Os tempos mudaram na política nacional

Ideias

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Manuel Barros

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As primeiras eleições autárquicas em Portugal, foram em 1976. Desde então, já fomos 11 vezes às urnas, para eleger os nossos governantes locais. Este ano, houve cerca de 12 mil listas candidatas, e mais de nove milhões portugueses inscritos para votar. Num universo muito diferenciado, em relação à estrutura das equipas de governo local, no que diz respeito ao número de vereadores. Dependendo da dimensão de cada concelho e da sua população, esse número pode ir de cinco a dezasseis, à exceção de Lisboa, que conta com um executivo de dezassete elementos, em que o Porto conta com apenas com treze membros, incluindo os respetivos presidentes de câmara.
A oportunidade informativa deste assunto, e o interesse da opinião pública sobre este tema, está muito vivo, e presente na vida das comunidades locais em todo o território nacional. Marcada pelos eventos e cerimónias de tomada de posse dos novos titulares dos órgãos de soberania local, apesar de, entretanto, se precipitaram outros acontecimento políticos, que estão a marcar a agenda política nacional. As eleições autárquicas são cada vez mais dimensionadas num contexto nacional. Fazendo com que os eleitos locais sejam secundarizados, e muitas vezes esquecidos, e as atenções sejam centradas nos lideres nacionais dos partidos, ou nas figuras consideradas nacionais.
Uma tendência, que vai teimando em resistir, e veio a confirmar-se, mais uma vez logo na noite das eleições, com uma intensidade muito vincada, neste ato eleitoral. Uma força que insiste em ofuscar as elites locais, em favor do condomínio central do poder político, com sede na Assembleia da República e nas sedes nacionais dos partidos. Esta eleição autárquica aprofundou esta realidade, e a vitória inequívoca do PS foi a grande confirmação. Assumindo-se como o plebiscito que António Costa necessitava, para legitimar do ponto de vista político, a gerigonça e a sua nomeação como Primeiro Ministro, sem que efetivamente, tenha ganho as últimas eleições legislativas.
Os resultados alcançados, pela atual governação são bons, e a esperança dos portugueses está marcada pelo otimismo. Um resultado que depende, indubitavelmente, das apostas do executivo em funções. Apesar do seu sucesso ser, simultaneamente, uma consequência das reformas e medidas tomadas, pelo governo anterior, sendo inegável a sua impopularidade, o sacrifício de todos os portugueses.
António Costa ajudado pela conjuntura favorável, conquistou o reconhecimento de uma maioria muito significativa, pela perspicácia política, pelo engenho e pela arte de fazer funcionar uma solução governativa, cuja unidade depende das cedências do governo ao BE e à CDU, que no dizer do Prof. Vital Moreira, poderá revelar-se a médio prazo, muito cara para o país. Vamos esperar para ver.
Entretanto, foi apresentado o Orçamento do Estado para 2018. Num serão tardio, mas trouxe boas novidades, e ficamos a conhecer o “orçamente de proximidade”, na perspetiva de Mário Centeno. Pelos vistos, aquém das expetativas dos parceiros que compõem esta congregação de interesses políticos, que teima em não ser uma autêntica coligação de esquerda. Numa apresentação longe de ser tranquila, exigiu uma resposta do Ministro da Finanças, ao alerta do Presidente da República, em relação resistência dos políticos às “tentações eleitoralistas”.
A saída de cena do Presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, foi outro facto político que marcou a atualidade ao longo das últimas duas semanas, num ato de grande dignidade e com uma atitude consentânea, com o exercício do seu mandato de primeiro ministro. Um mandato marcado pela adversidade de um contexto, muito difícil para o país e para a economia europeia e mundial, com uma coragem pouco comum enfrentando alguns interesses instalado desde o 25 de Abril. Num ambiente de banca rota, que exigiu um grande esforço à classe média, num percurso não isento de erros.
Cumpriu a sua missão. Deixou um país melhor do que encontrou, permitindo a desenvolvimento da atual política de abertura e proximidade, virada para as pessoas, que estamos a ver acontecer. Foi um pragmático executor de um programa de ajustamento, a que o País esteve submetido, que criou uma intensa animosidade, que se veio a repercutir nas eleições legislativas, que apesar de todas as controvérsias, acabou por vencer sem maioria. Apesar de alguns excessos e erros, ainda assim evitou a descredibilização do país, e assegurou este futuro melhor, que estamos a viver, recuperando os direitos que, temporariamente, nos foram retirados.
Nesta perspetiva, temos que ser justos a fazer as contas com a história. Temos que agradecer a Passos Coelho o serviço que prestou ao país, da mesma forma que aplaudimos o trabalho de António Costa, pelos resultados que estão a ser atingidos pela economia nacional, apesar das opiniões e interpretações favoráveis e desfavoráveis, dos mais eloquentes economistas, políticos e académicos.
Dois anos depois Passos Coelho perdeu a eleições locais, com um resultado agravado por algumas opções e escolhas, e fez um discurso de derrota eivado de sinceridade e lealdade com o partido e com o País. Entretanto, o PSD iniciou a seu processo de sucessão, com duas candidaturas confirmadas. Um tema a que vamos regressar, pela importância do partido, para a coesão e sustentabilidade do nosso sistema político.
António Costa com esta vitória, conseguiu ganhar as legislativas de 2015. Ao longo deste tempo, que separa as legislativas das autárquicas de 2017, trabalhou para apagar aquela derrota. Só o PS ganhou, nestas eleições autárquicas.
Na mesma linha, o PCP faz as contas ao que perdeu. Mário Nogueira, Arménio Carlos e Ana Avoila estão a preparar planos, para justificar que o PCP foi derrotado nas urnas, mantendo-se vivo, através do poder dos sindicatos, que se mantem vivo e intacto. O BE comemorou, efusivamente, uma vitória que ninguém percebeu. Agora faz contas ao que não ganhou, correndo atrás do prejuízo, numa defesa entusiasta do Orçamento do Estado, que afirma não ser seu. Parecendo esquecer, a demagogia tem a perna curta.
Enfim! Os tempos mudaram, e as eleições autárquicas de 2017, foram as que registaram a maior expressão nacional de sempre!

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