As pessoas em primeiro lugar

Ideias

autor

Filipe Fontes

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Tal como o primeiro texto do mês de setembro perspectivava, confesso que o tema escolhido para estas palavras balançaria entre a habitação e a reabilitação urbana, entre uma política de habitação social ou uma política social de habitação, entre reabilitar para devolver ou construir para somar.
Mas, confesso novamente, não resisto a abordar o recente acto eleitoral e de uma forma preocupada (no bom e estrito sentido do termo) e imparcial (tanto quanto possível) partilhar / com os leitores / reforçar perante os leitores (mais) alguns desejos de prática diária que, espero, os eleitos (sem excepção) sejam capazes de abraçar e promover.

Porque, na verdade, como pessoa, tenho preferências. Como munícipe, tenho necessidades. Como funcionário público, devo imparcialidade. Como cidadão, devo a minha participação. E a exigência de uma representação digna. E tão boa quanto prometida!

Assim, e sem grande preocupação hierárquica de importância ou relevância:
• Passado o tempo da promessa e da intenção, não deixar de abraçar a realidade sem perda da esperança. Saber fazer o ajustamento do nosso sonho à realidade que encontramos sem deixar de honrar a promessa feita é sinal de esperança que a comunidade merece. E precisa para a sua sã convivência. E caminho de felicidade;
• Falar verdade e esclarecer a verdade, nunca esquecendo que a política e a gestão da “coisa pública” faz-se do confronto e da dialéctica entre opções e ideias. Nunca entre um altifalante que só amplia o ruído de epifenómenos ou falhas que não acrescentam (apenas pretendem perturbar) e o martelo que só deturpa e ajusta a realidade à interpretação parcial e enviesada de uma parte (fazendo do “meu ponto de vista” a “verdade a considerar”;
• Ter sempre presente que entre uma máquina - que é a instituição municipal - e as pessoas - que é o fim último - estas devem prevalecer sobre a primeira.
A gestão da “coisa pública”, a máquina administrativa, técnica e política existe para servir as pessoas. Nunca para se alimentar a si mesmo, num processo de abstracção que esbarra no concreto da realidade.
E se às pessoas assiste o dever da compreensão e da aceitação do interesse público, à máquina assiste o dever de educar e informar. Para que, no fim, todos sejam devidamente formados. No seu papel, na sua acção;
• Sem demérito, antes reconhecimento, generalizar o quanto todos são importantes para este processo: quem gere e governa, que possui o dever (e o direito) de ousar, propor, avançar e liderar (tendo sempre presente a importância do saber ouvir e a sabedoria da síntese); quem “faz oposição” (maneira estranha de designar quem participa na gestão da “coisa pública”, mesmo sem funções executivas), que possui o dever (e o direito) da crítica atenta, da revisão e contraproposta, da interrogação e monitorização (tendo sempre presente a importância de se fazer ouvir e a sabedoria do contributo); quem vive o território que tem o dever (e o direito) de exigir e aceitar, participar e acatar, nunca se demitindo de lutar por um dia de amanhã melhor. E de exigir aos seus representantes, igual esforço e labor.
• Cultivar o exemplo que mais não será do que ser positivo e caminhar solidariamente. Porque, na verdade, se cada um desempenha um papel, é uma parte do processo, nada resiste e se suporta se os elos e ligações entre as partes não se robustecerem e solidificarem as relações. (Também) a isto se chama solidariedade.
Se assim for, acredito que serão anos produtivos e bem-vindos. E serão anos de crescimento e partilha.

Afinal, na dialéctica entre o realismo, a interpretação dos factos, a máquina, o falar e acrescentar, e a esperança, a verdade, as pessoas, o ouvir e sintetizar, é disto mesmo que o território precisa: crescimento enquanto sinal de riqueza e bem-estar; partilha enquanto comunhão e coesão. Ou seja, satisfação do eu e do nós.
Creio que foi para isto que a cidade foi inventada…

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