Lugares com alma, saber e tudo

Escreve quem sabe

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Anabela Guimarães

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Há espaços tão completos que convidam tanto ao usufruto e contemplação, como à reflexão e mesmo interesse em descobrir mais e mais sobre o lugar. Espaços únicos, amplos, abertos, esplendorosos na sua integridade, majestosos na forma aberta como nos recebem, enlaçam e suavemente nos transportam, num colo protector e secular de sabedoria e beleza, numa viagem do tempo com paragens cruzadas onde se visita o passado, se sente o presente e se adivinha o futuro.

Com direito a sonho e admiração sem limites, num abrir de boca mental e feliz, porque não raras vezes a emoção se apodera de nós. Um local onde a arquitectura questiona o saber, porque logo nos enquadra e situa numa janela do tempo. A arquitectura dá-nos o mote para pensar o lugar, entrar no espírito do lugar, a alma dos que habitaram aquele espaço e permitiram que ele agora seja continuidade na nossa presença e questionamento da história que transmite. E se falarmos de um espaço monástico, pois é de um mosteiro (ou convento) que falamos, os horizontes alargam-se infinitamente. As imagens de monges ou frades sábios, discretos e trabalhadores, renascem nos mais variados recantos, orando nas capelas ou igrejas ou cantando no coro, debruçados sobre um livro nas suas celas ou nas bibliotecas, trabalhando no jardim ou na cerca, procurando o sol para se aquecer ou a sombra para se recolher.

Num mosteiro beneditino, a arquitectura seguindo a Regra de São Bento, preocupou-se não só com os espaços físicos, mas também com a espiritualidade do lugar, sendo que até consta que S. Bento apareceu em sonhos a dois monges instruindo-os na construção de um Mosteiro. Os claustros, atravessando diversas concepções ao longo dos tempos, começaram por ser um espaço onde convergiam a igreja, os dormitórios, a cozinha, inspirados nos átrios das casas romanas. Mais tarde foi adquirindo o estatuto de convergência dos principais espaços, construído normalmente ao lado da igreja, incluindo a biblioteca, sala do capítulo, sacristia.

De influência romana, gótica, barroca, árabe ou romântica, são locais míticos de inspiração garantida, queiramos apenas deixar-nos impregnar pela magia do lugar. Da inicial função de local favorável a diversas actividades quotidianas dos monges, além de orar e ler, lavar e secar roupa, dado normalmente lá se encontrar o lavatorium, passou ao longo dos tempos para um lugar mais espiritual, de passagem quer para a igreja, quer usufruindo o lugar como inspiração para meditação ou espaço intermédio entre as orações e o silêncio.

Actualmente estes espaços são utilizados muitas vezes como palco para actividades culturais, concertos, teatro, performances. A imaginação é o limite para o usufruto deste lugar tão abrangente, acolhedor, repousante e sobretudo inspirador.
Os espaços monásticos têm esta magia. Os conventos e mosteiros são locais extraordinários para uma visita esporádica onde se pode retemperar forças, aproveitar para descansar ou para educar e sensibilizar sobretudo os mais jovens no inicio de viagens fantásticas e pedagógicas que despertem neles a curiosidade pela história, arte, agricultura, vida espiritual, enfim, um mar de áreas onde possam ser tão felizes a desfrutar, como a cultivar a sua formação.

Já que falamos em conventos e mosteiros, há contudo uma distinção. Normalmente os conventos designam ordens religiosas construídas dentro ou perto de zonas urbanas, ao contrário dos mosteiros, edificados mais longe, mas estes factores distintivos não são regra. Nestes os habitantes pertencem a ordens monásticas - as mais conhecidas são a de S. Bento, de Cister, de São Jerónimo e Trapista - e nos conventos a ordens mendicantes, S. Francisco, Carmelita, Santo Agostinho e Dominicana ou dos Pregadores.

Esperamos ter despertado a vontade de visitar um destes espaços! Temos muito por onde escolher em Braga, cidade com valiosissimo património arquitetónico religioso, mas claro que o lugar mais evidente é o Mosteiro de Tibães. Um lugar com forte identidade, um paraíso aos nossos pés, onde além de toda a história que os monges beneditinos nos legaram, quer materialmente no património edificado mas também em saberes e sobretudo espiritualmente, há todo um mundo por descobrir.

Temos arquitectura, jardins refrescantes com escadarias e recantos para ler e sossegar, fontes, um lago tranquilo ideal para apurarmos os ouvidos em busca do som maravilhoso da água, uma horta que mais parece um quintal dos nossos avós. mesmo que o nosso olhar se perca na cerca que envolve o mosteiro, livros para consultar e comprar, um restaurante para degustar e uma hospedaria para pernoitar. E tanto mais! Mas nos próximos artigos continuaremos a falar tanto deste magnifico espaço, como de outros mosteiros e conventos do nosso distrito, terra rica em majestosos e abençoados lugares onde nos podemos refugiar da vida de todos os dias, fugindo de hábitos que nos aprisionam em malhas apertadas de rotinas limitantes.

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