Estropícios, estropalhos e emplastros

Ideias

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Borges de Pinho

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Tal como os de “cromos”e “parasitas”, são termos referenciados num qualquer dicionário, ainda que editado após o acordo ortográfico de má memória, um “aborto” gerado por gente de controversa inteligência, discutível cultura, lunática estupidez e facciosa “afecção” política. Aliás, um acordo ridículo, estúpido, de insensata aceitação e tola imposição, diga-se! Termos cujo significado, natural ou em sentido figurado, e no concreto das realidades subjacentes ou associadas, “envolvem” natural e incontornavelmente uma carga negativa de desperdício, inutilidade, oca valia e manifesta nulidade, convidando-nos assim a um repúdio de seus “substratos” físicos e materiais pelo perigo de um qualquer desconchavo. E isto vem a propósito do mundo de figurões que, “vestindo” roupagem política, se vêm encaixando no “dicionário” da actual partidocracia e sua “gramática” e conjugam em todos os tempos, modos e formas, quando e porque rentáveis, os verbos “enganar”, “prometer”, “iludir”, ”mentir”e “trair”. Assolando a actualidade com muita “lata”e arraiais folclóricos, diga-se, sempre “can- tando e rindo” como numa antiga canção da mocidade portuguesa.
Acabou o ruído comicieiro e as eleições já são passado, mas continuam a pulular os estropícios, cromos e emplastros políticos de mãos dadas com “almas penadas”, “abutres” partidários, usuais “barões”, habituais “politógos”e oportunistas “inteligentes”, sempre prontos para um “salto” para a ribalta e “assalto” ao poder, “cozinhando-se” resultados e pondo em lume brando, já “temperado”, um “estufado”requentado de vinganças e despeitos, “lambendo-se” feridas, “espremendo-se” velhas “espinhas” e deixando “re- bentar” dolorosos “furúnculos”, até porque muitos desses emplastros ,“espumando” ameaças, viram chegada a hora da vingança. Eleições cujos resultados, aliás de múltiplas e díspares leituras, nos levam a concluir que o PSD apanhou “um banho” em certas autarquias, perdendo câmaras, que o CDS, impante pelo “feito” de Lisboa, exibe Cristas como um galo vistoso e apetitoso de Freamunde, alheio às realidades e ao futuro, que o Jerónimo, triste e perturbado com a perda de alguns bastiões para o PS, logo disse não alinhar numa geringonça na Câmara de Lisboa, e, “falando” em greves e manifestações de rua, afirmou ainda que o povo vai perceber o que perdeu ao saltar para o Costa. Um Costa nédio,ufano e risonho que vai “surfando” a onda de optimismo criada por uma situação económica favorável, “empolada” e “amparada” pelas “vozes” das Agências de ratting, “novas” da CEE, as exportações e o turismo, minimizando os montantes das dívida pública e déficit comercial.
A Catarina do Bloco, que não realizou o seu sonho, persiste como minorca e residual numa espécie em vias de extinção e, apesar das enfáticas “conquistas”, teima em se afirmar “peça chave” para os usuais “alaridos”, “promessas” e “lutas” com o PS e PC, e disponível para “geringonças” nas autarquias. Fazendo sorrir de gozo o Louçã, agora a viver outros futebóis, tal como o Portas, que, com os conhecimentos e negócios, se sente hoje nas suas “sete quintas”. Mas o tempo de afirmação de vida e de relevância do Bloco, crê-se, tão só perdurará enquanto existir a “geringonça”, for útil para o Costa manter o poder e fazer passar o orçamento, sendo previsível um pontapé no rabo mal o PS alcance a maioria. É certo que a história tem meandros e tempos, as pessoas mudam, as paixões avassalam e “cevam-se” vinganças face a novas oportunidades e desejos do poder, mas é de registar a “esperteza” e “engenho” do PS ao fixar um prazo a partir do qual se poderia fazer alianças e “geringonças” locais, discutir lugares e apoios. Habilidosamente “jogando”com o orçamento, e “gerindo” desejos e cedências dos “parceiros geringonços”, que aliás até gostam de ser poder.
Quanto ao PSD, regista-se o discurso de despedida de P.Coelho, «vencido mas não convencido» e logo afirmando não se recandidatar, pretender eleições para Dezembro e prometer apoio e atenção ao partido. Se tal já era expectável, anote-se o “recado” de que não ia ficar por aí a “rondar” como uns conhecidos “perdedores”, agora com as “orelhas” a arder!... Mas é imperioso referir e recordar a situação de bancarrota e descalabro que herdou, e o denodado esforço dispendido para salvar o país, ainda que sacrificando e onerando o povo, granjeando críticas, inimigos e causando um mal estar geral. Com medidas duras e impopulares, posições controversas, ideias questionáveis e de muita teimosia no período da tróika, penalizando o povo, mas impõe-se-nos dizer que sempre se nos afigurou um homem estrutural e substancialmentre sério, trabalhador, esforçado, com uma enorme vontade de salvar e de servir o melhor possível a Nação e seu povo. Crítico ou não do seu governo na então grave situação do país, crê-se que a história não deixará de recordar a sua seriedade, firmeza e esforços feitos ao serviço de Portugal, colocando-o no lugar a que terá direito.
Mas as mudanças e os tempos, no contexto da história, levam-nos a memórias e factos que vêm projectando os partidos, tal como o PSD, como verdadeiros “sacos de gatos”. Face às discordâncias conhecidas, a oposições “encapotadas” e ao previsível desaire eleitoral, não foi nada inocente, mas “engenhoso” e até “maldo- samente” intencional, o insólito surgimento na campanha de figuras que não morriam de amores por P.Coelho, como a “avó” F. Leite, o “arauto privativo” do Marcelo, o “grande” M.Mendes, o “candidato-sombra” R.Rio, o “derrotado” P.Rangel e outros num caricato “velório” de aproveitamento, “argamassando” futuros, espertezas saloias e “sacanagem”. Tudo num esconso “cozinhado” ante uma inevitável saída e eventual subida ao poder, com directas ou indirectas, escamoteando-se atitudes e “sabotagens” num partido sempre de gritante e ruidosa luta pelo poder, o que nos “transporta” para “estórias” e figuras do passado, do Menezes ao F.Nogueira e outros, e nos “desperta” para as “revelações” do R. Moreira e as “ferroadas“ dirigidas ao Rio e ao Rangel. Aliás são muito frequentes as “erupções” partidárias, nesta partidocracia de gente minorca!...
Atolado em desperdícios, o país continua a ser invadido por estropalhos e emplastros que se servem de tudo na sua ânsia de poder, contribuindo para o des- calabro da democracia e seus valores, sendo dispensável “afiar facas” e “alimentar” disputas entre tais “cromos” e “estropilhos”, qualquer que seja sua cor e nome. O povo, diga-se, já tem plena consciência de que a democracia só serve para as tolas vaidades e desejos loucos dos partidocratas, impondo-se lembrar que, apesar do optimismo e sorrisos do PS, a dívida pública já supera 250 mil milhões e “dispara 43,2 milhões por dia” (C.Manhã, 3.10.17), temendo-se que se venha a cair numa situação igual à herdada de Sócrates, que outros, para a gerir, tiveram de sacrificar o povo. Aliás, nesta democracia minorca de despeitos e vinganças em que se adulam “cromos” e se esbanjam “afectos”, são ainda muitos os estropícios, estropalhos e emplastros à solta.

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