A expressão nacional das eleições locais

Ideias

autor

Manuel Barros

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Hoje é, mais uma vez, dia de eleições! Vamos escolher os representantes políticos mais próximos das nossas comunidades. Os responsáveis pela formulação, implementação e execução das políticas públicas locais, e as que mais tocam a vida das pessoas. As mais próximas e as que mais, diretamente, influenciam as suas vidas. Por isso mesmo, são também as mais disputadas.
Consubstanciam uma participação cívica empenhada e de aposta em pessoas. Onde muitas vezes, os partidos políticos são ofuscados, por outras organizações temporárias que representam as candidaturas independentes, que realçam as pessoas, omitindo muitas vezes as siglas partidárias. Concentrando o confronto politico partidário nas duas grandes cidades, deixando salpicar alguns laivos desta dinâmica, para mais algumas cidades, em que Braga tem vindo a pontuar, a par de outras, que ainda vão resistindo.
Apesar do universo local das eleições autárquicas, são cada vez mais dimensionadas num contexto nacional. Fazendo com que os eleitos locais sejam secundarizados, e muitas vezes esquecidos. Fazendo com que as atenções sejam centradas nos lideres nacionais dos partidos, ou nas figuras consideradas nacionais. Uma situação que se seria muito mais acentuada, não fora o papel crucial e a todos os títulos louvável, da comunicação local e regional.
Esquecidos por força de uma lógica centralista, que confirma uma tendência nacional, que teima em resistir. Uma força que insiste em ofuscar as elites locais, em favor do condomínio central do poder político, que se encarrega de concentrar a decisão, que tem vindo a crescer desde a implantação do regime democrático em Portugal, com sede na Assembleia da República e nas sedes nacionais dos partidos.
Os partidos políticos, como organizações estruturantes da democracia, têm uma grande responsabilidade em todo este processo. Pelos desentendimentos internos que não conseguem resolver, pelo desvario ideológico de “Catsh all”, Pela indefinição, pela ganância para agradar a todos e pela forma imediatista e sazonal, com que pensam os programas e as políticas para os mandato de quatro anos, que se podem prolongar pelo período legalmente estabelecido.
As matemáticas e as estatísticas eleitorais sucedem-se. Mais marteladas ou menos marteladas, com algumas instituições credíveis a prestarem-se a papeis que as podem desacreditar. Destruindo a verdade de mecanismos úteis aos cidadãos e aos próprios partidos, em relação à gestão do processo político, que uma campanha eleitoral encerra.
A campanha eleitoral para as autarquias locais (freguesias e municípios), não é uma tarefa fácil. Tudo se repete ciclicamente, sem que a sua dinâmica inovadora supere velhos instrumentos, métodos e discursos se repitam, com algumas honrosas e dignas exceções. Não sendo ainda suficientes, para que o país seja visto e acompanhado de forma mais equitativa. Apesar da proliferação de debates, mesas redondas, seminários e outras iniciativas, que forma assegurando uma cobertura mediática que se mostrou mais ativa e diversificada.
Na leitura de reputados analistas, o país não está a deixar que as elites locais se afirmem, e mitigadas pelo “alter ego” das lideranças nacionais. Como podemos confirmar nas eleições disputadas em Lisboa e no Porto, onde não interessou tanto se os candidatos vão ganhar ou vão perdem. Interessando mais qual o efeito que esses resultados, vão ter no quadro político nacional. Qual o resultado mais relevante? O número total de votos, o número de municípios, ou o número de freguesias. Uma perspetiva reducionista que em nada favorece a participação dos cidadãos, que acaba por se estender ao contexto nacional.
Neste caso, será oportuno referir Francisco Sá Carneiro, quando afirmava que “nos cabe cada vez mais dinamizar as pessoas, para viverem a sua liberdade própria, para executarem o seu trabalho pessoal, para agirem concretamente na abolição das desigualdades. Para isso, mais importante do que a doutrinação, é levar as pessoas a pensarem, a criticarem e a discernirem o futuro das suas terras”. Um grande sinal, da expressão nacional do poder local e da sua valorização.
Palavras que extravasam o quadrante ideológico em que se enquadra o seu autor, retratam uma preocupação que o fulgor da campanha não se deve apagar a seguir. A cidadania e a participação continuam a ser fulcrais. apesar das idiossincrasias da democracia, que se exibem nas campanhas eleitorais. Mais visíveis nas autárquicas, por centrarem a continuidade da participação cívica, na resolução dos verdadeiros problemas das pessoas.
A escolha dos autarcas é, seguramente, é um dos mais importantes atos de participação cívica e política. Pela proximidade e pela identificação pessoal dos cidadãos, com que assume os destinos da comunidade ao longo de quatros anos em que, onde a abstenção deve ser combatida, para que a legitimação e a representatividade sejam reforçadas.
No entanto, para que este desiderato seja alcançado, devem os eleitos locais ser postos no lugar que merecem. Apesar de muitas vezes pouco sabermos dos seus programas, por falta de divulgação e informação, muitas vezes ofuscadas, pelas picardias de âmbito nacional, a que se juntam, os candidatos independentes, que se vão perdendo em acerto de contas pessoais, sem que apresentem grandes ideias para os respetivos territórios, ajudando a que o destaque seja centrado nos líderes nacionais dos partidos. Juntando-se a este obstáculo os devaneios em torno de projetos e ambições justas, concretas e necessárias, e na disputa dos campeonatos de notoriedade. Desvarios em torno de medidas demagogicamente inovadoras, ou de lutas corporativas, que nada têm a ver com a missão do poder local, em desfavor de problemas e ambições legítimas dos autarcas, e das necessidades concretas das populações.
Como é o caso dos transportes. Sendo um esforço de grande dimensão, e apesar dos avanços já concretizados, continua a ser um setor onde é imperativo investir e assumir riscos. Face às incertezas em relação às políticas de coesão e de fixação das populações nos territórios, que estão a perder população, perdendo-se, irresponsavelmente, em preciosismos, com é o exemplo da “separação de sexos”, a cor da capa dos documentos, e outros pormenores, que poderíamos elencar. Enfim, muito mais há para dizer, que ficará para próximas reflexões. O poder local e a nova geração de autarcas saídos destas eleições merecem. É, por isso importante, ir votar!

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