessitam, ao nível do saneamento básico, das acessibilidades, do urbanismo, da cultura ou da educação. Isso é apenas o pretexto.
O resto não tem nada a ver com as eleições autárquicas.
Porque o que prevalece é uma agenda própria e um discurso nacional dos líderes.
As televisões, as rádios e a grande imprensa não estão minimamente interessadas nos problemas ou nas potencialidades das autarquias do interior, ou nos projectos dos seus candidatos.
Não é isso que lhes interessa. O que importa, a políticos e aos media, é a abordagem do que se passa a nível nacional, por muito pouco ou nada que diga aos eleitores das localidades.
Se a aliança estratégica de esquerda se vai aguentar aquando da discussão do Orçamento de Estado para 2018, e parece não haver dúvidas que a sua estrutura é sólida.
Se os partidos de direita apresentam ou não propostas para o documento.
Se os impostos vão baixar ou se as pensões vão subir.
Passos Coelho vai a Cebolais de Cima ou a Cabeçais de Baixo, não para se inteirar dos problemas dos idosos ou das crianças, mas para criticar o governo de António Costa, porque a sua sobrevivência política depende muito dos resultados destas eleições, que os barões do partido estão de espadas afiadas à espera dos deslizes.
António Costa, de igual modo, defende-se com os números de um desemprego cada vez mais reduzido, embora ainda alto e com o desempenho genérico da economia, a descida do défice, a recuperação do poder de compra dos consumidores e a devolução de direitos e rendimentos a trabalhadores e reformados.
Assunção Cristas joga todo o seu futuro no contexto da direita no resultado do embate eleitoral de Lisboa, e quando fala não é para Fernando Medina que se dirige mas para António Costa, o bombo da festa.
Bloco e PCP divertem-se em jogos florais, sobre quem tem mais poder autárquico ou quem era contra maiorias absolutas e agora as reclama.
E por aí se vão debatendo, nas vilas e cidades deste país, em tempo de eleições locais, através da comunicação social, questões como a lei da imigração, o descongelamento das carreiras dos funcionários públicos, o reforço do investimento público, agora que as condições financeiras do país estão a desanuviar, o silêncio do governo sobre questões europeias (em autárquicas é mesmo ponderoso levantar este tipo de temas…), entre outros assuntos de inquestionável interesse para os eleitores que têm de decidir quem é o mais competente para governar a câmara da sua cidade ou a junta da sua freguesia.
Como alguém escrevia esta semana, muito certeiramente, “enquanto fazem campanha local com a mão esquerda, os líderes fazem campanha nacional com a mão direita”.
Para os líderes partidários e para a comunicação social as eleições autárquicas são apenas o palco de uma disputa política que é diária e vai decorrer até às próximas legislativas de 2019.

2. A oito dias das eleições que mais interessam aos eleitores locais, importa sobretudo, e fundamentalmente, combater a abstenção, que tem sido desgraçadamente o partido vencedor em sucessivos actos eleitorais.
Só tem direito a reclamar perante o governo da sua câmara ou da sua junta quem exercer a sua soberania em 1 de Outubro, participando activamente, através do voto, na construção da res pública local.
Quem se demite, pela abstenção, de participar na eleição dos seus autarcas, está a pactuar com a eleição de quem porventura não seja do seu agrado.
Mais que um direito, que custou tanto a conquistar, votar é um dever cívico.
Não o esqueçamos!

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