Nós, os enfermeiros

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Os enfermeiros estão em luta.
Averdade é que desde 2009 que a carreira dos enfermeiros parece tirada de um filme a preto e branco - e sem humor. Linear, sem graça, sem vontade. Não podemos dizer sequer que a carreira se encontra “congelada”. Encontra-se apenas… Fora de prazo, como que esquecida num qualquer canto da dispensa. Sem jeito e sem reflexo da realidade. Com personagens como “Enfermeiro” e “Enfermeiro Principal” na sua constituição - esta última personagem ninguém sabe muito bem o que é, existindo numas linhas escritas e fictícias.

Os enfermeiros estão em luta.
São muitos. Não parecem… Mas são. São uma Enfermagem com muitas pessoas. São profissionais habilitados, com formação reconhecida e estudos de excelência em Portugal. Os outros países olham para a formação académica dos nossos enfermeiros como um exemplo. Dão cartas a nível internacional, tanto a nível técnico como a nível científico. A existência de uma Ordem é igualmente um exemplo. Ao serem muitos começam igualmente a fazer muito barulho, a incomodar - uma chatice, na realidade. Mas querem ser ouvidos. E querem aquilo que é justo.

Os enfermeiros estão em luta.
Um enfermeiro especialista, de acordo com o Regulamento do Exercício Profissional dos Enfermeiros (no nº3 do Artigo 4º do Decreto-Lei n.º 161/96, de 4 de Setembro, alterado pelo Decreto-Lei n.º 104/98, de 21 de Abril), é “(…) o enfermeiro habilitado com um curso de especialização em enfermagem ou com um curso de estudos superiores especializados em enfermagem, a quem foi atribuído um título profissional que lhe reconhece competência científica, técnica e humana para prestar, além de cuidados de enfermagem gerais, cuidados de enfermagem especializados na área da sua especialidade.”.
Ou seja, os enfermeiros querem ser recompensados por aquilo que valem. E o seu valor económico vai muito além dos salários atuais. O seu valor económico pressupõe o reconhecimento das suas competências, da sua especialidade, do seu desenvolvimento enquanto profissionais de saúde.
Os enfermeiros estão em luta.
Há uns anos atrás escrevi uma dissertação de Mestrado sobre a qualidade de vida no trabalho dos enfermeiros. Que, já na altura, em 2010, andava nas ruas da amargura - mas que, pelos vistos, não tem apresentado grandes melhorias. Esta qualidade de vida no trabalho inclui, entre outras variáveis, a promoção do desenvolvimento de capacidades do trabalhador, a conciliação da vida profissional com a não-profissional, a promoção da saúde e bem-estar e, por último, a segurança na carreira e no emprego. E os enfermeiros, no momento atual, o que têm a revelar sobre isto?

Os enfermeiros estão em luta.
Este novo ano letivo traz sempre novas esperanças. O início das atividades académicas permite-nos olhar, como professores, com alento para as novas gerações. Sabemos que a Enfermagem não vai parar, desaparecer, e que os enfermeiros se mantêm como exemplos para os mais novos que se encontram no início deste trilho.
Porque às vezes parece isso mesmo - um trilho acidentado, em que são precisas botas de montanha e vestuário apropriado para o tempo agreste. Mas é um trilho que é feito com dedicação. E vontade.

Os enfermeiros estão em luta.
Estão. Estão em luta. O seu valor social deve ser revisto. O seu valor económico deve ser revisto. Os seus deveres para com a profissão devem ser igualmente revistos.
Os enfermeiros têm a obrigação da atualização académica e científica, da atualização técnica e humana. Têm que olhar para dentro de si, como Enfermagem e ver mais além. Ver o passo a dar em frente e os caminhos a seguir. Existiram divisões no passado? Sim. Mas para que sejam para concertar no futuro. E para os próprios enfermeiros reconhecerem a sua importância.
As eleições estão aí mesmo a bater à porta. As autarquias serão munidas de gentes e mentes diferentes, preparadas - esperamos nós - para trabalhar e saber reconhecer a importância da Enfermagem, essa profissão que traz a qualidade dos cuidados de saúde. E, os senhores políticos, no momento atual, o que têm a dizer sobre isto?

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