Atracção urbana das cidades

Ideias

autor

Filipe Fontes

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Perante a multiplicidade de temas referenciados no último texto - habitação, reabilitação urbana, mobilidade, turismo e floresta - que demonstram que a(s) cidade(s) serão sempre realidades tão apaixonantes quanto complexas, tão desafiadoras quanto arriscadas, e porque o verão é (inevitavelmente) sinónimo de turismo (que tanto se debate), importa reflectir (ainda que brevemente) sobre o que fazer e, não menos importante, como fazer em função de uma realidade que, hoje, traduz um contexto de qualidade e atracção urbana das cidades muito positivo, uma capacidade de fixar visitantes e turistas nunca antes “vista”. Desde logo, respondendo à pergunta “há alguma coisa para fazer ou tudo isto, antes desejado, hoje começado a ser entendido como exagerado, é simplesmente natural e inevitável?”
Ou seja, devemos “cruzar os braços” porque se trata de uma “bolha que crescerá até rebentar” ou “fomentar alterações para que perdurem e alimentem as mesmas cidades?”

Muito mais do que tomar posição, julga-se visibilizar alguns aspectos que, ao autor deste texto, se afiguram objectiváveis e, por isso, de alguma forma, factuais:

• As cidades são e estão (hoje) superiormente atractivas, sendo espelho da sua qualidade e trabalho contínuo realizado;
• O turismo foi, e é, há muito desejado como fonte de receita e projecção de um reconhecimento qualitativo que todos, sem excepção, ambicionavam;
• (mas) as cidades não são “salas de espectáculos” ou museus que se visitam e usufruem num determinado horário e, depois, encerram para preparar o dia seguinte;
• As cidades são o suporte físico da vida das pessoas e existem pela necessidade de comunicação, trocas comerciais e de relacionamento das e entre os seres humanos. Ou seja, não são pretextos para outras actividades, são o suporte à exclusiva actividade humana;
• (como tal) as cidades precisam de ser vividas continuamente e de forma continuada, sem amarras ou horários, com todos os seus problemas, desafios e necessidades que o “habitar urbano” exige e projecta.

Face a este conjunto de aspectos, é convicção de que não é possível à cidade viver apenas do turismo e ser só turismo - como se fosse possível a sua disneysificação repleta de fotografias, eventos e representações. Mas também não é possível à cidade negar ou renegar o turismo, esquecendo que o mesmo faz parte dela (negando ou renegando como se fosse uma ilha à qual se acede com autorização especial).
Porque assim é, acredita-se que o caminho (que não é fácil nem linear, muito menos consensual) far-se-á em função de três palavras: política, mistura e regulação.

Política no sentido estrito da palavra - gestão da cidade - expressando uma “ideia de cidade”, um caminho a percorrer que permita, a todos, entender para onde a cidade se projecta e de que forma as suas várias facetas ou actividades se poderão encaixar (na verdade, hoje, sabemos ver como estão hoje as cidades. Não sabemos como será o dia de amanhã. E temos medo que tudo seja uma “bolha” que rebente. E tudo liquidifique).
Mistura que significa a verdadeira natureza de uma cidade, feita de diversidade, contradições, omissões e desafios. Feita sobretudo de mistura de géneros, raças, actividades, de um sentido democrático que importa nunca perder (e que, na verdade, processos como a gentrificação ou desertificação dos centros são sinais de perigo e aviso impactante).

Regulação como exercício prático de gestão e equilíbrio, como meio de não proibir antes dosear, não interferir antes ajustar. E, sendo um exercício político, esta regulação é a forma mais democrática de melhor atender à complexidade do tema, deixando a liberdade fruir e a opção se afirmar sem prejuízo da fixação de regras comunitárias que todos aceitam e praticam.
A realidade que hoje constatamos é complexa mas incontornável. Não é uma fatalidade nem a “galinha dos ovos de oiro”. É um fenómeno, como outros actuais, desejado mas que ninguém esperaria tão acentuado, predador e rápido.
Dir-se-á que é sinal dos tempos. Talvez! Importa é não esquecer de que é feita a cidade e não tomar a parte (processo) pelo todo.
A cidade é de quem habita e trabalha, visita e conhece. E é feita de mistura. Que deve ser regulada. Pela Política. Talvez seja este caminho para a felicidade!

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