Rescaldo Eleitoral

Ideias Políticas

autor

Pedro Sousa

contactarnum. de artigos 103

No passado dia 1 de Outubro, realizaram-se, em todo país, as eleições autárquicas, as eleições que mais me dizem, aquelas que, pela proximidade, pela envolvência, considero a verdadeira celebração da democracia.

No plano nacional, a vitória do Partido Socialista não deixou dúvidas para ninguém.

O PS venceu as eleições em 165 dos 308 Concelhos do País, conquistou 1302 Juntas de Freguesia, foi o partido mais votado em 16 dos 18 distritos do país e, também, na região autónoma dos Açores, naquela que foi a maior vitória de sempre de um partido em eleições autárquicas.

Feito este introito, quero, agora, falar de Braga, do nosso concelho, da nossa terra.

Quero, antes de ir à análise mais fina dos resultados, deixar um elogio público a todos os candidatos, a todos os que se apresentaram a votos, a todos os que trouxeram ideias, propostas e projectos para o debate público ao nível da Câmara Municipal, da Assembleia Municipal e das Freguesias. É na divergência, no dissenso e na discussão, sempre com respeito e elevação, que se materializa a democracia e que afirmamos uma entrega virtuosa à causa pública.

Se no país o PS venceu de forma clara, em Braga, foi a coligação “Juntos por Braga” (PSD/CDS/PPM) quem obteve uma maioria esclarecedora, reforçando os resultados obtidos em 2013, aumentando o número de votos tanto ao nível das Juntas de Freguesia, da Assembleia Municipal e da Câmara Municipal, onde elegeu mais um vereador. Cabe aqui, por isso, uma saudação ao Dr. Ricardo Rio pela sua reeleição, deixando o desejo de que, a bem de Braga e dos bracarenses, realize um bom mandato.

A CDU, por sua vez, viu Braga voltar a eleger Carlos Almeida como Vereador na Câmara Municipal, reconhecendo, desta forma, o trabalho que desenvolveu ao longo do mandato. Curiosamente, e face aos resultados de 2013, a CDU apenas cresceu no número de votos para a Câmara Municipal, onde ganhou cerca de 700 votos, tendo perdido cerca de 1000 votos tanto para Assembleia Municipal, como para as Juntas de Freguesia. Cumprimentar o Carlos Almeida e desejar-lhe, também, as maiores venturas no seu mandato.

O BE, de regresso às lides autárquicas, após, em 2013, ter suportado de forma mais ou menos assumida o movimento independente “Cidadania em Movimento”, voltou a não eleger nenhum Vereador para a Câmara Municipal, mantendo, com resultados aproximados, mas mais fracos, dois elementos na Assembleia Municipal.

Falar, finalmente, do Partido Socialista, do meu PS. O PS perdeu. Não há outra forma de colocar a questão. Perdeu um vereador na Câmara Municipal, perdeu Juntas de Freguesia e perdeu, face a 2013, votos tanto para a Câmara Municipal, como para a Assembleia Municipal e as freguesias.

Entendo que todos somos responsáveis quando ganhamos e entendo, também, que somos todos responsáveis quando perdemos. Neste quadro, e enquanto dirigente, dizer, escrever e assumir, com frontalidade, a minha quota parte de responsabilidade por estes resultados.

Na minha opinião, e sem que isto signifique um ataque pessoal (até porque acredito que todos os dirigentes e eleitos do PS procuraram fazer e fizeram o melhor que podiam e sabiam), o Partido Socialista, fruto de condições muito difíceis, fruto de não estar habituado a ser oposição não foi, ao longo de todo o mandato, ao longo dos últimos quatro anos, capaz de afirmar uma alternativa em que Braga e os Bracarenses pudessem confiar, uma alternativa com ideias e propostas claras para o futuro da cidade e do concelho e essa foi, no meu entender, a principal razão de ser destes resultados.

A bem da verdade, convém dizer que essa não foi, longe disso, a única razão para as coisas não terem corrido bem. O facto de enfrentarmos uma comunicação social adversa e pouco independente e um adversário que usou do seu cargo de Presidente da Câmara para “aliciar” e desviar para o seu séquito partidário um conjunto de presidentes de junta eleitos pelo PS em 2013 contribuiu, em grande medida, para estes resultados.

O tempo, amadurecidos e analisados os resultados e o porquê de estarmos nesta situação, é de fazer oposição de forma estruturada, afirmativa, firme e sensata, afirmando na arena política local um compromisso de serviço público travado com entusiasmo, firmeza, mas também lealdade. Um compromisso de serviço público a Braga e aos bracarenses, inspirado, apenas, em servir as pessoas e a comunidade, na esteira dos valores da velha ética republicana.

Estou certo que o Miguel Corais e os restantes vereadores eleitos para a Câmara Municipal, todos os eleitos para a Assembleia Municipal e para as 37 Assembleias de Freguesia do Concelho, darão esse exemplo e, dessa forma, o PS estará, estaremos mais perto de reconquistar a confiança da maioria dos bracarenses.

vote este artigo

 

Comente este artigo

Faça login ou registe-se gratuitamente para poder comentar este artigo.

comentários

Não existem comentários para este artigo.

Últimos artigos desta categoria - Ideias Políticas

Tempo

Classificados

Edição Impressa (CM)

Edição Impressa (MF)

Newsletter

subscrição de newsletter

mapa do site

2008 © todos os direitos reservados ARCADA NOVA - comunicação, marketing e publicidade, S.A. | concept by: Cápsula - soluções multimédia